Mais um jornalista é assassinado em Honduras

por Ingrid Bachmann

Israel Díaz Zelaya, proeminente jornalista de San Pedro Sula, foi encontrado morto na periferia da cidade com três ferimentos de bala, informou La Tribuna. Este é o décimo jornalista assassinado em Honduras este ano, disse a Radio Nederland. Segundo a Associated Press, Zelaya era comentarista da Radio Internacional e há três meses denunciou que sua casa havia sido incendiada por um grupo.

Ainda não se sabe o motivo do crime, mas a polícia descartou roubo, pois o corpo foi encontrado com um relógio e um telefone celular, informou La Prensa.

Porto Alegre recebe Congresso Nacional de Jornalistas

O Jornalismo a serviço da sociedade e a defesa da profissão”

Porto Alegre será ponto de encontro para cerca de 700 jornalistas de todo o Brasil, para a realização do 34º Congresso Nacional da categoria, que acontercerá de 18 a 22 de agosto, no centro da capital. A cerimônia de abertura, no dia 18, contará com as presenças do deputado Paulo Pimenta (PT/SC), autor da PEC 386/09, do senador Antônio Carlos Valadares, autor da PEC 33/09,  que prevêem a restituição da exigência do diploma para o exercício da profissão – e da deputada Rebecca Garcia (PP/AM), coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma.

Também integra a programação o Encontro Latino-Americano de Jornalistas, a ser realizado no dia 19 e contará com a presença do presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), Jim Boumelha.

Eleitas com o voto direto da categoria no processo realizado de 27 a 29 de julho, a nova direção da FENAJ, presidida pelo gaúcho Celso Schröder, e a nova Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas tomarão posse em solenidade festiva durante o 34º Congresso Nacional a ser realizada no dia 21 de agosto. Na oportunidade também serão agraciados com a Comenda da FENAJ os jornalistas Daniel Herz (In Memorian) e Nilson Lage.

A programação do encontro será norteada pelos eixos: Ética na Comunicação, Jornalismo Ambiental, Novas Tecnologias, A organização dos Jornalistas de Imagem, Gênero, Raça e Etnia, Saúde do Trabalhador, Estratégias dos Jornalistas de Língua Portuguesa e Luta pelos Direitos Autorais.

No evento haverá a entrega da “Comenda FENAJ” a personalidades que se destacam na defesa do Jornalismo e da profissão.

Como votar bem?

No dia 3 de outubro, mais de 130 milhões de eleitores exercerão sua cidadania através do voto no Brasil, depositarão nas urnas a escolha de seus representantes nos cargos públicos: presidente da República (e seu vice), os governadores dos Estados e do Distrito Federal (e seus vices), 54 senadores (dois em cada Estado), deputados federais e estaduais (ou distritais). A CNBB do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo), que liderou a campanha pela mobilização popular em torno do projeto que se tornou a Lei Ficha Limpa, divulgou orientações aos seus fiéis para a participação consciente e responsável no processo político-eleitoral deste ano:

1. O poder político emana do povo. Votar é um exercício importante de cidadania; por isso, não deixe de participar das eleições e de exercer bem este poder. Lembre-se de que seu voto contribui para definir a vida política do País e do nosso Estado.

2. O exercício do poder é um serviço ao povo. Verifique se os candidatos estão comprometidos com as grandes questões que requerem ações decididas dos governantes e legisladores: a superação da pobreza, a promoção de uma economia voltada para a criação de postos de trabalho e melhor distribuição da renda, educação de qualidade para todos, saúde, moradia, saneamento básico, respeito à vida e defesa do meio ambiente.

3. Governar é promover o bem comum. Veja se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com a justiça e a solidariedade social, a segurança pública, a superação da violência, a justiça no campo, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, a cultura da paz e o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até à morte natural. São valores fundamentais irrenunciáveis para o convívio social. Isso também supõe o reconhecimento à legítima posse de bens e à dimensão social da propriedade.

4. O bom governante governa para todos. Observe se os candidatos representam apenas o interesse de um grupo específico ou se pretendem promover políticas que beneficiem a sociedade como um todo, levando em conta, especialmente, as camadas sociais mais frágeis e necessitadas da atenção do Poder público.

5. O homem público deve ter idoneidade moral. Dê seu voto apenas a candidatos com “ficha limpa”, dignos de confiança, capazes de governar com prudência e equidade e de fazer leis boas e justas para o convívio social.

6. Voto não é mercadoria. Fique atento à prática da corrupção eleitoral, ao abuso do poder econômico, à compra de votos e ao uso indevido da máquina administrativa na campanha eleitoral. Fatos como esses devem ser denunciados imediatamente, com testemunhas, às autoridades competentes. Questione também se os candidatos estão dispostos a administrar ou legislar de forma transparente, aceitando mecanismos de controle por parte da sociedade. Candidatos com um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos não devem receber nosso apoio nas eleições.

7. Voto consciente não é troca de favores, mas uma escolha livre. Procure conhecer os candidatos, sua história pessoal, suas ideias e as propostas defendidas por eles e os partidos aos quais estão filiados. Vote em candidatos que representem e defendam, depois de eleitos, as convicções que você também defende.

8. A religião pertence à identidade de um povo. Vote em candidatos que respeitem a liberdade de consciência, as convicções religiosas dos cidadãos, seus símbolos religiosos e a livre manifestação de sua fé.

9. A Família é um patrimônio da humanidade e um bem insubstituível para a pessoa. Ajude a promover, com seu voto, a proteção da família contra todas as ameaças à sua missão e identidade natural. A sociedade que descuida da família, destrói as próprias bases.

10. Votar é importante, mas ainda não é tudo. Acompanhe, depois das eleições, as ações e decisões políticas e administrativas dos governantes e parlamentares, para cobrar deles a coerência para com as promessas de campanha e apoiar as decisões acertadas.

Para aqueles que estão com dúvidas sobre as eleições 2010 acessem o site do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, tire todas as suas dúvidas, ainda ha tempo.

Educafro contesta o estatuto racial

Frei Davi Santos, na sede do Educafro. Foto de Luciney Martins

Após 10 anos de tramitação, documento é sancionado pelo presidente, com ressalvas da comunidade negra

Após tramitar por dez anos nas gavetas do legislativo brasileiro, o Estatuto da Igualdade Racial foi sancionado, no dia 20 de junho, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Estatuto estabelece diretrizes e garante direitos para a população negra, contudo há alas do Movimento Negro, como o Conselho Afro, que afirmam que a legislação deixou de fora questões latentes para a inclusão do negro na sociedade. Para analisar os pontos que ficaram de fora do estatuto, O SÃO PAULO entrevistou frei Davi Santos, presidente do Educafro e um dos defensores do estatuto.

O SÃO PAULO – O Estatuto da Igualdade Racial corresponde às demandas da população negra?
Frei Davi Santos
– Nós somos 51% do povo brasileiro e não elegemos nem 3% dos deputados da república, não elegemos nossos representantes, portanto não podemos ter um estatuto perfeito, com as nossas demandas. Precisamos ter a humildade e a compreensão, de que em um processo democrático o que define a qualidade de uma lei são as estratégias políticas. À exemplo do ECA [Estatuto da Criança e do adolescente], vamos trabalhar pelas emendas.

O SÃO PAULO – Qual a sua opinião, quanto ao Estatuto não definir quem são os remanescentes dos Quilombos?
Frei Davi
– Não querem definir porque isso mexe com interesse dos donos de terras, quem vai devolver as terras aos quilombolas? Assim que forem reconhecidos, terão direitos às terras, quem as devolverá?

O SÃO PAULO – A cota para negros nas universidades, TVs e partidos não foi contemplada no Estatuto, o senhor considera uma perda para a comunidade negra?
Frei Davi
– Agora podemos falar, nós criamos uma estratégia. Consta no artigo 15 do estatuto que “o poder público adotará programas de ação afirmativa.” Ora, o artigo 15 é direto, não detalha o que é ação afirmativa, e aqui está o detalhe, todas as cotas que existem no Brasil são ações afirmativas. O Congresso Nacional abriu mão de detalhar as ações afirmativas, dando ao poder executivo a autonomia de criar as ações afirmativas para a população negra local. Nós conseguimos dialogar com o governo federal, que vai, então, regularizar as cotas a partir desta autonomia que o Congresso deu ao executivo. Esta maneira de escrever o estatuto vai provar que em cada Estado o povo negro vai conquistar direitos em função da sua capacidade organizativa.

O SÃO PAULO – Um jovem pobre branco ou indígena não tem o mesmo direito à universidade que o jovem negro?
Frei Davi
– Nós, da comunidade negra, onde lutamos por cotas, também conseguimos implantar cota para pobre, indígena. Você não vai encontrar em nenhum lugar do Brasil um branco pobre lutando por cotas, nem indígenas.

O SÃO PAULO – O estatuto não contemplou o incentivo fiscal à empresa que contratar negro, e agora?
Frei Davi
– Nós vamos conquistar este artigo por emenda nos próximos meses, essa mesma sugestão nós fizemos para a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) e ela lançou um plano de inclusão de negros nos bancos do Brasil. Ela esta mais avançada nessa sensibilidade, do que o Congresso Nacional.

O SÃO PAULO – Foi cortado do Estatuto a exigência de o Sistema Único de Saúde (SUS) identificar pacientes no atendimento pela raça? Por que esta identificação especial?
Frei Davi
– No Brasil o afro brasileiro pode ter uma doença que só eles tem, a anemia falciforme, e infelizmente, grande parte dos médicos do Brasil não estudam esta doença, consequentemente não estão bem preparados para atender a população negra. Muitos jovens morrem de anemia sem saber, de modo que nós pedimos que houvesse uma atenção especial aos negros, mas o Senador Demóstenes Torres disse que isso era racismo e vetou o artigo.

De Karla Maria, para o Jornal O SÃO PAULO.