Após incêndio, persistem as ameaças contra comunidade Guarani no MS

Suzy Osaki, Brasil de Fato

Suzy Osaki, Brasil de Fato

No último dia 14, barracas dos povos Guarani foram incendiadas por fazendeiros no Mato Grosso do Sul. Esta informação é afirmada pelo CIMI-MS, Conselho Indigenista Missionário que acompanha a luta dos povos indígenas no Brasil desde 1972.

Segundo José Almeida (Zezinho), liderança da comunidade, no dia 9 de setembro, a Polícia Federal concedeu 48 horas para que eles desocupassem a aldeia onde viviam há quase dois anos. Os indígenas transportaram a maior parte de seus bens, incluindo camas e colchões, em bicicletas pelo caminho de 4 km entre a aldeia e a BR-163. No fim do dia 11 de setembro, ainda restavam na aldeia diversos objetos e o sapê (palha) que os Guarani usam para cobrir a casa. “Pedimos para a PF falar com o fazendeiro, pois a gente ia trazer o sapê e o resto das coisas. A gente não podia voltar lá depois do prazo da PF, pois o fazendeiro fechou tudo. Dois dias depois, a gente viu o fogo alto… vindo da aldeia”, relata Zezinho.

Os cerca de 130 indígenas da comunidade Laranjeira Ñanderu, que estão acampados à margem da BR-163, no Mato Grosso do Sul, continuam sendo ameaçados por empregados de fazendeiros, que manobram carros em alta velocidade próximo das barracas dos indígenas.

O Ministério Público Federal no Mato Grosso do Sul (MPF-MS) recebeu relatos dos indígenas, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre o ocorrido. Depois de analisá-los, pode requerer a instalação de um inquérito para investigar o incêndio e as denúncias de ameaças. Segundo Zezinho, a Funai não foi no acampamento depois do incêndio. A PRF foi acionada na noite do incêndio e foi ao local. Além disso, os indígenas recorreram à PRF para protegê-los de algumas intimidações dos empregados dos fazendeiros, que estavam impedindo os Guarani de buscar água em um rio fora da fazenda.

Zezinho afirma que, durante as noites, carros continuam passando para assustar a comunidade. Empragados dos fazendeiros estariam manobrando em rápida velocidade em frente ao acampamento e focalizando luzes para as barracas, assustando os indígenas.

A liderança também afirmou que, desde o despejo, três indígenas (entre adultos e crianças) já ficaram doentes. Ele suspeita que a causa seja o excessivo calor embaixo das lonas pretas durante o dia, por isso, os indígenas queriam o sapê, para amenizar a insalubridade embaixo da barraca.

Processo
A ordem de reintegração de posse foi dada pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. A Funai e o MPF-MS recorreram ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que chegou a suspender temporariamente a ordem de reintegração.

Fonte: CIMI-MS

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