Busca por desaparecidos políticos se intensifica

foto de Luciney Martins | Ministra, peritos e familiares de desaparecido político no cemitério

O Cemitério de Vila Formosa, na zona leste da capital, guarda em seus 780 mil metros quadrados, os restos mortais de mais de 1,5 milhão de pessoas;
dentre elas, a Polícia Federal busca encontrar as ossadas de Virgílio Gomes da Silva, operário e dirigente sindical da área química, desaparecido desde 1969.

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, esteve no cemitério, na manhã do dia 22, acompanhando as buscas. “Considero que as respostas aos familiares tenham sido tímidas. Hoje não se trata de buscar os culpados,
mas se nós estamos aqui nesse momento, o que me cabe é responder por esse momento, agradecer a todos que me antecederam e não tiveram condições políticas. As condições políticas estão colocadas hoje, está acontecendo, vocês querem. O povo brasileiro quer que as famílias recebam
suas respostas”.

foto de Luciney Martins | ossadas encontradasQuestionada pelos jornalistas sobre a condenação dos culpados pelos desaparecimentos, a ministra afirmou que os debates acerca das questões jurídicas ficam no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). “Nós somos
movidos unicamente pela tarefa dos Direitos Humanos, de darmos às famílias, os direitos de sepultarem os seus mortos e encontrarem os  desaparecidos.

Não estamos movidos pela punição de quem quer que seja. As questões  jurídicas ficam no âmbito do STF”. Durante a busca, peritos da Polícia Federal retiraram 21 sacos com ossadas sem identificação. A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, manifestou-se  positivamente quanto à presença da ministra no cemitério. “O fato de uma ministra dos Direitos Humanos vir até o cemitério e fazer um  pronunciamento no sentido tanto de construir a Comissão da Verdade, como um invite a implementar e executar as sentenças, é um fato positivo.

Expressa a vontade, em nome do governo, de que o Estado brasileiro esclareça esses fatos”, disse Amélia Teles, ex-presa política e membro da Comissão. Para Virgílio Gomes da Silva Filho, filho, portanto, do preso morto a expectativa é grande. “Quando você vê esse empenho todo, cria-se a expectativa, a esperança. Saber a verdade, saber se essa ossada é do meu pai já é dignificante, assim, ao menos, teríamos um mausoléu para prestar nossa homenagem, porém a gente é consciente de que, o resultado pode não ser o que se espera”, revelou.

A morte de Virgílio, em 30 de setembro de 1969, só pode ser confirmada em 2004, quando pesquisadores encontraram um laudo com a confirmação
de que o corpo tinha sido encaminhado para o Cemitério de Vila Formosa. As buscas de corpos em Vila Formosa devem localizar os restos mortais.

Publicada em O SÃO PAULO

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