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Criada associação para jornalistas com e sem diploma

Antonio Vieira, presidente da ABJ e Aline Brazão Vice-presidente

Antonio Vieira, presidente da ABJ e Aline Brazão Vice-presidente

Segundo os sites Comunique-se  e Farol Comunitário, o Movimento em Defesa dos Jornalistas Sem Diploma fundou no último dia 26, em Brasília, a Associação Brasileira dos Jornalistas (ABJ), que pretende filiar jornalistas diplomados ou sem formação superior na área.

A Associação é presidida por Antonio Vieira, formado em administração de empresas, com especialização em matemática financeira, mas que trabalha como jornalista há 20 anos. “Já tínhamos articulações pelo fim do diploma e com a decisão do STF decidimos institucionalizar a criação da ABJ, que será aberta a formados e não formados em jornalismo, porque sempre fomos discriminados pela Fenaj”, explica Vieira.

Com 43 membros eleitos em Assembleia, a associação terá representatividade em todo o território nacional, conta com sócios beneméritos e 300 associados, entre diplomados e não diplomados.

Os interessados em informações sobre a nova associação devem enviar um e-mail para abj.net@gmail.com.

STF suspende exigência do diploma para jornalistas

Por oito votos a um, o STF – Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência da graduação em jornalismo para o exercício da profissão, em votação do Recurso Extraordinário 511961, na última quarta-feira (17/06). 

Os ministros Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram contra a exigência, enquanto Marco Aurélio Mello votou a favor da obrigatoriedade do diploma.

O Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e o Ministério Público Federal (MPF), se colocaram contra a obrigatoriedade do diploma, e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), com o apoio da Advocacia Geral da União, sustentava a exigência.

Gilmar Mendes, relator do recurso, defendeu a autorregulação da imprensa. “São os próprios meios de comunicação que devem definir os seus controles”, afirmou.

Mesmo sem a exigência de diploma, os cursos de jornalismo devem continuar existindo, argumentou Mendes. “É inegável que a frequência a um curso superior pode dar uma formação sólida para o exercício cotidiano do jornalismo. Isso afasta a hipótese de que os cursos de jornalismo serão desnecessários”, avaliou.

O que você pensa sobre isso? Eu, como estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, uma tradicional e renomada faculdade de ensino, posso afirmar que a passagem pela academia é precípuo básico para quem quer ter uma bagagem cultural, histórica e humana para fomentar suas matérias, reportagens e poder de fato, contribuir com o crescimento da democracia participativa e a fiscalização dos poderes no Estado.

Como fica a regulamentação do trabalho jornalístico? Vamos ver o reflexo e repercussões desta decisão, a meu ver precipitada…

Para a Federação Nacional dos Jornalistas, a decisão é um retrocesso institucional e acentua um vergonhoso atrelamento das recentes posições do STF aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, ao baronato que controla os meios de comunicação do país. A sanha desregulamentadora que tem pontuado as manifestações dos ministros da mais alta corte do país consolida o cenário dos sonhos das empresas de mídia e ameaça as bases da própria democracia brasileira. Ao contrário do que querem fazer crer, a desregulamentação total das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade.

 A desregulamentação da profissão de jornalista é, na verdade, uma ameaça a esses princípios e, inequivocamente, uma ameaça a outras profissões regulamentadas que poderão passar pelo mesmo ataque, agora perpetrado contra os jornalistas.

O voto do STF humilha a memória de gerações de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revoga uma conquista social de mais de 40 anos. Em sua lamentável manifestação, Gilmar Mendes defende transferir exclusivamente aos patrões a condição de definir critérios de acesso à profissão. Desrespeitosamente, joga por terra a tradição ocidental que consolidou a formação de profissionais que prestam relevantes serviços sociais por meio de um curso superior.

O presidente-relator e os demais magistrados, de modo geral, demonstraram não ter conhecimento suficiente para tomar decisão de tamanha repercussão social. Sem saber o que é o jornalismo, mais uma vez – como fizeram no julgamento da Lei de Imprensa – confundiram liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), como entidade de representação máxima dos jornalistas brasileiros, esclarece que a decisão do STF eliminou a exigência do diploma para o acesso à profissão, mas que permanecem inalterados os demais dispositivos da regulamentação da profissão. Dessa forma, o registro profissional continua sendo condição de acesso à profissão e o Ministério do Trabalho e Emprego deve seguir registrando os jornalistas, diplomados ou não.

Igualmente, a FENAJ esclarece que a profissão de jornalista está consolidada não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. No caso brasileiro, a categoria mantém suas conquistas históricas, como os pisos salariais, a jornada diferenciada de cinco horas e a criação dos cursos superiores de jornalismo. Em que pese o duro golpe na educação superior, os cursos de jornalismo vão seguir capacitando os futuros profissionais e, certamente, continuarão a ser a porta de entrada na profissão para a grande maioria dos jovens brasileiros que sonham em se tornar jornalistas.

A FENAJ assume o compromisso público de seguir lutando em defesa da regulamentação da profissão e da qualificação do jornalismo. Assegura a todos os jornalistas em atuação no Brasil que tomará todas as medidas possíveis para rechaçar os ataques e iniciativas de desqualificar a profissão, impor a precarização das relações de trabalho e ampliar o arrocho salarial existente.

Neste momento crítico, a FENAJ conclama toda a categoria a mobilizar-se em torno dos Sindicatos. Somente a nossa organização coletiva, dentro das entidades sindicais, pode fazer frente a ofensiva do patronato e seus aliados contra o jornalismo e os jornalistas. Também conclama os demais segmentos profissionais e toda a sociedade, em especial os estudantes de jornalismo, que intensifiquem o apoio e a participação na luta pela valorização da profissão de jornalista.

Somos 80 mil jornalistas brasileiros. Milhares de profissionais que, somente através da formação, da regulamentação, da valorização do seu trabalho, conseguirão garantir dignidade para sua profissão e qualidade, interesse público, responsabilidade e ética para o jornalismo.

Para o bem do jornalismo e da democracia, vamos reagir a mais este golpe!

Brasília, 18 de junho de 2009.

Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

 

 

Folha de S. Paulo admite: uso da expressão ditabranda foi um erro

“Vim aqui em nome de meus filhos e netos, que precisam saber a verdade. Ditadura é ditadura. Ditabranda é a porra”, leitor da folha Adílson Sérgio.
O diretor de redação do jornal Folha de São Paulo, Otavio Frias Filho, afirmou que o uso da expressão “ditabranda”, no editorial do dia 17 de fevereiro, foi um erro. A Folha de São Paulo havia usado a expressão para caracterizar o regime militar brasileiro, vigente de 1964 a 1985. Mas, após uma manifestação feita no último sábado (7), em frente à sede do jornal, Frias admitiu o erro e afirmou que “todas as ditaduras são igualmente abomináveis”.

A Manifestação, 07 de marçosite da Adital

de André Cintra.

Cerca de 500 pessoas denunciaram os laços íntimos entre a família Frias, proprietária do jornal, e a ditadura militar (1964-1985). Fizeram mais: renderam homenagens às vítimas dos “anos de chumbo” e rechaçaram o termo “ditabranda”, evocado pela Folha para relativizar o regime totalitário. Eram ex-presos políticos e familiares de vítimas da ditadura, lideranças partidárias, ativistas dos mais diversos movimentos da sociedade civil e de organizações não-governamentais.

“Vim aqui em nome de meus filhos e netos, que precisam saber a verdade. Ditadura é ditadura. Ditabranda é a porra”, disparou, indignado Adilson Sérgio.

Antes do ato, a Rua Barão de Limeira já estava tomada por faixas e cartazes que antecipavam o tom do protesto. “Folha, ditabranda nunca existiu. Ditadura nunca mais”, dizia uma das faixas. “De rabo preso com o feitor”, ironizava um cartaz. “‘Ditabranda’? No dos outros é refresco”, enunciava uma mensagem mais audaciosa.

“Com esse ato, queremos estimular a sociedade a sair da afasia, da letargia”, explicou o presidente do MSM, Eduardo Guimarães, antes de ler para o público o manifesto “Pela Justiça e pela Paz no Brasil”. Segundo Eduardo, “depois de 20 anos de ditadura, as pessoas no Brasil têm medo de se manifestar. Mas não podemos ficar quietos”.

fonte: adital.org.br, RádioagêncianciaNP

Violência e censura aos jornalistas, pauta frequente pelo mundo…

Jornalistas são feitos reféns por traficantes em Paraisópolis, favela de São Paulo

Segundo o FolhaOnline, um repórter e uma fotógrafa free-lance que faziam reportagem em Paraisópolis, para uma revista de circulação nacional, foram mantidos reféns na noite do dia 24 por homens armados. O equipamento da fotógrafa foi roubado pelos homens que os mantiveram reféns por cerca de 40 minutos.

“Os jornalistas entraram na favela às 10h e passaram o dia circulando a pé. Ao anoitecer, apesar de o governo de São Paulo ter determinado no início deste mês uma ocupação por parte da Polícia Militar no local, os profissionais foram capturados”, diz a Folha. A identidade dos jornalistas não foi divulgada.

A libertação deles ocorreu quando os criminosos os colocaram em um carro e os levaram para um posto de gasolina, na avenida Giovanni Gronchi. Eles não sofreram violência física.

 

Violência com jornalistas

Divulgação

A ONG Sem Fronteiras  foi fundada em 1985 e tem por objetivo defender a liberdade de imprensa pelo mundo,  defendendo os jornalistas e colaboradores dos meios de comunicação que estão presos ou perseguidos por suas atividades profissionais, denunciando os maltratos e a tortura em que sofrem em muitos países.

 

A ONG luta para que acabe a censura e combate toda e qualquer forma de restrição à liberdade de imprensa. Trabalha pela melhoria da segurança dos jornalistas, especialmente em áreas de conflito.

 

Números da violência em 2008 

  • 60 jornalistas assassinados
  • 1 colaborador de meios de comunicação assassinado
  • 673 jornalistas detidos
  • 929 agredidos e maltratados
  • 353 meios de comunicação censurados 
  • 29 jornalistas seqüestrados

 Com relação à internet

  • 1 blogger assassinado
  • 59 bloggers detidos
  • 45 agredidos
  • 1740 sites de informação fechados ou suspensos

 

 fonte: Knight Center for Journalism

Curso de jornalismo passará por revisão curricular

Ontem, dia 19 de fevreiro, foi instalada uma comissão de especialistas no MEC – Ministério da Educação, para rever as diretrizes curriculares do curso de jornalismo. No primeiro encontro, foi definido o cronograma dos trabalhos que contará com consulta disponível na internet e a realização de três audiências públicas para contribuições dos diversos segmentos da sociedade civil, das universidades e de representantes do mercado de trabalho, vaverá um espaço no site do MEC para o envio de sugestões. O prazo para envio é 30 de março.

As audiências públicas devem ocorrer nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo, nos dias 20 de março, 24 de abril e 18 de maio, respectivamente. A intenção, de acordo com o presidente da comissão, professor José Marques de Melo, é garantir que, além dos membros da comissão, demais setores da sociedade também possam opinar sobre o perfil e as competências desejáveis do profissional de jornalismo.

“Cada audiência será focada em um público específico. Para a primeira, serão convidados professores e intelectuais da área; na segunda, representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais que estejam no mercado de trabalho; e para a terceira, segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais”, afirma o professor.

As diretrizes curriculares orientam as instituições de ensino superior no processo de formulação do projeto pedagógico de um curso de graduação e, no caso do jornalismo, foram estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2001.

Comissão - Presidida pelo professor José Marques de Melo, a comissão conta com  Alfredo Eurico Vizeu Pereira Junior (Universidade Federal de Pernambuco), Eduardo Barreto Vianna Meditsch (Universidade Federal de Santa Catarina), Lucia Maria Araújo (Canal Futura), Luiz Gonzaga Motta (Universidade de Brasília), Manuel Carlos da Conceição Chaparro (Universidade de São Paulo), Sergio Augusto Soares Mattos (Universidade Federal do Recôncavo Baiano), Sonia Virgínia Moreira (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Presidente da Comissão – O professor José Marques de Melo, presidente da comissão, é graduado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e em ciências jurídicas e sociais pela Universidade Federal de Pernambuco. Possui doutorado e livre-docência em ciências da comunicação – jornalismo pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor titular da Universidade Metodista de São Paulo, onde é diretor da cátedra Unesco de comunicação. Publicou vários livros, coletâneas, assim como periódicos científicos do país e do exterior.

fonte: Universidade Metodista, Ministperio da Educação

“Diploma de jornalista”…matéria de Lúcio Flávio Pinto

Diploma de jornalista: estigma da condenação Letra

Quem é contra a exigência do diploma do curso superior de comunicação social para o exercício do jornalismo faz o jogo dos patrões. Esta é a sentença da Federação Nacional dos Jornalistas, anunciada pelo seu presidente, Sérgio Murillo de Andrade, durante o 6º congresso dos jornalistas paraenses, em Belém, no mês passado. Ele foi inclemente e implacável, sem qualquer possibilidade de atenuação ou exceção na condenação. Como eu estava na mesma mesa, a mais lotada de todas durante o evento (em todas as demais houve um único expositor e poucos debatedores) e sou contra essa regra, protestei.

Fui presidente do sindicato dos jornalistas do Pará exatamente há 30 anos, em 1978. Nossa equipe assumiu suas funções com dois compromissos de campanha, que nos deram a vitória por larga margem de votos. Um deles era elevar o padrão de salário e de condições de trabalho, que eram ruins. Conseguimos, graças à proposta de dissídio coletivo que apresentamos, o primeiro da história do sindicato. Os juízes do Tribunal Regional do Trabalho foram surpreendidos (e os donos das empresas jornalísticas também) com o estudo que fundamentou nossas reivindicações, exercício em causa própria do jornalismo que fazíamos pela causa coletiva.

Demonstrávamos, com base na análise dos balanços das empresas, que elas podiam dar um reajuste muito acima do que estavam querendo e muito além do índice da inflação. Não só para compensar as perdas anteriores como também porque tinham disponibilidades financeiras para tanto, ao contrário do que alegavam. Ganhamos: um aumento excepcional, salário profissional, delegado sindical e outras conquistas inéditas. Elas foram canceladas depois em Brasília pelo TST, sob forte pressão corporativa dos patrões, mas as empresas acabaram cedendo conquistas trabalhistas expressivas, como jamais voltaria a se repetir. Outro compromisso era com a representatividade da categoria. Excluímos todos aqueles associados que nunca tiveram ou que deixaram de ter relação de trabalho em empresas jornalísticas ou afins. Durante certo tempo muitos se proclamaram jornalistas para usufruir odiosas vantagens concedidas pelo governo à categoria (justamente para seduzi-la): isenção do imposto de renda, desconto de 50% nas passagens aéreas e financiamento integral da casa própria. O resultado é que o sindicato estava artificialmente inchado: muitos associados e poucos jornalistas.

Como conseguir aprovar a instauração de dissídio coletivo para mudar as desfavoráveis condições de trabalho dos jornalistas com uma quantidade enorme de associados ligados aos donos das empresas ou sensíveis à sua conclamação? Eles não dariam o quorum necessário para a deliberação. O que fizemos então? Cumprimos a lei: promovemos um recadastramento, abrindo largo prazo para os interessados. Os associados que quisessem continuar sindicalizados deviam comparecer pessoalmente à secretaria do sindicato e demonstrar que ainda exerciam a profissão. Logo começou uma campanha contra nós, através da coluna Repórter 70, de O Liberal. Nela fomos acusados de cassar velhos jornalistas, cometendo uma iniqüidade, como os militares vitoriosos fizeram a partir de 1964. Todos, porém, tiveram amplo direito de defesa. Seus direitos seriam preservados se os comprovassem. Como? Levando suas carteiras profissionais atualizadas. Dissemos isso em resposta aos venenos destilados pela coluna, que se recusou a publicar nossa carta de esclarecimentos. Prática contumaz na casa até hoje.

Com jornalistas que trabalhavam nas redações, o sindicato conseguiu aprovar o dissídio, mas não foi apenas para isso que combatemos os quintas-colunas. Admitidos como colaboradores ou recebendo carteirinhas graciosas, eles faziam o jogo dos patrões. Podiam aparecer nas redações para cumprir tarefas dos profissionais se estes cometessem o despautério de fazer greve, esvaziando assim o movimento. Também emprestavam seus nomes para matérias encomendadas pela direção. Formavam um exército de reserva de mão-de-obra. Por isso mesmo, uma de nossas campanhas era para restringir ao máximo a figura do colaborador, que só devia ter participação eventual e em função de um notório saber em alguma matéria ou especialidade. Nunca reivindicamos – e sequer passou pela nossa cabeça a idéia – atribuir ao diploma do curso de comunicação social exclusividade na admissão à profissão de jornalista. Estávamos plenamente conscientes de que uma das grandes deficiências desse profissional era não se reciclar, ler pouco, não adotar métodos de análise e interpretação com base científica e ser um tanto refratário à admissão dos seus erros. Uma passada pela Universidade lhe seria valiosa, indispensável, em qualquer curso da área de humanidades.

O monopólio do curso superior de comunicação bloquearia uma importante vertente de formação de jornalistas, que chegam espontaneamente às redações ou têm idiossincrasia com o ensino convencional, movendo-se à base de vocação. Queríamos que as empresas fossem obrigadas a incentivar e promover a reciclagem dos seus profissionais. A inédita obrigatoriedade do curso de comunicação social, estabelecida pelo governo militar através de decreto-lei, em maio de 1969, é um produto coerente com o AI-5, de cinco meses antes. O autoritarismo que ceifou o que restava de liberdade no país impôs uma via única para a formação de jornalistas, circunscrita a um curso que apresentava um viés de exotismo em sua origem (basta lembrar a “comunicóloga da PUC”, personagem criada por Jô Soares na televisão). Não só para padronizar e manter sob controle a formação dos novos profissionais como para interromper o fluxo natural de talentos, que garantiu a alta qualidade do jornalismo na república de 1946. Mesmo que fosse para exigir nível superior de formação, evitando rebaixar o salário profissional, por que não incluir todos os cursos universitários? No debate no congresso dos jornalistas, Sérgio Murillo tentou refazer a história alegando que em 1962 houve um projeto nesse sentido, o que dissociaria a regulamentação da profissão do pior regime político da história brasileira, o da Junta Militar, que assumiu o poder quando o marechal Costa e Silva adoeceu. Intenção é uma coisa, realidade é outra. Foram rejeitadas todas as tentativas de inovar em relação à tradição da imprensa ocidental, que não inclui o critério adotado no Brasil, único a estabelecer a condição vigente.

Só a junta dos três ministros militares, que usurpou a presidência da república, consumou a violência, não por acaso perpetrada através da anomalia do decreto-lei. Também não por coincidência, o jornalismo é das raras profissões regulamentadas dessa forma, em capítulo especial no âmbito da Consolidação das Leis do Trabalho. Quando nossas divergências começaram a esquentar o ambiente do debate, Sérgio Murillo saiu-se com mais uma estocada. Disse que eu estava ali, criticando o sindicato dos jornalistas do Pará, mas só estava ali porque esse mesmo sindicato me convidara para o encontro, deixando-me falar. Eu não tivera o mesmo tratamento por parte da ANJ. A Associação Nacional de Jornais – lembrou o presidente da Fenaj – se recusou a incluir a agressão que sofri, cometida por Ronaldo Maiorana, como um caso de violação à liberdade de imprensa, no site dedicado ao tema, em conjunto com a Unesco, órgão da ONU para educação e cultura. O que acontecera comigo fora simples rixa familiar, como as que marcaram a vida em Exu, no sertão nordestino, modelo desse tipo de refrega. De fato, essa posição, endossada pela OAB do Pará e mantida até hoje pela instituição, que conservou o agressor no comando da comissão dedicada à liberdade de imprensa, constitui um exemplo vil da parcialidade dessas organizações. Elas não conseguem superar seus antolhos corporativos e seus interesses comerciais.

Mas a ANJ é uma entidade patronal. Ela está disposta a violar suas declarações de intenções para fazer o jogo do seu associado, o grupo Liberal. Já o sindicato exerce representação dos trabalhadores em particular e da sociedade em geral, quando se trata de exercer a defesa da liberdade de expressão, sem a qual não existe jornalismo de verdade (nos gulags, só há o jornal oficial). No meu caso, houve uma combinação de aberrações. A entidade patronal atirou ao lixo a defesa de um princípio e a organização trabalhista foi incapaz de ir além de um corporativismo estreito, a fonte de intolerâncias, autoritarismos e tiranias, mesmo quando adotados a pretexto de servir à história. História, aliás, que esses campeões da causa deturpam e manipulam, alegando que todos os meios se legitimam pelo fim pretendido. O que, na maioria das vezes, acaba por resultar no fim da própria história.

Lúcio Flávio Pinto * Adital

ECA promove curso de jornalismo e políticas públicas sociais

O Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) realizará entre setembro  e dezembro um curso gratuito em Jornalismo e Políticas Públicas Sociais. Voltado para graduados e graduandos em Jornalismo e áreas de Ciências Humanas, os principais objetivos do curso são levantar a importância da comunicação para o fortalecimento das instituições de defesas de direitos da criança e do adolescente, além de consolidar entre profissionais atuais e futuros a relevância da inclusão saudável dos menores na sociedade.

O curso acontecerá entre  29 de  setembro  até  01 de dezembro e as aulas serão ministradas todas as segundas-feiras das 10h às 13h.

As inscrições serão realizadas  de 08 a 19  de setembro  de 2008, das 9h às 16h, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA. As vagas são limitadas e preenchidas por ordem de chegada. Maiores informações no telefone 3091-4058, com Paulo ou Tânia, ou no e-mail: pcbontempi@usp.br.

Jornalista já foi sem-teto

Jornalista que foi sem-teto escreve reportagens contando o que vivenciou
Rubens Marujo, 57, perdeu tudo o que tinha e viveu por três meses num abrigo de sem-teto em São Paulo. Após sua história ser contada num website de notícias sobre jornalismo, ele foi contratado para cobrir as eleições municipais de outubro para o jornal Diário do Comércio e começou a recuperar sua vida, escreve o colunista Eduardo Ribeiro, do Comunique-se. Marujo publicou uma série de reportagens contando a humilhação sofrida diariamente pelos mendigos e como os sem-teto de São Paulo são usados para golpes, incluindo lavagem de dinheiro, e como eles são usados por igrejas e movimentos políticos para obter mais visibilidade.

“Nasci em berço de ouro, tive instrução, boa educação e, acima de tudo, uma profissão. Mas estava ali disputando um lugar na fila com aquelas pessoas humildes, com pouca ou sem nenhuma instrução. Meu astral piorava diante da resignação e a força que aquelas pessoas demonstravam. Sentia-me humilhado. Minha mente parecia girar como um carrossel, com os seguintes dizeres: fracassado, inútil, não serve para nada. Sentia vergonha até de manchar o nome da profissão que sempre exerci”, escreveu Marujo.

Algumas matérias de Rubens Marujo:

Albergado é usado para lavar dinheiro

Quando a Praça da Sé torna-se o lar

fonte: Blog Jornalismo das Américas

 

 

O jornalista precisa mudar!

No Brasil é assim. Alguns logotipos de imprensa só causam exasperação. É o caso dos da Rede Globo e o da RBS. Para a maioria dos militantes da luta popular eles são símbolos da mentira, da opressão e da manipulação. E essa não é uma reputação conseguida ao acaso. O fato é que a nave mãe (Globo) conseguiu impor um jeito de fazer jornalismo que impregna praticamente todas as redes, principalmente as suas filiadas, como é o caso da RBS. Teoricamente poderíamos enquadrá-lo no campo do jornalismo funcionalista, ou seja, aquele que apenas responde as seis perguntas – onde, quem, como, quando, o quê e por que – sem maiores preocupações com a análise ou o contexto da notícia. Mas, para além da prática do chamado jornalismo liberal (o que pretensamente mostra os dois lados), há toda uma tradição de ocultamento e meias verdades que forjam a usina ideológica da elite e da classe média brasileira. A televisão, com a Globo à frente, é uma fábrica de mentiras, na qual os pobre só aparecem como bandidos e os lutadores sociais como baderneiros “terroristas”. Para os jornalistas que atuam nestas redes fica colocado, então, um grande desafio. Muitos deles – senão a maioria – estão bem integrados ao jeito de fazer jornalismo que consagra cada uma delas. Mas outros há que buscam fugir destas malhas de desinformação e precisam de um longo caminho até serem recebidos com confiança pelos movimentos sociais e pelos moradores das periferias. Não é sem razão que, em campos conflagrados, como é o caso do Rio de Janeiro atualmente, os jornalistas sejam alvos do ódio e da revolta popular. O que parece interessante é que a maioria das redes e dos periódicos, bem como os órgãos de classe dos jornalistas, não se faça perguntas sobre os por quês dos ataques e do ódio. Há notas de repúdio, há declarações e editoriais virulentos, mas nenhuma linha sobre o tipo de jornalismo que se anda fazendo por aí.

Sempre defendi que o jornalismo não se presta a adjetivos, tais como jornalismo policial, econômico, político, etc… O jornalismo é feito de um único pacote: análise do dia, investigação, contexto, impressão de repórter. Pode-se fazer isso nas mais diferentes áreas, mas é sempre o mesmo fazer contextualizado, partindo de uma situação singular e buscando narrar os fatos de maneira a levar ao leitor/espectador/ouvinte a universalidade do fenômeno, para que cada um possa fazer sua interpretação e chegar a suas próprias conclusões. Narrativas abertas, que respeitam a inteligência do receptor, mas que não se furtam a deixar bem claro o ponto de vista a partir do qual o repórter está narrando. Isso é jornalismo, feito de forma honesta e respeitosa.

Mas, o que se vê, cotidianamente nas televisões, o que se lê nos jornais, revistas e páginas da internet, ou o que se ouve no rádio, não merece ser chamado de jornalismo. Costumo chamar a isso de “gosma”, alguma coisa assim como aquela “coisa verde” de um velho filme de Boris Karloff, “A bolha assassina”. Ou seja, um negócio que vai tomando e engolindo tudo e todos, numa gosma informe e mal cheirosa. Com boa vontade poderíamos chamar a esse tipo de informação que campeia pelas redes informativas de “boa propaganda”, porque quase sempre se prestam a incensar pessoas, empresas, autoridades, fontes oficiais, geralmente os ricos e poderosos. Estes são os que têm voz e vez nas emissoras e só o seu ponto de vista é passado com respeito. Os demais, a ralé, a malta, os empobrecidos, estes estão fora, e quando falam são os coitados ou os marginais. Os exemplos são muitos.

A guerra dos madeireiros contra os índios na região Amazônica é legítima porque os empresários são gente trabalhadora que lutou muito para grilar terras. Já os camponeses do MST são terroristas porque querem terra pra plantar e soberania alimentar. Sempre há dois pesos e duas medidas para as lutas. Quem viu a cobertura da recente crise na Argentina envolvendo os ricos fazendeiros que deixaram o país desabastecido e trancaram estradas por três meses, sabe do que falo. Eram trancamentos legítimos, desobediência civil. Mas imaginem se o movimento de tranca-rua fosse levado a cabo por agricultores sem-terra, desalojados pela monocultura da soja? O que a mídia diria? Desobediência civil legítima ou terrorismo? É, assim é a nossa mídia de cada dia. E o que é pior, com os jornalistas cada vez mais enquadrados neste esquema infernal. Poucas vozes se escutam contra essa prática criminosa de encobrir, enganar. A ditadura midiática parece não ter muitos opositores.

Quando o jornalismo é usado para o crime

Por conta de toda essa prática não causa surpresa nenhuma que as entidades sindicais da categoria dos jornalistas se mantenham silenciosas diante dos fatos abomináveis que aconteceram na Colômbia envolvendo o jornalismo. Nenhuma nota nos jornais, nenhuma fala na CNN. Silêncio reverente. Afinal o que aconteceu foi lá longe, num longínquo país do norte da América do Sul. Mas, o que aconteceu na Colômbia é paradigmático e deve ser  debatido à exaustão.

E o que aconteceu? Pois o governo de Álvaro Uribe, durante o comentadíssimo resgate de Ingrid Betancourt, saudado e incensado como um golpe fatal nos “terroristas” das FARC, usou de dois subterfúgios que deveriam ter levantado a ira mundial. No helicóptero que baixou  em meio à selva estavam pintados dois logotipos respeitados por todas as gentes desta nossa América profunda: o da Cruz Vermelha e o da Telesur. A Cruz Vermelha, todos sabem, é um símbolo da ajuda humanitária em tempos de guerra. É quem leva esperança de cura para os que estão sob fogo cerrado. Tem lá suas idiossincrasias, mas, enfim, o símbolo desta entidade é reconhecido internacionalmente como uma entidade confiável. Já a Telesur, apesar de jovem, criada há pouco tempo pelo governo venezuelano, se firmou entre os movimentos sociais como uma emissora de televisão que garante o espaço para as vozes marginalizadas pelo sistema. É uma rede latino-americana que se propõe a mostrar a verdadeira cara desta parte do continente, colocada ao lado da comunidade das vítimas.

Pois o uso do logotipo da rede latino-americana não foi debatido por ninguém. Talvez porque pareça incrível aos jornalistas brasileiros uma emissora de televisão ser respeitada, amada e receber a confiança das gentes em luta. O que é normal por aqui é ver os carros das grandes redes sendo apedrejado e os profissionais sendo rechaçados pelos movimentos sociais, porque as gentes sabem que estas emissoras servem ao grande capital, aos poderosos, à elite cortesã das multinacionais e do jeito colonizado de viver.

O presidente Uribe não se constrangeu em confessar que usou os dois logotipos alegando que era necessário para que a operação desse certo. Ou seja, assumiu a ação criminosa e praticamente nenhum órgão de imprensa discutiu esta questão. É que o presidente da Colômbia se encaixa naquilo que Noam Chomsky chama de “vítimas amigas”. Isso significa que quando alguém amigos dos Estados Unidos ou do poder constituído comete algum crime, por ser amigo do “império”, sua ação criminosa fica obscurecida, não é alardeada. A notícia é dada, mas muito sutilmente. E assim foi.

Nem mesmo as entidades dos jornalistas, que se apressaram a gritar contra o governo venezuelano quando este usou do legítimo direito de encerrar a concessão de uma empresa que não cumpria a lei, divulgaram ou soltaram notas de repúdio.

Este pequeno texto procurar abrir a cortina espessa que atravessa o olho da categoria que deveria ser o arauto da verdade. Apesar da penúria das nossas redes de informação, apesar da falta de compromisso público, do descarado posicionamento em favor das elites e dos poderosos, da mentira e do acobertamento, ainda se pode pensar na possibilidade da prática de um jornalismo libertador. Um jornalismo de verdade, capaz de estar ao lado das vítimas do sistema opressor, que possa entregar às gentes em luta o espaço onde se expressar. Esse jornalismo existe e é respeitado. E tão respeitado que foi usado numa ação de guerra. Então por que os jornalistas brasileiros, suas entidades de classe, não falam sobre isso? Por que não informam, não contam a verdade, não denunciam?

Arrisco um palpite. Denunciar esta trama é reconhecer nosso próprio fracasso. Fracasso como jornalistas, incapazes de lutar contra o titã, submetidos a uma razão empresarial, praticando auto-censura, vilipendiando a prática do jornalismo, transformando nosso fazer em propaganda de um mundo falido. A Telesur não é o paraíso do jornalismo, é certo. Mas é uma proposta em construção. O que a torna única é justamente esse compromisso com o outro, a vítima, o sem lugar. É a explicitação de um jornalismo honesto, que se posiciona e deixa claro, ao telespectador, que se posiciona. Não é enganador como o que se pratica por aqui, que se diz imparcial, enquanto só expressa a visão de mudo dos que detém o poder.  Termino dizendo o que tenho levado a vida a dizer: o jornalismo é um lindo fazer, capaz da analise, da contextualização, da impressão. Ele não está em crise. Porque o jornalismo não é um ente com vida própria. O que está em crise, ou mal formado, é o jornalista. Estes homens e mulheres jornalistas são os que precisam mudar para que nós, no Brasil, possamos avançar para uma verdadeira soberania comunicacional.

Elaine Tavares - Jornalista no Instituto de Estudos Latino Americanos

http://www.iela.ufsc.br/

Esse jornalismo é show

O caso Isabela me cansou e penso quanta disposição pra ver o show que os meios de comunicação estão fazendo. São coberturas ao vivo, direto do helicóptero que sobrevoa o Condomínio onde tudo acoteceu, direto da casa dos “assassinos”, direto da delegacia …. só falta conseguirem uma exclusiva com a menina no céu.
O crime foi hediondo, merece a meu ver pena máxima, o que resulta em 30 anos, no máximo. Mas o que é esta espetacularização com a vida, o que crianças como a menina Isabela estão pensando, a que leva tudo isso?
Retorno àquele questionamento, que iniciamos no primeiro dia de aula na faculdade, para que serve o jornalismo, qual a sua função? É bom chegarmos a uma resposta rápido, antes que outra manchete tome conta de nossos ouvidos e olhares, retomando o show.


O TEMPO PASSA…

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