Arquivo para a categoria 'Meio Ambiente'

Câmara-SP corta verba contra enchentes em Orçamento

Rogério Cassimiro/UOL | Jd. Romano alagado

São Paulo – Votado em segunda discussão menos de quatro horas após ser apresentado aos líderes de bancada, a terceira versão do Orçamento de São Paulo para 2010 veio com uma redução de R$ 70,4 milhões na verba destinada à canalização de córregos, de R$ 30 milhões na coleta de lixo e de R$ 1 milhão para obras em áreas de risco.

O corte de R$ 1 bilhão feito de última hora pelo relator Milton Leite (DEM), contudo, não afetou os R$ 126 milhões reservados para a publicidade oficial da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a verba recorde da própria Câmara, fixada em R$ 399 milhões, um crescimento de 29% para o ano eleitoral, em relação aos recursos gastos deste ano (R$ 310,3 milhões). Os montantes destinados às áreas de Saúde e de Educação não sofreram reduções na nova peça, estimada em R$ 27,897 bilhões, valor inferior ao apresentado nas duas propostas anteriores, de R$ 28,1 bilhões (original do Executivo) e de R$ 28,8 bilhões (primeiro substitutivo).

No texto substitutivo votado em primeira discussão na semana passada, em meio às chuvas que inundaram a cidade, tinham sido reservados R$ 141,9 milhões somente para a canalização de córregos. Nessa peça substitutiva, a verba para o combate às enchentes atingia a marca inédita de R$ 400 milhões. O novo relatório apresentado ontem à tarde e votado em plenário em segunda discussão, com o apoio de 42 dos 55 vereadores, porém, reduziu a reserva para a rubrica da canalização de córregos para R$ 71,3 milhões. A reserva para obras em áreas de risco caiu de R$ 20,6 milhões para R$ 19,6 milhões.

As mudanças feitas pelo Legislativo na previsão de investimentos teriam sido motivadas por um erro do relator do Orçamento, Milton Leite (DEM), segundo colegas da base governista. Leite ontem argumentou que o equívoco foi do ex-secretário de Planejamento, Manuelito Magalhães, tucano que deixou o governo no início do mês, insatisfeito com o aumento do IPTU proposto pelo governo. O relator, aliado do prefeito, declarou que a saída teria sido provocada pelo fato de Magalhães ter superestimado as receitas com impostos e com a cessão da conta da Prefeitura para o Banco do Brasil. O governo nega a versão do parlamentar.

Sensibilidade

No plenário, apenas as bancadas do PT e do PCdoB e o vereador Cláudio Fonseca colocaram objeções aos remanejamentos feitos do Orçamento. “É muita falta de respeito e de sensibilidade manter uma verba recorde para a publicidade e tirar dinheiro da canalização de córregos. Temos um bairro inteiro ainda alagado na zona leste e o prefeito tira verba do combate às enchentes”, atacou o petista Antonio Donato (PT).

Leite defendeu a verba destinada para a publicidade. “O prefeito precisa divulgar as ações emergenciais do governo, como o combate à dengue e a execução do Plano de Metas. Imprensa é um serviço caro”, argumentou.

Após incêndio, persistem as ameaças contra comunidade Guarani no MS

Suzy Osaki, Brasil de Fato

Suzy Osaki, Brasil de Fato

No último dia 14, barracas dos povos Guarani foram incendiadas por fazendeiros no Mato Grosso do Sul. Esta informação é afirmada pelo CIMI-MS, Conselho Indigenista Missionário que acompanha a luta dos povos indígenas no Brasil desde 1972.

Segundo José Almeida (Zezinho), liderança da comunidade, no dia 9 de setembro, a Polícia Federal concedeu 48 horas para que eles desocupassem a aldeia onde viviam há quase dois anos. Os indígenas transportaram a maior parte de seus bens, incluindo camas e colchões, em bicicletas pelo caminho de 4 km entre a aldeia e a BR-163. No fim do dia 11 de setembro, ainda restavam na aldeia diversos objetos e o sapê (palha) que os Guarani usam para cobrir a casa. “Pedimos para a PF falar com o fazendeiro, pois a gente ia trazer o sapê e o resto das coisas. A gente não podia voltar lá depois do prazo da PF, pois o fazendeiro fechou tudo. Dois dias depois, a gente viu o fogo alto… vindo da aldeia”, relata Zezinho.

Os cerca de 130 indígenas da comunidade Laranjeira Ñanderu, que estão acampados à margem da BR-163, no Mato Grosso do Sul, continuam sendo ameaçados por empregados de fazendeiros, que manobram carros em alta velocidade próximo das barracas dos indígenas.

O Ministério Público Federal no Mato Grosso do Sul (MPF-MS) recebeu relatos dos indígenas, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre o ocorrido. Depois de analisá-los, pode requerer a instalação de um inquérito para investigar o incêndio e as denúncias de ameaças. Segundo Zezinho, a Funai não foi no acampamento depois do incêndio. A PRF foi acionada na noite do incêndio e foi ao local. Além disso, os indígenas recorreram à PRF para protegê-los de algumas intimidações dos empregados dos fazendeiros, que estavam impedindo os Guarani de buscar água em um rio fora da fazenda.

Zezinho afirma que, durante as noites, carros continuam passando para assustar a comunidade. Empragados dos fazendeiros estariam manobrando em rápida velocidade em frente ao acampamento e focalizando luzes para as barracas, assustando os indígenas.

A liderança também afirmou que, desde o despejo, três indígenas (entre adultos e crianças) já ficaram doentes. Ele suspeita que a causa seja o excessivo calor embaixo das lonas pretas durante o dia, por isso, os indígenas queriam o sapê, para amenizar a insalubridade embaixo da barraca.

Processo
A ordem de reintegração de posse foi dada pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. A Funai e o MPF-MS recorreram ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que chegou a suspender temporariamente a ordem de reintegração.

Fonte: CIMI-MS

Dia Mundial sem Carro

22 de setembro:  um dia para repensar o transporte individual

No Brasil, mais de 56 milhões de veículos circulam pelas ruas e rodovias. Somente na cidade de São Paulo são cerca de seis milhões.

Além dos transtornos, como os congestionamentos intermináveis, estresse e acidentes, cada um desses veículos emite 16 toneladas de gás carbônico por ano, o que significa mais poluição no ar e aumento de gases efeito estufa na atmosfera. Preocupadas com a questão, em 1988, na França, 35 cidades iniciaram um movimento pela redução dos automóveis nas ruas e criaram o Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro.

Com o tempo, a mobilização se estendeu pelos países europeus, chegando inclusive a outros continentes. No Brasil, o primeiro Dia Mundial sem Carro aconteceu em 2001, e a cada ano crescem as adesões em todos os Estados. Mais de 280 organizações de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão envolvidas na iniciativa todos os anos. Na Capital paulista, as ações estão sendo organizadas por várias entidades, como o Movimento Nossa São Paulo, Instituto Akatu, Campanha Tic Tac, Coletivo Ecologia Urbana, SOS Mata Atlântica, Respira São Paulo, Sesc e Transporte Ativo.

Atingido por barragem é assassinado em emboscada na Paraíba

MAB | atingidos pela barragem Acauã

MAB | atingidos pela barragem Acauã

O trabalhador rural ODILON BERNARDO DA SILVA FILHO foi assassinado em uma emboscada na cidade de Aroeiras, na Paraíba. Segundo a Agência Chasque de Notícias  ele foi morto com tiros pelas costas próximo a sua residência em Pedro Velho, um dos três reassentamentos onde estão alojadas 470 famílias atingidas pela construção da barragem de Acauã. 

Integrantes do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens da região já vinham denunciando sofrer ameaças de morte.  Na semana passada, um rapaz que passava de moto próximo a um dos reassentamentos foi atingido com um tiro pelas costas. Lideranças do MAB acreditam que a tentativa de assassinato e a morte tenham relação com as ameaças.

Em nota, o movimento também já alertou para o aumento de ameaças de morte contra lideranças em Tucuruí, no Pará.

Histórico Acauã

Há seis anos, 800 famílias paraibanas vivem com dificuldade, após a construção da barragem de Acauã. Todas viviam da agricultura, mas tiveram de deixar suas terras para a instalação da barragem. Desde então essas famílias nunca mais puderam recuperar sua antiga situação social, vivendo hoje em agrovilas, sem terra para cultivar e em pequenas casas de placa.

A Barragem de Acauã está localizada entre os municípios de Itatuba e Salgado de São Félix, na Bacia hidrográfica do Rio Paraíba. Acauã, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba, a Barragem possui capacidade total de acumulação superior a 253 milhões de metros cúbicos, representando o terceiro maior reservatório do Estado.

Recentemente o MAB produziu um documentário chamado “O canto de Acauã”, que relata os problemas enfrentados pelas comunidades ribeirinhas depois da construção da barragem. Assista em:

Rio Madeira acolhe o grito das CEBs

à exemplo dos mártires, o caminho pela frente

à exemplo dos mártires, o caminho pela frente

Acorda América chegou a hora de levantar”. Sob este grito, na tarde do segundo dia do 12° Intereclesial das CEBs, os participantes caminharam em memória dos mártires. O local do encontro é conhecido como o ponto de bate estaca, à 3km de uma das primeiras comunidades católicas de Porto Velho.

A caminhada dos mártires, organizada pelos setores regionais Norte I e II foi um momento de retomar a história de lutas dos mártires como Ir. Dorothy, Santo Dias, padre Ezequiel Ramin, dom Oscar Romero, padre Josimo, Chico Mendes, Ivair Higino, dom Helder Câmara, João Canuto, Ir. Maristela entre tantos outros.

Os delegados percorreram os três quilômetros de estrada de terra, passando por famílias ribeirinhas, pelo Cemitério Santo Antônio e pela mata. Tudo isso, em pouco tempo, poderá ser alagado pelo lago formado pela barragem da usina hidrelétrica de Santo Antonio.

Durante a caminhada, um caminhão com trabalhadores locais, observava os peregrinos das CEBs. Segundo um dos trabalhadores que não quis se identificar, eles estavam ali há duas semanas refazendo as calçadas, o jardim que lájea a rua e cemitério, só para acolher o 12° Intereclesial. As obras estão inacabadas, o que se vê são pedras por todos os lados.

Jaime C. Patias | Caminhando até a construção da usina hidrelétrica de Santo Antonio

Jaime C. Patias | Caminhando até a construção da usina hidrelétrica de Santo Antonio

Mas o caminho não era só de pedras, havia também cansaço e calor. O céu estava azul e ao horizonte podia-se observar o Rio Madeira já rodeado de máquinas, homens e mulheres num grande canteiro de obras. Ouve-se um estrondo e uma nuvem de poeira subiu ao céu: era mais uma explosão para remover as rochas na construção da usina que não para.

Sob a brisa do rio e o pôr-do-sol no Madeira, aconteceu o momento da “Reconciliação: entre Deus, a humanidade e o cosmo”, o rito da água e a Proclamação das Bem Aventuranças. Um momento histórico na vida dos representantes das mais de 272 dioceses espalhadas por todo o Brasil, momento de testemunhar in loco o descaso do homem para com a natureza. “Eu fico triste com a ação dos nossos políticos, eles são os grandes responsáveis por estas decisões”, afirmou José Maciel, delegado da diocese de São José dos Campos, do Regional Sul 1, ao se referir à construção da usina hidrelétrica de Santo Antonio,.  ”A gente percebe que além da devastação, esta obra vai empobrecer a comunidade local”, arrematou.

Para a cearense Maria Aparecida de Alcântara, que veio de Capuí, o dia foi marcante. “Nós de todo o Brasil temos gritos semelhantes, podemos fazer um paralelo e refletir sobre as lutas aqui na Amazônia, a gente fala do pulmão da Amazônia e sabemos que a nossa parcela de culpa é grande. Com essa caminhada dos mártires nós fazemos o fechamento do dia lindo, a natureza favorece e faz deste momento, um momento muito especial”, disse.

A chuva apareceu durante a Proclamação da Palavra, mas não abalou os peregrinos que se mantiveram firmes até o final da celebração penitencial.

Povos indígenas são protagonistas no 12° Intereclesial das CEBs

A Praça Madeira Mamoré, em Porto Velho, foi o palco da abertura do 12° Intereclesial de CEBS, ontem (21/07).

Jaime C. Patias | Delegados na Praça Madeira Mamoré

Jaime C. Patias | Delegados na Praça Madeira Mamoré

Participam do Intereclesial representantes das comunidades eclesiais de base, engajados em movimentos sociais, em defesa da vida e da ecologia. Os Povos Indígenas também marcam presença no Intereclesial. “Acreditamos que unidos às CEBs estaremos mais fortalecidos. Viemos mostrar que nós existimos e resistimos, que nós somos a Amazônia, que nós somos o Brasil”, afirmou Maria Eva, do povo Kanoé, uma das lideranças indígenas de Guajaramirim, que fica há cerca de 300kilometros de Rondônia, na fronteira com a Bolívia.

Além do povo Kanoé, outros 37 povos articulados pelo CIMI – Conselho Indianista Missionário, se reuniram no dia 20/07, na Escola Municipal São Miguel, em Porto Velho, para divulgar a Campanha Povos Indígenas na Amazônia – Presente e Futuro da Humanidade. A Campanha foi lançada em Belém do Pará durante o Fórum Social Mundial e agora está em fase de divulgação, com um direcionamento mais político, enfrentando temas como o Estatuto dos povos Indígenas, mudanças em relação à estrutura pública e de saúde indígena.

Jorge Custódio| Eva Canoé

Jorge Custódio| Eva Canoé

Segundo seus organizadores, o objetivo da Campanha é sensibilizar a sociedade sobre a realidade sócio-ambiental e a experiência histórica dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Denunciar as ameaças à vida dos povos da Amazônia, fortalecer e garantir os direitos territoriais e exigir a proteção da vida dos povos indígenas às autoridades competentes. Para Aroldo Pinto do Espírito Santos, uma das lideranças em Porto Velho, que defende os povos indígenas, o Intereclesial é um importante evento. “Precisamos mostrar a resistência diante destes grandes projetos, como o PAC, que estão aterrorizando, destruindo e desmatando. As principais vítimas são os povos indígenas. Esse é um espaço para mostrar seu grito e clamar por justiça”. Segundo Masson Norman Reis, do CIMI,  já estão reunidos em Porto Velho os povos Anara, Cujubim, Tupari, Makurape, Nambikuara, Karitiana, Oro Warian Xijein, Xerente, Rikbaktsa, Kanoé, Munduruku, Oro Mon, Arap’um, Guarani, Pataxó, Jaboti (Djorometdi), Arikapu, Kulina, Oro Waje, Bororo, Cassupá, Kaxinawa, Wapixana, Terena eTupinambá, das regiões do Mato Grosso, Pará, Tocantins, Acre, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima e Rondônia.

A Cerimôniade abertura foi também marcada pelos presença e pelo clamor dos povos indígenas, que se juntaram ao grito dos povos ribeirinhos, dos seringueiros, quilombolas e migrantes de todo o Brasil, que lutam por vida, justiça e respeito por suas escolhas, opções de vida e autonomia.

As CEBs tem papel fundamental nesta luta, respeita a diversidade cultural e religiosa destes povos da Amazônia e se une para conquistar os direitos já garantidos pela Constituição Federal e mais do que isso, pelo Criador.

** Estou em Porto Velho- RO como delegada da Região Episcopal Brasilândia, da Arquidiocese de São Paulo, Regional Sul 1 e como correspondente da Revista Missões.

A Amazônia acolhe as CEBs do Brasil

DSC00057Porto Velho – RO  está de cara nova, isto porque desde a última sexta-feira, centenas de pessoas de todo o Brasil, chegam à cidade para participar do 12° Intereclesial de CEBs, que acontecerá de 21 a 25 de julho próximo e trabalhará com o tema: Ecologia e Missão, Do Ventre da Terra, o Grito que Vem da Amazônia. Os participantes deste evento, são representantes/delegados de mais de 100 mil comunidades, cerca de 272 dioceses brasileiras. Chegam à cidade aquecendo os aeroportos, rios e estradas, a economia e a vida dos cerca de 1200 voluntários que estão envolvidos na infra-estrutura e logística do evento, bem como a vida das mais de três mil famílias que estão acolhendo gratuitamente todos os participantes, que somam cerca de também três mil pessoas.

DSC00069Dentre eles estão 94 representantes dos povos indígenas, 61 estrangeiros, 53 bispos, 35 convidados, 97 assessores e 32 jornalistas. Antonio da Conceição Lopes, 39 anos é um dos 170 delegados de Manaus – AM. Desembarcou hoje no Aeroporto Internacional de Porto Velho Governador Jorge Teixeira de Oliveira, por volta das 13h e falou sobre sua expectativa quanto ao 12° Intereclesial. “Espero aprender muito aqui, discutir sobre questões ecológicas, repensar a Amazônia e levar um pouco para a minha comunidade e para a minha diocese”. Assim como Antonio, as outras dioceses se organizaram para participar deste grande momento das CEBs no Brasil, são cerca de 60 ônibus que vem dos diversos rincões, aviões e barcos que trazem homens e mulheres que gritam junto com a Amazônia.

Esta é a 12° edição, que de quatro em quatro anos, reúne os representantes das comunidades eclesiais de todo o Brasil, para refletir a postura do cristão diante da duras realidades cotidianas e específicas de cada local e ainda suscita a espiritualidade, a corresponsabilidade de cada um em defesa da vida, da ecologia, por meio de ações práticas. “Possa o 12° Intereclesial de Porto Velho ser um ponto de convergência para o exercício de uma cidadania solidária e corresponsável, em prol de uma nova ordem, uma nova civilização e uma nova Amazônia”, afirmou dom Moacyr Grenchi, arcebispo de Porto Velho.

A cerimônia de abertura acontecerá amanhã, 21/07, na Praça Madeira Mamoré, às 19h. Estarão presentes os três mil delegados, assim como as equipes de voluntários. No total, segundo a secretaria do evento, espera-se cerca de sete mil pessoas na abertura.

Cânios, Araucárias, comida boa e sorrisos, esta é Cambará do Sul

Cânion Fortaleza

Cânion Fortaleza

Cambará do Sul está localizada na região nordeste do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira de Santa Catarina. Possui, segundo dados do IBGE (censo de 2000), 6840 habitantes. Até 1963, data da fundação da cidade, pertencia ao Munípio de São Francisco de Paula.

Cambará foi cenário de muitas novelas e minisséries que contam a história do povo gaúcho, como Memorial de Maria Moura e a Casa das Setes Mulheres. Este cenário é um espetáculo e se completa com a hospitalidade com que os turistas são recebidos.

A serração é um espetáculo à parte, você perde seu olhar, apenas sente o ar úmido da cidade, que parece limpar o pulmão de paulistas como eu. A respiração se completa e o corpo agradece o ar puro.

Os Cânions são os grandes atrativos da cidade, o Cânion Fortaleza, este gigante é um templo de paz, contato com a natureza e com o divino. Impossível descrever a sensação. A dica para quem for à Cambará e quiser conhecer as maravilhas do Parque Nacional da Serra Geral precisa estar atento á metereologia. Se chover, desista do passeio, a estrada que leva até ao parque é de terra, com pedras e buracos (aproximadamente 28 kilometros). Mas nada disso tira o charme deste passeio por entre as Araucárias.

comida

Galpão Costaneira

Diante do Cânion e das cachoerinhas, da Pedra do Segredo, do sol e do frio, Cambará se apresenta como um dos santuários naturais do Brasil, pena, contudo, que poucos a conheçam. Hora de investimento e incentivo ao turismo ecológico. Em Cambará há inúmeras pousadas, aconchegantes e com um café-da-manhã que dá energia para a aventura do dia e para a hora do almoço, nada melhor do que uma comidinha típica e uma boa compania resgatando as histórias deste lugar tão especial.

Fiquei na Pousada Pôr do Sol e saboreei as delícias do Galpão Costaneira, que fica pertinho da Pousada. Vale a pena conferir o buffet e o espaço bem típico dos gaúchos tchê.

Na hora de descer a serra, cuidado com a serração na estrada, vale a pena optar pela estrada que corta Gramado e Canela, uma parada para um  chocolate quente, um café colonial, que é simplesmente uma torre de babel gastronômica, com uma variedade incrível de doces, salgados e vinhos.

Prêmio Parlamentares Inimigos da Amazônia 2009

Na semana passada, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), várias entidades que defendem o meio-ambiente e são contra a devastação da Amazônia, premiaram os parlamentares que se destacam na luta pela Região Amazônica e consequentemente da vida na Terra.

Confira a lista dos “amigos da Amazônia”

Categoria espécies nativas: Senadora Marina Silva (PT/AC), Senador José Nery (PSOL/PA), Deputado Sarney Filho (PV/MA).

Categoria espécies exóticas: Senador Aloísio Mercadante (PT/SP), Senador Cristovam Buarque (PDT/DF), Senador Renato Casagrande (PSB/ES), Deputado Paulo Teixeira (PT/SP).

Agora, a Amazônia luta também contra alguns parlamentares. Confira a lista dos inimigos da Amazônia:  

Categoria espécie nativas: Senadora Katia Abreu (DEM/TO), Senador Romero Jucá (PMDB/RR), Senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), Deputado Asdrúbal Bentes (PMDB/PA), Deputado Homero Pereira (PR/MT)

Categoria espécie exótica:Deputado José Nobre Guimarães (PT/CE), Deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP), Deputado Valdir Colatto (PMDB/SC),

Todos eles, alguns lideranças da bancada ruralista, aprovaram a Medida Provisória (MP) 458, que autoriza a grilagem e a ocupação de terras irregulares na Amazônia. Muitos combatem o Código Florestal e são contra a demarcação de terras indígenas e de unidades de conservação. 

Fonte:  Radioagência NP

Aldeia Takuara, dos índios Guarani realiza Assembleia

“A gente não agüenta mais. Já perdemos a paciência. Estão fazendo o massacre de nossa gente, já mataram três lideranças nossas. Não vamos continuar morrendo aqui na beira da estrada. A terra nos pertence. Chega de esperar, vamos avançar…”

Nossa paciência acabou!

Foto: Verena Glass

Foto: Verena Glass

 

Essa tem sido uma das afirmações repetidas por várias lideranças, no decorrer da Aty Guasu. Ao mesmo tempo o cacique Elpideo expressava o sentimento de seu povo dizendo “Nós Guarani somos um povo calmo, de muita paciência. Mas quando a paciência acaba ninguém segura o Guarani”. Com isso estava dando um recado claro para as autoridades, os representantes do governo federal e Assembleia Legislativa ali presentes. No mesmo tom lideranças de Kurusu Ambá repetiram “A gente não agüenta mais. Já perdemos a paciência. Estão fazendo o massacre de nossa gente, já mataram três lideranças nossas. Não vamos continuar morrendo aqui na beira da estrada. A terra nos pertence. Chega de esperar, vamos avançar…” E em tom severo alertaram as autoridades presentes para a responsabilidade que lhes cabe, sobre qualquer violência de que venha a ser vítima a sua comunidade.

No documento final da Grande Assembleia Kaiowá Guarani reafirmam sua cobrança de ação imediata e decisiva para coibir a continuidade da violência e impunidade “Temos sofrido todo tipo de intimidação e ameaças por fazendeiros e pistoleiros que não querem ver nossos direitos respeitados. E ainda assim nos negam o mínimo daquilo que nos foi tirado! Não vemos o Governo Federal fazer nada para solucionar nossa situação RAPIDAMENTE. O pior é assistir a impunidade, a falta de justiça, contra aqueles que há décadas provocam através de vários meios, um verdadeiro genocídio do nosso povo. Não vemos esses assassinos serem julgados e condenados, o que vemos é a criminalização e a prisão injusta de nossas lideranças que lutam e reivindicam nossos direitos. Estamos cansados de esperar uma solução definitiva do Governo Federal para que os procedimentos de identificação previstos no TAC firmado entre a FUNAI e o Ministério Público Federal, em 2007, sejam de uma vez por todas concretizados.

É a monocultura desenfreada da soja, da cana e do gado, que financiados por dinheiro público, tomam o espaço da agricultura familiar indígena e camponesa, levando milhares de indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais sem-terra ao desespero, por não terem nenhuma perspectiva de vida digna para produzirem seus alimentos e garantirem a sobrevivência das futuras gerações. Além, disso destruindo o pouco que restou dos recursos naturais de nossa região.

Repudiamos a postura do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul que ao invés de buscar uma solução para a demarcação de nossas terras, conforme a orientação feita pelo Ministério Público Federal, vem empreendendo todos os esforços para que sejam cancelados os trabalhos de identificação de nossos tekohá, pregando mentiras que somente aumentam o racismo e a intolerância contra o nosso povo. Os nossos direitos estão garantidos e nunca nosso povo abandonará a luta pela demarcação de nossos tekohá! O Governo Estadual deve entender que tentar barrar aquilo que jamais desistiremos, somente criará mais conflitos! O povo indígena de Mato Grosso do Sul quer a paz e nunca a violência! Demarcar as terras de nosso povo não afetará a economia do estado e o que queremos é muito pouco perto de todo mal que estamos sofrendo e de tudo o que nos tiraram! Soluções existem para a demarcação, o que falta é a vontade política e o respeito às nossas reivindicações e direitos!” (Documento Final da Aty Guasu aldeia Takuara)

O documento final traz as principais reivindicações dos Kaiowá Guarani hoje, destacando a imediata conclusão da identificação das terras, julgamento e punição dos assassinos das lideranças. Concluem solicitando providências nas áreas de saúde, educação e produção, especialmente de alimentos. Viva Ñande Ru, Ñande Sy, Viva nossos Guerreiros e Guerreiras, Viva a luta indígena, Viva o Movimento Kaiowá Guarani.

DEMARCAÇÃO JÁ! ATY GUASU  Terra Indígena Takuara, Juti – MS. No segundo dia da Assembleia foi feita uma caminhada ao local em que Marcos Veron foi assassinado (uma das lideranças históricas da luta do povo Guarani), terminando no local em que está sepultado. Ao som dos mbarakas o cântico de indignação e esperança.

O cerco da cana
O deputado Pedro Kemp manifestou seu sentimento ao atravessar os enormes canaviais e de repente chegar nos barracos da aldeia Takuara “Fiquei profundamente deprimido, diante daquele cenário de terra arrasada, inundada de cana…”

Ladio, um dos filhos de Marcos Veron, foi dizendo com tristeza “estamos rodeados de cana. Aqui perto está sendo construída uma usina. Hoje aqui não tem mais mata, peixe, caça. Só tem bois e plantações de cana e soja. Não temos mais carne de anta, tatu ou queixada.”

Enquanto acontecia a Aty Guasu, ali próximo era possível ver a movimentação de grandes máquinas, fogo, ônibus levando e trazendo gente que cortava e plantava cana.

Até quando ?
Além do documento da Assembleia, os participantes fizeram dois documentos de solidariedade e apoio irrestrito às lutas de Kurusu Ambá e Laranjeira Nhanderu.

Fonte: Egon Heck / Cimi MS

Em 2008, 70% dos índios assassinados eram Guarani Kaiowá

 

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