Encontro de Fé e Política discute questão de “Gênero, Raça e Religião”

Juventude presente em Ipatinga, MG

O 7° Encontro Nacional de Fé e Política, que aconteceu  em Ipatinga, MG, de 27 a 29 de novembro, reservou a tarde de sábado (28/11) para a realização de plenárias temáticas com destaque para a de tema: “Gênero, Raça e Religião”, que aconteceu na Câmara Municipal e apontou questões latentes na sociedade e na Igreja como o racismo e o sexismo. Com a participação de mais de cem pessoas, em sua maioria mulheres negras, a plenária contou com as assessorias de Maria Emilia da Silva e Iradj Roberto Eghari, ambos militantes, ligados à Defesa dos Direitos Humanos.

Em sua explanação, Maria Emilia, missionária, ex-religiosa, negra de sorriso largo, falou do sonho da sociedade igualitária, e que para conquistá-la é necessário uma outra sociedade: a pluriétnica, porque a sociedade uniética monopoliza Deus. Reforçou que espaços de debate, como o Encontro de Fé e Política, são propícios para pensar novas teologias que possam criar novos papeis da mulher e do negro(a) na Igreja. Os participantes da Plenária, vindos dos estados de Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, denunciaram que dentro da Igreja Católica, diferente de outras denominações, os elementos da cultura afro ainda não foram aceitos e respeitados e que a mulher é colocada em segundo plano.

“A organização religiosa só pode ser possível com a liberdade de expressão. Nos quilombos, em Palmares, já havia esta liberdade, o domínio do pensar político e religioso. Ali eles procuravam integrar os elementos da religião católica com a cultura quilombola, eles já entendiam como normal e natural o sacerdócio casado, o sacerdócio feminino. Era um espaço onde negros, índios e brancos gestavam o Brasil.

Uma simbiose lingüística, sem discriminação planejada”, afirmou Maria Emília. Para Iradj Roberto, bahai, filho de iraniano, perseguido pelo governo do Irã é imperativo mudar a ordem social e vê as religiões como instrumentos para tal. ‘Todas as religiões norteiam o caminho, com base no fato, de que a alma humana desconhece raça”, afirmou Iradji. “O racismo é um dos males mais persistentes da humanidade, um mal que impede que uma enorme parcela da humanidade revele seu potencial como ser humano”, concluiu.

Da plenária surge uma voz, direto da Diocese de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Seu nome é Sonia, 40 anos, católica: “Nós negros sofremos muito dentro da igreja católica, o discurso é de irmão, mas nós sofremos demais dentro desta estrutura. O cotidiano nos remete a um retrocesso. Continuo à margem do processo de evolução da história”, desabafou ao som dos aplausos.

A Plenária: Gênero, Raça e Religião”, foi uma das 20 plenárias, que compõem a Programação do 7° Encontro Nacional de Fé e Política, que encerra-se hoje (29/11), após envio Ecumênico.

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