Reforma Agrária, já!

10° Romaria da Terra: clamor por justiça

 

“Trabalhadores, Trabalhadoras! Terra Livre, Água de Todos e Povo Soberano!, com este tema a CPT – Comissão Pastoral da Terra, durante coletiva de imprensa, realizada dia 8 de julho na sede da CNBB em SP, apresentou os objetivos da 10° Romaria da Terra de São Paulo, que acontecerá dia 3 de agosto, saindo da Região Brasilândia com destino à Comuna Ir. Alberta.

 

A CPT convida a todos os cristãos, a participar desta manifestação em defesa da vida, da terra e de uma Reforma Agrária para este país, que segundo o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária,  cerca de 3% do total de suas propriedades rurais, são latifúndios, possuem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis. A área ocupada pelos estados de São Paulo e Paraná juntos está nas mãos dos 300 maiores proprietários rurais, enquanto 4,8 milhões de famílias estão à espera de chão para plantar.

 

A Romaria é organizada por homens e mulheres, agentes de pastoral, Entidades Sociais, Movimentos Populares e Sindicatos que acreditam, que este contexto de exclusão no Brasil pode e deve mudar, através do cumprimento da Constituição Federal, que em seu artigo 5° estabelece: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito á vida, á liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

 

Fazer a Reforma Agrária é questão urgente, afirma Luiz Andriollo, padre comboniano, que durante a coletiva lembrou a artigo 29 promovido pelos Bispos em Assembléia, da necessidade de promover justiça entre todos os filhos de Deus. A distribuição de terras improdutivas, que não exercem sua função social é garantida pela constituição, reforça padre Luiz.

 

Segundo a Constituição, artigo 186°, quando a propriedade: tem aproveitamento rural e adequado com seus recursos naturais disponíveis, respeita o meio ambiente; observa as disposições que regulam as relações de trabalho e ainda, a exploração da terra favorece o bem-estar de proprietários e trabalhadores, ela está cumprindo sua função social; quando a terra não obedece estas disposições, compete à União desapropria-la para fins de reforma agrária.

 

É, portanto, baseado neste documento, que rege a sociedade brasileira, que a CPT, o MST e os demais movimentos, clamam por justiça e convocam a todos para a 10° da Romaria da Terra em São Paulo.

 

Ir. Alberta, durante a coletiva fala da origem das

Comunas da Terra em São Paulo

 

Durante a coletiva, Ir. Maria Alberta Divarti, presidente emérita da CPT – Comissão Pastoral da Terra, revela que as comunas surgiram através do trabalho na pastoral de rua, no centro de São Paulo; diante da realidade dos moradores de rua, irmã Alberta “com grande alegria”, convidava os moradores a irem ocupar os assentamentos. Com o auxílio do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais.

 

Ir. Alberta fazia um trabalho de conscientização de direitos e deveres de cada um, recuperando a identidade de cada morador de rua como cidadão, questionando a necessidade de cobrar seus direitos, de se localizar no espaço público e identificar quem pode defendê-lo: “ele via que a única esperança vinha da Igreja”, afirma Ir. Alberta.

 

Os moradores que vinha das ruas do centro de São Paulo e suas famílias formaram os acampamentos; hoje ao redor de São Paulo há cinco assentamentos: Dom Tomás Baduíno, D. Pedro Casaldáglia, Ir. Alberta, Che Guevara, em  Limeira e Comuna Urbana de Jandira.

 

Os acampamentos são chamados de Comunas da Terra; nelas cria-se um novo projeto de trabalho de conscientização e de futuro, no qual, cada morador obtém o título de sua terra e fica impedido de vende – lá.

 

O primeiro acampamento foi o de Franco da Rocha, que neste mês de julho inaugurou 61 casas, construída em mutirão com pouco dinheiro, auxiliados pelos arquitetos da USP.  

A participação da juventude na Romaria

A Juventude do Estado de São Paulo, neste ano se une à Romaria da Terra, para somar forças e caminhar juntos com alegria, por uma vida digna e justa, para todos os jovens, homens e mulheres deste país, que é bonito demais.

 

Parte da carta da Pastoral da Juventude, convocando todos os jovens a Romaria, demonstra a missão de cada jovem batizado: “a exemplo dos discípulos missionários de Jesus, saímos de nossas casas cheios de esperança (Doc. Aparecida, 2007 – 21), tendo a certeza de que nosso batismo nos impulsiona a construção de uma realidade mais justa”.

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