Lincoln, política, poder e liberdade

Lincolnnytimes.com_Chego em casa depois de caminhar umas 4 milhas. Foi uma longa caminhada, cerca de 7 quilômetros, voltando de uma tarde de cinema. Na verdade voltando de uma aula de atuação de Daniel Day-Lewis. Não sou crítica de cinema, já arrisquei há alguns anos fazê-lo em curtas metragens, todavia… a tela do cinema hoje se transformou em palco e fez meu caminhar de volta para casa mais reflexivo.

O filme:  Lincoln de Steven Spielberg é baseado no livro Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln (sem tradução para o português), da historiadora Doris Kearns Goodwin, premiada em 1995 com o Pulitzer pela biografia de Franklin Roosevelt (outro ex-presidente norte-americano). Com iluminação e fotografias que te levam ao século 19, o filme retrata os últimos quatro meses de vida do presidente que aprovou a emenda que aboliu a escravidão no país, em 1865.

Spielberg concentra seu olhar e agora o nosso nos gabinetes no poder. É por detrás da fumaça do tabaco que acontecem as negociações, a barganhas de votos por cargos pelos votos dos democratas no Senado americano. Isso no século 19. Entre um diálogo e outro de Lincoln, me lembro do Congresso Nacional Brasileiro. E Não preciso me alongar no motivo…

O detalhe interessante é que o presidente Lincoln era republicano, um partido conservador que não queria o fim da escravatura, já que esta sustentava a atividade econômica do sul do país naquele momento. O crescimento Sulista era baseado no liberalismo econômico que abria todo o mundo às agro-exportações e com mão-de-obra escrava (de origem africana) como base da produção.

No filme, o ator Daniel Day-Lewis, que o protagoniza, é tão extraordinário que nos faz acreditar no verdadeiro desejo presidencial de liberdade e igualdade para todos, o que contudo, é de certa maneira refutado não só pela biografia do presidente, quanto pelos historiadores.

“Lincoln se tornou um dos principais nomes do Partido Republicano, que havia sido fundado principalmente para se opor à escravidão e para ser uma espécie de porta-voz dos interesses industriais mais amplos nos Estados Unidos”, disse Arthur Ávila, doutor em História norte-americana e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), ao jornal Tribuna do Planalto.

Lincoln, explica o professor,  não era um radical, pois antes de chegar à presidência da República sempre se colocou como um anti-escravocata, e não como um abolicionista. A ideia dele era limitar a escravidão aos estados sulistas e impedir seu avanço para os estados do Norte. Ávila lembra ainda que o ex-presidente americano era contrário à expansão dos direitos civis aos negros, pois como a maioria dos homens brancos que viveram em sua época, não acreditava na igualdade entre as três raças.

Como imaginar que 140 anos depois, este país, que questionava a emancipação dos negros, o fim da escravidão e o voto feminino, conta hoje com Barack Obama à Presidência da República e reeleito e ainda, que Hilary Clinton, ex-secretária de Estado já apareça nas pesquisas como nome forte para 2016.

Vale a pena assistir o filme pela bela fotografia e iluminação reveladora. Pela história contada, conquistada e superada, pela emoção e sobretudo pela atuação de Daniel Day-Lewis.

Valeu a pena cada milha caminhada e refletida.

Ato em solidariedade a dom Pedro Casaldáliga dia 7 de fevereiro em SP

dom pedroDesde novembro de 2012, dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, vem recebendo ameaças de morte devido à sua luta pela devolução das terras batizadas como Marãiwatsédé aos índios da etnia Xavante. No início de dezembro, após a Justiça derrubar dois recursos que tentavam adiar a retirada dos não índios da região, agora chamada Gleba Suiá Missú, ele teve de se deslocar contra sua própria vontade para uma localidade não revelada para sua própria segurança.

Ainda assim, dom Pedro retornou em 29 de dezembro a São Félix, estando agora sob proteção policial. Porém, além de Casaldáliga, diversas lideranças indígenas e agentes da pastoral também estão sendo ameaçados desde que o Incra iniciou o processo de desintrusão da região. Em soloifdariedade ao bispo, pastorais e movimentos sociais farão um ato de solidariedade na Câmara Municipal de São Paulo, 7 de fevereiro (quinta-feira), às 19h, no Salão Nobre – 8º andar.

– Do Comitê de solidariedade a dom Pedro Casaldáliga e ao povo Xavante.

Leia a carta da comunidade Xavante de Marãiwatsédé à sociedade brasileira: http://goo.gl/AMr4V