Duas gerações em uma só busca: o encontro, a liberdade. “Espalhadas pelo Ar” é um filme, em essência, feminino; trata de mulheres e suas inquietações, presentes em todas nós. Entende-se o porquê da sutileza do filme ao conhecer sua diretora, Vera Egito, “menina” que resolveu transformar em imagens aquilo que um dia, em sua adolescência, surgiu em um papo com as amigas.
Cora, 30 anos, está numa prisão: vive uma crise em seu casamento, não tem liberdade para criar, para amar e nem fumar, afinal, o marido não gosta. É nesse contexto que flagra algumas meninas de seu prédio fumando na escada de serviço. As meninas fumavam apenas de lingerie, para não dar pista do “pequeno delito” em casa; às escondidas, as garotas espalhavam suas crises e vontades pelo ar.
O filme é pura poesia, não abusa do nu, o insinua. A fotografia é simples, correta, retrata essa busca da mulher, que ao longo da história se privou de emoções e sentimentos. Na pós-modernidade, ela valoriza sua vida, sua liberdade, sua profissão e seu corpo, sem deixar de responder ao chamado da natureza. Quando foi necessário, a mulher ajudou na guerra, protestou nas ruas, queimou o sutiã; estava em pauta a liberdade de ação e pensamento. Neste curta, as mulheres queimam o cigarro e espalham suas conquistas pelo ar. (Karla Maria)
“Espalhadas pelo Ar” está na Mostra Brasil 9
Durante a sessão de “Sofia”, curta de Alexandre Franco, a protagonista de mesmo nome estava descontente com sua vida amorosa e eu, com o celular que tocou e permaneceu ligado durante a exibição, sem falar dos cochichos, em plena Cinemateca. Mas “Sofia” merecia atenção, então tentei me desligar da “vizinhança” e dialogar com o curta.
O que sente uma mulher aos 50 anos? Solidão, amor ou a falta dele, ondas de calor? Sente gratidão por sua família, netos, profissão, cachorro e marido? Essas respostas não precisam ser excluídas, todavia, o que a mulher aos 50 sente é desejo, pelo menos segundo o curta mexicano “El Deseo”.