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Porto Alegre será palco de discussão sobre a Comunicação na América Latina

“A grande festa da comunicação”bandeira, assim definiu dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, ao se referir ao Muticom – Mutirão de Comunicação da América Latina e Caribe, que acontecerá de 3 a 7 de fevereiro de 2010, na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), em Porto Alegre, RS.

“A comunicação permeia a essência e os deveres da Igreja; a comunicação deve ser compreendida como um processo de relações e em este processo é Cristo que nos une e que dá sentida a nossa vida”, afirmou dom Damasceno, presidente do CELAM (entidade organizadora do evento), em entrevista ao site oficial do Mutirão.

Organizado para acontecer em julho de 2009, o Encontro foi adiado, seguindo orientação da Secretaria de Saúde do estado Rio Grande do Sul, que temia a propagação da gripe h1n1 na América do Sul, tendo em vista a origem de seus participantes.

O objetivo do Muticom é promover espaços de diálogo sobre os processos de comunicação à luz da cultura solidária, na construção de uma sociedade comprometida com a justiça, a liberdade e a paz. Sua programação está organizada em torno de três eixos temáticos: Novos cenários políticos e sociais latino-americanos e os processos de comunicação, Economia e comunicação na era digital e Comunicação no diálogo das culturas. Estão previstas conferências, seminários, oficinas e apresentação de trabalhos acadêmicos.

A abertura do evento contará com a presença de Ismael González González, coordenador da ALBA Cultural, ex-vice-ministro de Cultura e ex-diretor da RTV cubana; Fernando Checa Montúfar, diretor do CIESPAL – Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina; Beto Almeida, Jornalista da TV Senado, diretor da Telesur/Brasil; Carlos Augusto dos Santos, Ministro de Comunicação do Paraguai e Frank La Rue, relator para a Liberdade de Expressão das Nações Unidas.

Para assessorar as conferências e seminários, o Muticom conta com os seguintes palestrantes: Carlos Eduardo Cortés S., Paulo Suess, Martín Becerra, Leomar Antonio Brustolin, María Cristina Mata, Agenor Brighenti, Pedro de Assis Ribeiro de Oliveira, Luciano Sathler Rosa Guimarães, Pe. Gabriel Jaime Pérez Montoy, S.J., Guillermo Mastrini, María Rosa Alayza Mujica, Dennis Smith.

chimarrao_webA agenda do evento oferece também mostra retrospectiva de filmes brasileiros premiados pela CNBB – Curtas e médias metragens, celebrações eucarística, ecumênicas, feira de livros e artesanato, exposições de arte sacra e contemporânea, e apresentações artísticas e shows musicais.

No último dia do Mutirão, acontece o Encontro Nacional da Pascom – a Pastoral da Comunicação, assessorado por dom Orani Pestana, arcebispo do Rio de Janeiro.

Para realizar sua inscrição, enviar trabalhos a serem apresentados ou mais informações no site.  O Muticom é promovido pela CNBB – Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, a OCLACC – Organização Católica Latino-Americana de Comunicação e o CELAM – Conferência Episcopal Latino Americana e Caribenha.

Estarei por lá partilhando o chimarrão e acompanhando as reflexões, debates e propostas para uma comunicação mais democrática, humana e comprometida com aquele tal e tão, justamente,  sonhado Outro Mundo Possível.

4° Mostra de Cinema Nordestino em São Paulo

Começa hoje, terça-feira (15), a 4ª Mostra Paulista de Cinema Nordestino. Com 73 filmes de épocas variadas, produzidos por sete estados do Nordeste. A mostra acontece no Centro Cultural São Paulo (metro Vergueiro) e vai até o próximo domingo, dia 20/09.

“Entre as produções selecionadas, estão “Corisco e Dadá” (1996), com os atores Chico Diaz e Dira Paes, sobre um cangaceiro cruel que rapta uma menina de 12 anos. Também integra a lista “Árido Movie” (2005), que relata a volta de um rapaz à sua cidade natal depois do assassinato de seu pai.

A mostra promove, ainda, o lançamento do filme “Lá Vem o Juvenal”, do cineasta alagoano Hermano Figueiredo, e do livro “Documentário Nordestino”, da piauiense Karla Holanda. André Dias, representante da Associação Cearense de Cinema de Animação, integra também o evento, para conversar com o público e mostrar 26 títulos.” Da Folha

Acompanhe a Programação no blog da Mostra.

Centro Cultural São Paulo- Sala Lima Barreto – rua Vergueiro, 1.000, Liberdade, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3397-4002. 100 lugares. De 15 a 20/9. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos

Colegiada das CEBs de São Paulo se reúne e recebe a visita de dom Odilo

A Colegiada das CEBS – Comunidades Eclesiais de Base do estado de São Paulo, esteve reunida no Centro Pastoral Santa Fé – Anhanguera, nos dias 22 e 23 de agosto para avaliar o 12° Intereclesial, realizao em Porto Velho-RO, de 21 a 25 de julho.

Karla Maria | Colegiada das CEBs - SP1

Karla Maria | Colegiada das CEBs - SP1

O encontro reuniu representantes das oito sub-regiões que agregam as 43 dioceses do estado. Acompanhados por dom Maurício Grotto de Camargo, arcebispo de Botucatu, além da avaliação do Intereclesial, os representantes avaliaram a participação do estado no encontro e traçaram calendário e projetos das comunidades de base a partir dos compromissos traçados em Porto Velho.

Com a assessoria do padre Aécio Cordeiro da Silva, pároco na Região Episcopal Brasilândia, foi feita uma análise de conjuntura e resgate da memória das lutas das CEBs na Arquidiocese de São Paulo (SP1).

Karla Maria | dom Odilo, arcebispo de São Paulo

Karla Maria | dom Odilo, arcebispo de São Paulo

No domingo pela manhã, dom Odilo Pedro Sherer, arcebispo de São Paulo, se reuniu à colegiada das CEBs e deixou seu recado. “Eu espero que as CEBs estejam bem vivas, bem ligadas às comunidades paroquiais para poderem manter a sua motivação eclesial e receberem também os impulsos que vem da Igreja e possam traduzr na sua prática e na sua vida. Suscitem novas e mais comunidades”, afirmou o arcebispo, que questionou à colegiada quais os rumos e projetos das CEBs.

Em resposta os representantes destacaram a necessidade de repensar a pastoral urbana, fortalecer a Missão Continental e os grupos de rua, motivar a formação nas comunidades eclesiais, assumir o Grito dos Excluídos, a Romaria da Terra e da Água, estar presente com as pastorais sociais e ser Igreja na sociedade para construir o Reino de Deus.

“As CEBs tem esta característica de estar com o pé fincado na realidade local próxima da vida do povo, nós temos nas nossas cidades, uma série de questões e há enormes possibilidades de atuação e envolvimento, é preciso se unir aos demais organismos, sejam católicos ou não, para mudar as situações de desrespeito à dignidade humana”, afirmou dom Odilo ao se despedir.

A Colegiada estadual das CEBs também se mostrou indignada quanto à atual situação política do país. “Estamos indignados com a postura do Senado Federal e por isso estamos intensificando a coleta de assinaturas para a Campanha Ficha Limpa. Queremos que este projeto de lei funcione já nas próximas eleições. O que estamos vivendo é uma vergonha e falta de ética, afirmou Liz Maria Marques, representante da Região Belém na Arquidiocese de São Paulo.

A Colegiada das CEBs se reúne quatro vezes ao ano e é composta por cerca de 32 representantes de cada uma das sub-regiões (Aparecida, Botucatu, Campinas, RP1, RP2, SP1, SP2 e Sorocaba.

Mais um Silva é morto no Real life: a Fazenda

Quem serão os criminosos: o MST – Movimento dos Sem Terra ou a Brigada Militar? Talvez o Ministério Público gaúcho já tenha a resposta….

bandeira RS

foto: Karla Maria

Elton Brum da silva, 44 anos, mais um sem-terra. Foi morto nesta manhã (21 de agosto), enquanto a Brigada Militar – BM fazia a remoção de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST da Fazenda Southall, em São Gabriel – RS.

Segundo o Hospital Santa Casa de Misricórdia, para onde foi levado às 9h40, o rapaz foi atingido no tórax, com um disparo de arma de fogo. O tenente-coronel da BM Flávio Lopes, que participa da ação em São Gabriel, afirmou que 14 pessoas ficaram feridas, entre sem-terra e policiais militares.

A ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel (RS), realizada no dia 12 de agosto,  integra a jornada nacional de luta realizada pela Via Campesina em todo o país. Os trabalhadores exigem o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Incra deste ano para a desapropriação de áreas para a reforma agrária. Somente no Rio Grande do Sul, duas mil famílias estão acampadas em beiras de estrada.

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul pediu apuração para identificar os responsáveis pela morte do sem-terra Elton Brum da Silva. “a presidência da Assembleia Legislativa solicitou à Casa Civil do governo estadual as condições para que o presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, Dionilso Marcon, tenha acesso ao local do conflito para verificar in loco as circunstâncias do ocorrido. É preciso avançar na reforma agrária para reduzir a violência no campo”, diz Ivar Pavan (PT), presidente da Assembleia.

Para o Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio Grande do Sul, “a morte deste brasileiro é inaceitável e resulta da intransigência do governo do estado, que encara protestos como crime, ocasionando agressões constantes a quem participa de manifestações, desconsiderando que elas são inerentes à democracia e asseguradas na constituição brasileira”.

Mais um Silva tomou conta dos blogs e sites hoje pela manhã, aos 44 anos Elton Brum da Silva foi assassinado na Fazenda Southall. Quantos de nós brasileiros, saberemos desta morte, desta novela que não tem fim nos latifúndios? Poucos eu diria, até porque este episódio certamente não terá mais de 30 segundos na grande mídia, quem informa e forma este povo. O Foco da TV é a outra Fazenda.

No real life, os Silva: Lula e Marina sobreviveram, já Elton….

Fontes: Vermelho, FolhaSP, CapitalGaucha

Povos indígenas são protagonistas no 12° Intereclesial das CEBs

A Praça Madeira Mamoré, em Porto Velho, foi o palco da abertura do 12° Intereclesial de CEBS, ontem (21/07).

Jaime C. Patias | Delegados na Praça Madeira Mamoré

Jaime C. Patias | Delegados na Praça Madeira Mamoré

Participam do Intereclesial representantes das comunidades eclesiais de base, engajados em movimentos sociais, em defesa da vida e da ecologia. Os Povos Indígenas também marcam presença no Intereclesial. “Acreditamos que unidos às CEBs estaremos mais fortalecidos. Viemos mostrar que nós existimos e resistimos, que nós somos a Amazônia, que nós somos o Brasil”, afirmou Maria Eva, do povo Kanoé, uma das lideranças indígenas de Guajaramirim, que fica há cerca de 300kilometros de Rondônia, na fronteira com a Bolívia.

Além do povo Kanoé, outros 37 povos articulados pelo CIMI – Conselho Indianista Missionário, se reuniram no dia 20/07, na Escola Municipal São Miguel, em Porto Velho, para divulgar a Campanha Povos Indígenas na Amazônia – Presente e Futuro da Humanidade. A Campanha foi lançada em Belém do Pará durante o Fórum Social Mundial e agora está em fase de divulgação, com um direcionamento mais político, enfrentando temas como o Estatuto dos povos Indígenas, mudanças em relação à estrutura pública e de saúde indígena.

Jorge Custódio| Eva Canoé

Jorge Custódio| Eva Canoé

Segundo seus organizadores, o objetivo da Campanha é sensibilizar a sociedade sobre a realidade sócio-ambiental e a experiência histórica dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Denunciar as ameaças à vida dos povos da Amazônia, fortalecer e garantir os direitos territoriais e exigir a proteção da vida dos povos indígenas às autoridades competentes. Para Aroldo Pinto do Espírito Santos, uma das lideranças em Porto Velho, que defende os povos indígenas, o Intereclesial é um importante evento. “Precisamos mostrar a resistência diante destes grandes projetos, como o PAC, que estão aterrorizando, destruindo e desmatando. As principais vítimas são os povos indígenas. Esse é um espaço para mostrar seu grito e clamar por justiça”. Segundo Masson Norman Reis, do CIMI,  já estão reunidos em Porto Velho os povos Anara, Cujubim, Tupari, Makurape, Nambikuara, Karitiana, Oro Warian Xijein, Xerente, Rikbaktsa, Kanoé, Munduruku, Oro Mon, Arap’um, Guarani, Pataxó, Jaboti (Djorometdi), Arikapu, Kulina, Oro Waje, Bororo, Cassupá, Kaxinawa, Wapixana, Terena eTupinambá, das regiões do Mato Grosso, Pará, Tocantins, Acre, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima e Rondônia.

A Cerimôniade abertura foi também marcada pelos presença e pelo clamor dos povos indígenas, que se juntaram ao grito dos povos ribeirinhos, dos seringueiros, quilombolas e migrantes de todo o Brasil, que lutam por vida, justiça e respeito por suas escolhas, opções de vida e autonomia.

As CEBs tem papel fundamental nesta luta, respeita a diversidade cultural e religiosa destes povos da Amazônia e se une para conquistar os direitos já garantidos pela Constituição Federal e mais do que isso, pelo Criador.

** Estou em Porto Velho- RO como delegada da Região Episcopal Brasilândia, da Arquidiocese de São Paulo, Regional Sul 1 e como correspondente da Revista Missões.

A Amazônia acolhe as CEBs do Brasil

DSC00057Porto Velho – RO  está de cara nova, isto porque desde a última sexta-feira, centenas de pessoas de todo o Brasil, chegam à cidade para participar do 12° Intereclesial de CEBs, que acontecerá de 21 a 25 de julho próximo e trabalhará com o tema: Ecologia e Missão, Do Ventre da Terra, o Grito que Vem da Amazônia. Os participantes deste evento, são representantes/delegados de mais de 100 mil comunidades, cerca de 272 dioceses brasileiras. Chegam à cidade aquecendo os aeroportos, rios e estradas, a economia e a vida dos cerca de 1200 voluntários que estão envolvidos na infra-estrutura e logística do evento, bem como a vida das mais de três mil famílias que estão acolhendo gratuitamente todos os participantes, que somam cerca de também três mil pessoas.

DSC00069Dentre eles estão 94 representantes dos povos indígenas, 61 estrangeiros, 53 bispos, 35 convidados, 97 assessores e 32 jornalistas. Antonio da Conceição Lopes, 39 anos é um dos 170 delegados de Manaus – AM. Desembarcou hoje no Aeroporto Internacional de Porto Velho Governador Jorge Teixeira de Oliveira, por volta das 13h e falou sobre sua expectativa quanto ao 12° Intereclesial. “Espero aprender muito aqui, discutir sobre questões ecológicas, repensar a Amazônia e levar um pouco para a minha comunidade e para a minha diocese”. Assim como Antonio, as outras dioceses se organizaram para participar deste grande momento das CEBs no Brasil, são cerca de 60 ônibus que vem dos diversos rincões, aviões e barcos que trazem homens e mulheres que gritam junto com a Amazônia.

Esta é a 12° edição, que de quatro em quatro anos, reúne os representantes das comunidades eclesiais de todo o Brasil, para refletir a postura do cristão diante da duras realidades cotidianas e específicas de cada local e ainda suscita a espiritualidade, a corresponsabilidade de cada um em defesa da vida, da ecologia, por meio de ações práticas. “Possa o 12° Intereclesial de Porto Velho ser um ponto de convergência para o exercício de uma cidadania solidária e corresponsável, em prol de uma nova ordem, uma nova civilização e uma nova Amazônia”, afirmou dom Moacyr Grenchi, arcebispo de Porto Velho.

A cerimônia de abertura acontecerá amanhã, 21/07, na Praça Madeira Mamoré, às 19h. Estarão presentes os três mil delegados, assim como as equipes de voluntários. No total, segundo a secretaria do evento, espera-se cerca de sete mil pessoas na abertura.

Cânios, Araucárias, comida boa e sorrisos, esta é Cambará do Sul

Cânion Fortaleza

Cânion Fortaleza

Cambará do Sul está localizada na região nordeste do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira de Santa Catarina. Possui, segundo dados do IBGE (censo de 2000), 6840 habitantes. Até 1963, data da fundação da cidade, pertencia ao Munípio de São Francisco de Paula.

Cambará foi cenário de muitas novelas e minisséries que contam a história do povo gaúcho, como Memorial de Maria Moura e a Casa das Setes Mulheres. Este cenário é um espetáculo e se completa com a hospitalidade com que os turistas são recebidos.

A serração é um espetáculo à parte, você perde seu olhar, apenas sente o ar úmido da cidade, que parece limpar o pulmão de paulistas como eu. A respiração se completa e o corpo agradece o ar puro.

Os Cânions são os grandes atrativos da cidade, o Cânion Fortaleza, este gigante é um templo de paz, contato com a natureza e com o divino. Impossível descrever a sensação. A dica para quem for à Cambará e quiser conhecer as maravilhas do Parque Nacional da Serra Geral precisa estar atento á metereologia. Se chover, desista do passeio, a estrada que leva até ao parque é de terra, com pedras e buracos (aproximadamente 28 kilometros). Mas nada disso tira o charme deste passeio por entre as Araucárias.

comida

Galpão Costaneira

Diante do Cânion e das cachoerinhas, da Pedra do Segredo, do sol e do frio, Cambará se apresenta como um dos santuários naturais do Brasil, pena, contudo, que poucos a conheçam. Hora de investimento e incentivo ao turismo ecológico. Em Cambará há inúmeras pousadas, aconchegantes e com um café-da-manhã que dá energia para a aventura do dia e para a hora do almoço, nada melhor do que uma comidinha típica e uma boa compania resgatando as histórias deste lugar tão especial.

Fiquei na Pousada Pôr do Sol e saboreei as delícias do Galpão Costaneira, que fica pertinho da Pousada. Vale a pena conferir o buffet e o espaço bem típico dos gaúchos tchê.

Na hora de descer a serra, cuidado com a serração na estrada, vale a pena optar pela estrada que corta Gramado e Canela, uma parada para um  chocolate quente, um café colonial, que é simplesmente uma torre de babel gastronômica, com uma variedade incrível de doces, salgados e vinhos.

Um casamento ideal, irreal, plural…um casamento

Que entrem os Noivos!

De Eduardo Delazeri

Um dia o místico e o revolucionário se encontram em um ponto da história, que é na ante-sala do poder, e travaram o seguinte dialogo.

 Místico: vocês revolucionários são muito voltado para fora, até parece que estão fugindo de si.

 Revolucionário: Vocês místicos é que são voltados para dentro, até parece que estão fugindo do mundo.

 Místico: que bom seria se a gente pude-se casar a mística e a revolução.

 Revolucionário: É verdade eu até acho que está mistura daria liga.

 Místico: Já estou imaginado a cena, a Mística vira vestida de vida e a Revolução viria vestida de história. Os padrinhos…. já sei podem ser os movimentos sociais.

Revolucionário: Isso mesmo, e os convidados: serão os últimos, para ao menos uma vez o mais simples seja visto como o mais importante. Vamos chamar as putas, aos gays, miseráveis que moram nas ruas, os cantadores de lixo, os aidéticos e toda a turma deles.

Místico: Pois que comece o casamento. Mas não será realizado em nenhuma Igreja, de nenhuma religião, vamos celebrá-lo na catedral da vida, para ser mais real. Que entre os noivos.

Revolucionário: Nós viemos aqui para beber ou para conversar?

Místico: (que é meio quietão, faz pausa. Só olha nos olhos dele.

Revolucionário: (num estalo percebe. Pega na mão do místico e comenta) Já sei. Nós viemos foi para amar não é?

Místico: É. Então é bom tirar os sapatos, assim a gente caminha descalço, pois essa terra que pisamos é sagrada. 

Revolucionário: Não vamos tirar a roupa toda. Afinal, foi assim que nascemos.

A mística e a revolução tiveram então um filho, que não pôde ser batizado nem ter nome: chamou-se simplesmente homem-novo, embora fosse mulher.

FAMECOS repudia decisão do STF

As manifestações contra a decisão do STF – Supremo Tribunal Federal, que extinguiu a exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista, tomam corpo por todo o Brasil e já suscitaram uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional, apresentad no último dia 1° pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

Desde o dia 17 de junho, data da decisão do Supremo, estudantes, jornalistas e professores se manifestam  contra a decisão pelas ruas, rádios e internet. Ana Brambilla, jornalista e professora da FAMECOS – Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, nos enviou o manifesto elaborado pela Faculdade repudiando esta decisão.

O fim do diploma foi pedido pelo Sertesp – Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e contou com o apoio do Ministério Público Federal assinado pela sub-procuradora-geral da República, Sandra Cureau.

Fonte: Comunique-se, Jornal de Fato

Para entender o golpe em Honduras

De Elaine Tavares *

De repente, um pequeno país da América Central, cuja capital poucos conseguem pronunciar o nome, Tegucigalpa, virou notícia mundial. Uma velha e conhecida história ali se repetia, quando mais ninguém acreditava que isso pudesse ser possível. Um golpe de estado contra um presidente que não é nenhum revolucionário de esquerda, pelo contrário, é um bem comportado político do partido liberal. O motivo do golpe é pueril: a decisão do presidente de fazer uma consulta popular sobre a possibilidade de uma Constituinte. Em Honduras, ouvir o povo é considerado um ato de lesa pátria. Nada poderia ser mais anacrônico nestes tempos de participação protagônica das gentes.

A história – Honduras é um pequeno país da América Central cuja história é muito peculiar. Primeiro, porque foi o berço de uma das mais incríveis civilizações desta parte do mundo: os maias. E segundo, porque durante as guerras de independência que tomaram conta da América espanhola, foi ali que se criou a República Federal das Províncias Unidas da América Central, um ensaio da pátria grande, tão sonhada por Bolívar. Os maias foram dizimados e a proposta de federação não resistiu ao sonhos de grandeza de alguns e, em 1838, a região da América Central também balcanizou. Honduras virou um estado independente e acabou entrando no diapasão das demais repúblicas da região: dominada por caudilhos e fiel serviçal das grandes potências da época, tais como a Inglaterra, a Alemanha e a nascente nação dos Estados Unidos.

As ligações perigosas – Como era comum naqueles dias, a elite governante se digladiava entre liberais e conservadores. Com o fim da idéia de federação e a morte do liberal Francisco Morazón, considerado o mártir de Tegucigalpa, que morreu em 1842 ainda lutando pela unificação da América Central, os conservadores assumiram o comando e o país virou prisioneiros da dívida externa, conforme conta o historiador James Cockcroft, no livro América Latina e Estados Unidos. Os liberais só voltaram ao poder no final do século XIX, mas já totalmente catequizados para viverem de maneira dependente dos países centrais. No início do século XX chegaram as bananeiras estadunidenses e com elas o processo de super-exploração. A United Fruit Company, a Standart Fruit e a Zemurray´s Cuyamel Fruit passaram a comandar os destinos das gentes. E quando estas tentaram se rebelar, foi a marinha estadunidense quem desembarcou no país para reprimir as mobilizações. Honduras virou, desde então, um país ocupado. Os camponeses trabalhavam nas piores condições e as bananeiras ditavam as leis, financiando os dois partidos políticos locais.

Nos anos 30, quando uma grande depressão agitou o país, o governante de plantão, General Carías, submeteu o país, com a ajuda armada estadunidense, a 16 anos de lei marcial. E, como é comum, quando ficou obsoleto, foi retirado do poder por um golpe.

Em 1950, depois da segunda guerra, as bananeiras exigiram mudanças e o Banco Mundial foi chamado para promover a “modernização” de Honduras. Gigantescas greves de trabalhadores – como a dos plantadores de banana que parou o país por 69 dias – e de estudantes foram reprimidas em nome do desenvolvimento. E tudo o que eles queriam era o direito de ter um sindicato. Havia eleições mas, na verdade, com uma elite claudicante eram os militares quem davam as cartas e foram eles, apavorados com os avanços dos trabalhadores, que assinaram um  acordo com os Estados Unidos para que este país pudesse ter bases militares no território hondurenho.

O medo de mais revoltas populares fez com que o governo realizasse uma espécie de reforma agrária nos anos 60 e 70 que acabou freando as mobilizações no campo, embora o benefício não tenha chegado a um décimo dos camponeses. Ao longo dos anos 70 os escândalos envolvendo generais no governo e as bananeiras se sucederam, causando mais mobilização nas cidades e nos campos, onde os trabalhadores já se organizavam de modo mais sistemático. Mas, os anos 80 trarão uma nova ocupação estadunidense que acabou subordinando a vida das gentes outra vez.

Os sandinistas e os EUA – Os anos 80 são tempos de guerra fria. Os Estados Unidos insistem na luta contra Cuba e também contra a Nicarágua que busca sua autonomia através da revolução sandinista. E, assim, com o mesmo velho discurso de combater o comunismo, Jimmy Carter manda para Honduras os seus “boinas verdes”, para ajudar na defesa das fronteiras, uma vez que o país faz limite com a Nicarágua. Além disso, os EUA abocanham mais de três milhões de dólares pela venda de armas e aluguel de helicópteros. Na verdade, lucram e ainda usam o exército hondurenho para realizar numerosas matanças de refugiados salvadorenhos e nicaraguenses. É ali, em Honduras, que, com o apoio da CIA, se leva a cabo o treinamento dos contras que, por anos, assolaram a revolução sandinista e o próprio governo revolucionário. Era o tempo em que um batalhão especial liderado por um general hondurenho anti-comunista, promoveu massacres contra lideranças da esquerda de toda a região. E assim, durante toda a década, apesar dos escândalos políticos e mudanças de mando, a “ajuda” estadunidense aos generais de plantão sempre se manteve impávida com milhões de dólares sendo investidos nos acampamentos dos contras, que somavam mais de 15 mil soldados.

Nos anos 90, a situação em Honduras era tão crítica que até a conservadora igreja católica passou a apoiar os militantes dos direitos humanos que denunciavam estar o país a beira de uma guerra. A derrota dos sandinistas na Nicarágua refreou os ânimos, mas ainda assim, seguiram as denúncias de assassinatos e violações.. No final da década, os governos neoliberais já haviam destruído as cooperativas de trabalhadores e devolvido terras às companhias estadunidenses. Nada mudava no país.

Zelaya – Manuel Zelaya foi eleito presidente em 2005, pelo Partido Liberal, mas esteve em cargos importantes durantes os últimos governos. Era, portanto, um homem do sistema. Seus problemas com os Estados Unidos começaram em 2006, quando decidiu reduzir o custo do petróleo, passando a discutir com Hugo Chávez, da Venezuela, a possibilidade de negócios conjuntos, o que acabou culminando, em janeiro de 2008, com a entrada de Honduras na órbita da Petrocaribe, um acordo de cooperação energética que busca resolver as assimetrias no acesso aos recursos energéticos. Este acordo incluiu Honduras na lógica da ALBA, a Alternativa Bolivariana para as Américas, projeto de Chávez em contraposição à ALCA, que tentava se impor a partir dos Estados Unidos. A proposta de Chávez foi a de vender o petróleo a Honduras, com pagamento de apenas 50%, sendo a outra metade paga em 25 anos, com um juro pífio, permitindo assim que Honduras investisse em áreas sociais. O plano, apesar de bom para o país, foi duramente criticado pela classe política. E os Estados Unidos perderam um parceiro de TLC (os mal fadados acordos de livre comércio), o que provocou tremendo mal estar em Washington.

Assim, quando o presidente Zelaya decidiu fazer um plebiscito, consultando a população sobre a possibilidade de uma Assembléia Nacional Constituinte, e não apenas de uma mudança para um novo mandato como dizem alguns veículos de informação, o mundo veio abaixo. Entre os direitistas de plantão e amigos da política estadunidense, isso era influência de Chávez. O próprio partido Liberal reagiu contra a medida, considerada “progressista” demais. Afinal, uma nova Constituinte colocaria o país num rumo bastante diferente do que vinha sendo trilhado nas últimas décadas. Mesmo assim o presidente levou adiante a proposta de ouvir a população e acabou exonerando o chefe do Estado Maior, general Romeo Vásquez Velásquez, quando este se recusou a distribuir as cédulas para a votação. A Corte Suprema votou contra a consulta popular e exigiu que o presidente reconduzisse o general ao seu posto, o que foi negado. Por conta disso, no dia da votação, domingo, dia 28, os militares prenderam Zelaya, o sequestraram e o levaram para Costa Rica, coincidentemente seguindo os mesmos trâmites do golpe perpetrado contra Chávez em 2001. O Congresso hondurenho chegou a discutir até a sanidade mental do presidente e, no dia do golpe, se prestou a ler uma fictícia carta de renúncia, imediatamente desmentida pelo próprio presidente desterrado. Ainda assim, o Congresso decidiu instituir o presidente da casa, Roberto Micheletti, como presidente da nação. Este, nega que esteja assumindo num momento de golpe. “Foi perfeitamente legal a ação do Congresso”, dizia, e, enquanto isso, mandava suspender os sinais de televisão e os telefones.

Reação Popular – Agora estão jogados os dados. O presidente Zelaya disse que volta a Honduras e vai acompanhado de presidentes de nações livres e amigas, tais como Equador e Argentina. O mundo inteiro repudiou o golpe e nenhum país reconheceu o governo golpista. A população deflagrou greve geral no país e, aos poucos, as grandes cidades estão parando. A proposta de Zelaya é reassumir e terminar o seu mandato. Não se sabe se ele vai insistir na consulta popular para uma nova Constituição, tudo vai depender da correlação de forças. Se a sua volta se der a partir da mobilização popular, haverá condições objetivas de apresentar esta proposta aos hondurenhos, além de purgar toda a camarilha que buscou reavivar um passado que as gentes de Honduras não querem mais. Há rumores de que políticos da direita estejam alinhavando um acordo, permitindo a volta do presidente, mas exigindo que ninguém seja punido. Se assim for, a volta será derrota.

O cenário mais provável é que, configurado o apoio popular e também o apoio da comunidade internacional, o presidente Zelaya coloque para correr os golpistas e inaugure um novo tempo em Honduras. Caso seja assim, enfraquece o domínio dos Estados Unidos na região e cresce o fortalecimento da Aliança Bolivariana dos Povos de Nuestra América.
* Jornalista

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