Defensoria apura casos de violação de direitos humanos

foto: Associação Nacional dos Defensores Públicos

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo acolheu desde o início da operação, 40 denúncias. “Presenciamos situações bastante graves no que diz respeito aos direitos humanos das pessoas que ali vivem. Não podemos compactuar com situações em que a Segurança Pública se divorcia dos direitos humanos, disse o defensor público Carlos Weis, destacando que é direito constitucional do cidadão o ir, vir e permanecer.

“As pessoas não podem ser levadas ao distrito policial, pela mera suspeita ou por falta de documentos”, disse o defensor durante audiência extraordinária da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações  Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo, dia 11.

Para o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Antonio Carlos Malheiros, a operação na região da Luz “foi um dos maiores equívocos dos últimos tempos”. “Algo que parecia uma operação para caçar traficantes, se transformou em algumas horas em uma perseguição, numa caçada a  viciados e usuários, desarticulando todo um plano que há cinco meses vinha se costurando junto ao Ministério Público Estadual”, disse o desembargador, que afirma que os juízes estarão nas ruas atendendo a população, em prazo ainda indefinido.

A Arquidiocese de São Paulo desde o início da operação, na pessoa de padre  Júlio Lancellotti, tem acompanhado os trabalhos e denunciado os casos de violência à Defensoria Pública. Na tarde da sexta, 13, dom Milton Kenan Junior, bispo referencial das Pastorais Sociais e padre Júlio se reuniram com o  governador Geraldo Alckmim. “Apresentamos nossa preocupação com a ação violenta, mas ele não abre mão da ação policial, disse ser uma medida  necessária nesse primeiro momento para coibir o uso e garantir a internação com acompanhamento”.

Segundo o governador, desde o início da operação 149 pessoas foram presas,  sendo 106 por delitos diversos e 43 foragidos; 878 pessoas foram encaminhadas para abrigos, 212 para serviços de saúde e 80 internadas. A  Prefeitura de São Paulo conta com 80 vagas para internação, e em todo o Estado são 400.

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