Frei Betto em Movimento Social e Espiritualidade

image001Casa da Solidariedade convida a todos para o debate ” Movimento Social e Espiritualidade”. Com a assessoria de Frei Betto,  o encontro acontecerá na próxima segunda-feira,  dia 29 de junho às 18h30.

Local: Rua Gravi, 60 –  Praça da Árvore, São Paulo – SP.

Mais informações com Raimundo, 11 5581-8727.

Estudantes de jornalismo e jornalistas farão protesto na Paulista

Protesto de estudantes e jornalistas segunda-feira (22/6), às 10h

Diretórios acadêmicos de várias faculdades de Jornalismo estão convocando estudantes e jornalistas para uma manifestação de protesto na Capital contra a decisão do STF, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma universitário para exercício da profissão.

Será segunda-feira (22/6), às 10h, no Metrô Consolação (Av. Paulista, altura do nº 2163). Os organizadores sugerem vestir preto, trazer nariz de palhaço e uma colher de pau.

Sindicatos dos Jornalistas do Estado de São Paulo

STF suspende exigência do diploma para jornalistas

Por oito votos a um, o STF – Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência da graduação em jornalismo para o exercício da profissão, em votação do Recurso Extraordinário 511961, na última quarta-feira (17/06). 

Os ministros Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram contra a exigência, enquanto Marco Aurélio Mello votou a favor da obrigatoriedade do diploma.

O Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e o Ministério Público Federal (MPF), se colocaram contra a obrigatoriedade do diploma, e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), com o apoio da Advocacia Geral da União, sustentava a exigência.

Gilmar Mendes, relator do recurso, defendeu a autorregulação da imprensa. “São os próprios meios de comunicação que devem definir os seus controles”, afirmou.

Mesmo sem a exigência de diploma, os cursos de jornalismo devem continuar existindo, argumentou Mendes. “É inegável que a frequência a um curso superior pode dar uma formação sólida para o exercício cotidiano do jornalismo. Isso afasta a hipótese de que os cursos de jornalismo serão desnecessários”, avaliou.

O que você pensa sobre isso? Eu, como estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, uma tradicional e renomada faculdade de ensino, posso afirmar que a passagem pela academia é precípuo básico para quem quer ter uma bagagem cultural, histórica e humana para fomentar suas matérias, reportagens e poder de fato, contribuir com o crescimento da democracia participativa e a fiscalização dos poderes no Estado.

Como fica a regulamentação do trabalho jornalístico? Vamos ver o reflexo e repercussões desta decisão, a meu ver precipitada…

Para a Federação Nacional dos Jornalistas, a decisão é um retrocesso institucional e acentua um vergonhoso atrelamento das recentes posições do STF aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, ao baronato que controla os meios de comunicação do país. A sanha desregulamentadora que tem pontuado as manifestações dos ministros da mais alta corte do país consolida o cenário dos sonhos das empresas de mídia e ameaça as bases da própria democracia brasileira. Ao contrário do que querem fazer crer, a desregulamentação total das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade.

 A desregulamentação da profissão de jornalista é, na verdade, uma ameaça a esses princípios e, inequivocamente, uma ameaça a outras profissões regulamentadas que poderão passar pelo mesmo ataque, agora perpetrado contra os jornalistas.

O voto do STF humilha a memória de gerações de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revoga uma conquista social de mais de 40 anos. Em sua lamentável manifestação, Gilmar Mendes defende transferir exclusivamente aos patrões a condição de definir critérios de acesso à profissão. Desrespeitosamente, joga por terra a tradição ocidental que consolidou a formação de profissionais que prestam relevantes serviços sociais por meio de um curso superior.

O presidente-relator e os demais magistrados, de modo geral, demonstraram não ter conhecimento suficiente para tomar decisão de tamanha repercussão social. Sem saber o que é o jornalismo, mais uma vez – como fizeram no julgamento da Lei de Imprensa – confundiram liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), como entidade de representação máxima dos jornalistas brasileiros, esclarece que a decisão do STF eliminou a exigência do diploma para o acesso à profissão, mas que permanecem inalterados os demais dispositivos da regulamentação da profissão. Dessa forma, o registro profissional continua sendo condição de acesso à profissão e o Ministério do Trabalho e Emprego deve seguir registrando os jornalistas, diplomados ou não.

Igualmente, a FENAJ esclarece que a profissão de jornalista está consolidada não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. No caso brasileiro, a categoria mantém suas conquistas históricas, como os pisos salariais, a jornada diferenciada de cinco horas e a criação dos cursos superiores de jornalismo. Em que pese o duro golpe na educação superior, os cursos de jornalismo vão seguir capacitando os futuros profissionais e, certamente, continuarão a ser a porta de entrada na profissão para a grande maioria dos jovens brasileiros que sonham em se tornar jornalistas.

A FENAJ assume o compromisso público de seguir lutando em defesa da regulamentação da profissão e da qualificação do jornalismo. Assegura a todos os jornalistas em atuação no Brasil que tomará todas as medidas possíveis para rechaçar os ataques e iniciativas de desqualificar a profissão, impor a precarização das relações de trabalho e ampliar o arrocho salarial existente.

Neste momento crítico, a FENAJ conclama toda a categoria a mobilizar-se em torno dos Sindicatos. Somente a nossa organização coletiva, dentro das entidades sindicais, pode fazer frente a ofensiva do patronato e seus aliados contra o jornalismo e os jornalistas. Também conclama os demais segmentos profissionais e toda a sociedade, em especial os estudantes de jornalismo, que intensifiquem o apoio e a participação na luta pela valorização da profissão de jornalista.

Somos 80 mil jornalistas brasileiros. Milhares de profissionais que, somente através da formação, da regulamentação, da valorização do seu trabalho, conseguirão garantir dignidade para sua profissão e qualidade, interesse público, responsabilidade e ética para o jornalismo.

Para o bem do jornalismo e da democracia, vamos reagir a mais este golpe!

Brasília, 18 de junho de 2009.

Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

 

 

O que está acontecendo na USP?

USP2Se nos basearamos apenas no que a televisão brasileira vem noticiando, estaremos fadados a criminalizar ilustres professores e intelectuais, competentes profissionais e funcionários, e ainda alunos que perseveram por um ensino de qualidade.

Estes professores e funcionários, ao longo dos anos, construíram esta Universidade de excelência, que tantos de nós buscamos fazer parte.

Para esclarecer, ou ao menos ouvir os dois lados desta balança, publico abaixo a carta de um dos professores da USP que tem participado das manisfestações:

“Prezados colegas,

O que os senhores lerão abaixo é um relato em primeira pessoa de um docente que vivenciou os atos de violência que aconteceram poucas horas atrás na cidade universitária (e que seguem, no momento em que lhes escrevo – acabo de escutar a explosão de uma bomba).

Peço perdão pelo uso desta lista para esse propósito, mas tenho certeza que os senhores perceberão a gravidade do caso. Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus.

Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes. Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação.

Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções.. .

USPA assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de “efeito moral” porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas).

Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar.

Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia > mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando. Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam.

Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas.

A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos. A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá.. A situação é gravíssima.

Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira) , autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário. Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais.

Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.

Cordialmente,

Prof. Dr. Pablo Ortellado

Escola de Artes, Ciências e Humanidades ”

Universidade de São Paulo

Prêmio Parlamentares Inimigos da Amazônia 2009

Na semana passada, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), várias entidades que defendem o meio-ambiente e são contra a devastação da Amazônia, premiaram os parlamentares que se destacam na luta pela Região Amazônica e consequentemente da vida na Terra.

Confira a lista dos “amigos da Amazônia”

Categoria espécies nativas: Senadora Marina Silva (PT/AC), Senador José Nery (PSOL/PA), Deputado Sarney Filho (PV/MA).

Categoria espécies exóticas: Senador Aloísio Mercadante (PT/SP), Senador Cristovam Buarque (PDT/DF), Senador Renato Casagrande (PSB/ES), Deputado Paulo Teixeira (PT/SP).

Agora, a Amazônia luta também contra alguns parlamentares. Confira a lista dos inimigos da Amazônia:  

Categoria espécie nativas: Senadora Katia Abreu (DEM/TO), Senador Romero Jucá (PMDB/RR), Senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), Deputado Asdrúbal Bentes (PMDB/PA), Deputado Homero Pereira (PR/MT)

Categoria espécie exótica:Deputado José Nobre Guimarães (PT/CE), Deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP), Deputado Valdir Colatto (PMDB/SC),

Todos eles, alguns lideranças da bancada ruralista, aprovaram a Medida Provisória (MP) 458, que autoriza a grilagem e a ocupação de terras irregulares na Amazônia. Muitos combatem o Código Florestal e são contra a demarcação de terras indígenas e de unidades de conservação. 

Fonte:  Radioagência NP

Aldeia Takuara, dos índios Guarani realiza Assembleia

“A gente não agüenta mais. Já perdemos a paciência. Estão fazendo o massacre de nossa gente, já mataram três lideranças nossas. Não vamos continuar morrendo aqui na beira da estrada. A terra nos pertence. Chega de esperar, vamos avançar…”

Nossa paciência acabou!

Foto: Verena Glass
Foto: Verena Glass

 

Essa tem sido uma das afirmações repetidas por várias lideranças, no decorrer da Aty Guasu. Ao mesmo tempo o cacique Elpideo expressava o sentimento de seu povo dizendo “Nós Guarani somos um povo calmo, de muita paciência. Mas quando a paciência acaba ninguém segura o Guarani”. Com isso estava dando um recado claro para as autoridades, os representantes do governo federal e Assembleia Legislativa ali presentes. No mesmo tom lideranças de Kurusu Ambá repetiram “A gente não agüenta mais. Já perdemos a paciência. Estão fazendo o massacre de nossa gente, já mataram três lideranças nossas. Não vamos continuar morrendo aqui na beira da estrada. A terra nos pertence. Chega de esperar, vamos avançar…” E em tom severo alertaram as autoridades presentes para a responsabilidade que lhes cabe, sobre qualquer violência de que venha a ser vítima a sua comunidade.

No documento final da Grande Assembleia Kaiowá Guarani reafirmam sua cobrança de ação imediata e decisiva para coibir a continuidade da violência e impunidade “Temos sofrido todo tipo de intimidação e ameaças por fazendeiros e pistoleiros que não querem ver nossos direitos respeitados. E ainda assim nos negam o mínimo daquilo que nos foi tirado! Não vemos o Governo Federal fazer nada para solucionar nossa situação RAPIDAMENTE. O pior é assistir a impunidade, a falta de justiça, contra aqueles que há décadas provocam através de vários meios, um verdadeiro genocídio do nosso povo. Não vemos esses assassinos serem julgados e condenados, o que vemos é a criminalização e a prisão injusta de nossas lideranças que lutam e reivindicam nossos direitos. Estamos cansados de esperar uma solução definitiva do Governo Federal para que os procedimentos de identificação previstos no TAC firmado entre a FUNAI e o Ministério Público Federal, em 2007, sejam de uma vez por todas concretizados.

É a monocultura desenfreada da soja, da cana e do gado, que financiados por dinheiro público, tomam o espaço da agricultura familiar indígena e camponesa, levando milhares de indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais sem-terra ao desespero, por não terem nenhuma perspectiva de vida digna para produzirem seus alimentos e garantirem a sobrevivência das futuras gerações. Além, disso destruindo o pouco que restou dos recursos naturais de nossa região.

Repudiamos a postura do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul que ao invés de buscar uma solução para a demarcação de nossas terras, conforme a orientação feita pelo Ministério Público Federal, vem empreendendo todos os esforços para que sejam cancelados os trabalhos de identificação de nossos tekohá, pregando mentiras que somente aumentam o racismo e a intolerância contra o nosso povo. Os nossos direitos estão garantidos e nunca nosso povo abandonará a luta pela demarcação de nossos tekohá! O Governo Estadual deve entender que tentar barrar aquilo que jamais desistiremos, somente criará mais conflitos! O povo indígena de Mato Grosso do Sul quer a paz e nunca a violência! Demarcar as terras de nosso povo não afetará a economia do estado e o que queremos é muito pouco perto de todo mal que estamos sofrendo e de tudo o que nos tiraram! Soluções existem para a demarcação, o que falta é a vontade política e o respeito às nossas reivindicações e direitos!” (Documento Final da Aty Guasu aldeia Takuara)

O documento final traz as principais reivindicações dos Kaiowá Guarani hoje, destacando a imediata conclusão da identificação das terras, julgamento e punição dos assassinos das lideranças. Concluem solicitando providências nas áreas de saúde, educação e produção, especialmente de alimentos. Viva Ñande Ru, Ñande Sy, Viva nossos Guerreiros e Guerreiras, Viva a luta indígena, Viva o Movimento Kaiowá Guarani.

DEMARCAÇÃO JÁ! ATY GUASU  Terra Indígena Takuara, Juti – MS. No segundo dia da Assembleia foi feita uma caminhada ao local em que Marcos Veron foi assassinado (uma das lideranças históricas da luta do povo Guarani), terminando no local em que está sepultado. Ao som dos mbarakas o cântico de indignação e esperança.

O cerco da cana
O deputado Pedro Kemp manifestou seu sentimento ao atravessar os enormes canaviais e de repente chegar nos barracos da aldeia Takuara “Fiquei profundamente deprimido, diante daquele cenário de terra arrasada, inundada de cana…”

Ladio, um dos filhos de Marcos Veron, foi dizendo com tristeza “estamos rodeados de cana. Aqui perto está sendo construída uma usina. Hoje aqui não tem mais mata, peixe, caça. Só tem bois e plantações de cana e soja. Não temos mais carne de anta, tatu ou queixada.”

Enquanto acontecia a Aty Guasu, ali próximo era possível ver a movimentação de grandes máquinas, fogo, ônibus levando e trazendo gente que cortava e plantava cana.

Até quando ?
Além do documento da Assembleia, os participantes fizeram dois documentos de solidariedade e apoio irrestrito às lutas de Kurusu Ambá e Laranjeira Nhanderu.

Fonte: Egon Heck / Cimi MS

Em 2008, 70% dos índios assassinados eram Guarani Kaiowá

 

Projeto de Lei de Conversão 09 (PLV 09/2009) promete legalizar grileiros

“a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável”. ambientalistas contra a aprovação do PLV 09/2009

Na semana do meio ambiente e após a aprovação no Senado da medida que permite à União transferir terras na Amazônia sem licitação, ambientalistas divulgaram uma nota pública repudiando os rumos atuais da política ambiental brasileira dos poderes Executivo e Legislativo.

O texto aprovado pelo Senado na noite de quarta (3) trata da regularização fundiária da Amazônia e permite à União doar ou vender, sem licitação, terrenos de até 1.500 hectares na Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão). Ao todo, a União poderá legalizar 67,4 milhões de hectares. Segundo a nota divulgada pelos ambientalistas, a aprovação da medida “abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal”.

Com relatoria da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), representante da bancada ruralista, o Projeto de Lei de Conversão 09 (PLV 09/2009) foi aprovado no Senado sem alterações ao texto aprovado em maio na Câmara dos Deputados. Lá, o texto tramitou inicialmente como medida provisória 458 (MP 458/09). Ao sofrer alterações antes de ser aprovada, a medida se transformou no PLV 09 e foi encaminhada ao Senado. “Essa aprovação já era esperada, é um tipo de medida que tanto a base do governo apóia, como a oposição, que é onde está a bancada ruralista. Mesmo assim, a gente ficou surpreso com os obstáculos que a medida teve no Senado, coisa que a gente não viu na Câmara.

A [senadora] Marina Silva pressionou e o placar de algumas votações foi bastante acirrado”, avaliou Raul do Valle, advogado do Instituto Socioambiental (ISA). Também contrária à PLV, a senadora Marina Silva (PT-AC) pediu em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o veto de três artigos do texto aprovado pelo Senado, denominado por ela como “legalização da grilagem“.

Um dos vetos propostos pela senadora tenta impedir a grilagem de terras ou que latifundiários consigam se apropriar de terrenos através de laranjas. A senadora defende que pessoas que não ocupam diretamente as terras não devem ser beneficiadas. Pela lei aprovada, empresas que ocuparam terras públicas até 2004 terão direito às propriedades. Imóveis médios e grandes poderão ser revendidos três anos após a concessão dos títulos; e imóveis pequenos, após dez anos. A parlamentar é contra a venda dos terrenos menos de dez anos após a sua regularização.

O segundo veto é contra a dispensa de vistoria em áreas com até quatro módulos fiscais (em média 304 hectares) antes da concessão das terras. Para a senadora, terrenos com essa dimensão também podem apresentar irregularidades, como a presença de laranjas. A terceira sugestão de veto refere-se à regularização de terras para as pessoas jurídicas que possuam outras propriedades rurais. A parlamentar justifica que um proprietário de várias empresas poderá regularizar 1,5 mil hectares como pessoa física e a mesma quantia por cada empresa que possua.

A crítica dos ambientalistas não se restringe ao projeto aprovado pelo Senado. A nota divulgada aponta oito pontos críticos da política ambientalista adotada pelos poderes Executivo e Legislativo. Dentre eles, está a modificação, em novembro do ano passado, do decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08). “O Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade”, afirma a nota. Para os ambientalistas, as medidas recentes dos dois poderes “demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável”.

fonte: Adital

Prostituição infantil na Ilha de Marajó foi denunciada há meses pela Revista Missões

Azcona
Jaime C. Patias

A prostituição infantil em Portel, na bacia da Ilha de Marajó, deflagrada pelo Programa Fantástico no último domingo, 31 de maio, há meses fora denunciada pelo bispo da Ilha de Marajó, dom José Luís Azcona Hermoso.

Em entrevista cedida à Revista Missões, durante o 9° Fórum Social Mundial, em janeiro de 2009, o bispo Azcona denunciou “Não há vontade política decididamente empenhada em concreto para a solução deste problema”. O bispo esta ameaçado de morte por denunciar a exploração sexual de menores e adolescentes, e o tráfico de humanos para a Europa.

Juntamente com Azcona estão ameaçados de morte, os bispos Ervin Krautler, Flávio Giovenale e outras 200 lideranças da região leste da Amazônia.

Instalada Procuradoria Especial da Mulher

BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados instalou nesta terça-feira a Procuradoria Especial da Mulher, a ser comandada pela deputada Nilmar Ruiz (DEM-TO).

O objetivo desta procuradoria é receber e encaminhar aos órgãos competentes, denúncias de violência e discriminação contra a mulher e acompanhar e defender na Câmara a tramitação de propostas e de políticas públicas voltadas para o público feminino.

A deputada que comandará a Procuradoria é Nilmar Ruiz, a deputada lembrou, que ainda há muita violência e discriminação contra as mulheres. A solenidade de instalação da Procuradoria Especial da Mulher foi das mais concorridas, contando com a presença de praticamente toda a bancada feminina na Câmara, de militantes de movimentos femininos, além de muitos deputados e dos ministros de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire. Segundo a ministra, a procuradoria deverá atuar em parceria com órgãos do Executivo, a exemplo da Central de Atendimento à Mulher.

fonte: JB Online