vagão rosa é retrocesso para paulistanas

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Então, os homens terão licença para abusar das mulheres que não utilizarem o tal vagão rosa? Como serão vistas as usuários do metrô que não optarem por utilizarem esse vagão exclusivo? “Safadas”, “olha lá, ela escolheu vir aqui”? Os demais vagões serão espaços com autorização ou vista grossa para abusos, passadinhas de mão e encoxadas?

Mais uma vez estão nos podando, criminalizando. A culpa é dos nossos corpos? das nossas bundas? Ora, que sociedade é esta que vê, admite e outorga a falta de respeito. Por acaso os homens são animais irracionais? Incapazes de controlar suas “tentações”, “desejos sexuais”? Não, não o são e defendo vários deles, que penso devem estar insultados por este projeto de lei do PMDB.

Mais uma vez, a mulher é a tentação na vida do homem. Desde Eva somos as culpadas pelo erro. A vítima se torna a criminosa. Como escreveu a jornalista Eliane Brum, hoje nos colocam em vagões exclusivos e amanhã? saímos de burcas, cobertas para não chamar a atenção dos “pobres e incontroláveis homens”? Ora, que absurdo.

Somos a maioria! Não seremos confinadas ou adjetivadas por entrar neste ou naquele espaço. Somos livres. Mulheres eduquem seus filhos para que se comportem como gente e Homens, por favor, o sejam. Simples assim.

Escravidão ainda é realidade em Guarullhos

Mais uma oficina de costura que opera com mão de obra 'escrava' / Foto da Fiscalização do MTE
Mais uma oficina de costura que opera com mão de obra ‘escrava’ / Foto da Fiscalização do MTE

A empresa têxtil Mar Quente Confecções Ltda. de Guarulhos foi incluída, na última terça-feira, no Cadastro dos Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – a chamada lista suja’- por ter sido flagrada em ação fiscal da pasta o ano passado por submeter seus trabalhadores a condições análogas ao trabalho escravo.

Localizada no Jardim São João (Região São João), a oficina de costura contratada pela empresa contava com três trabalhadores bolivianos que foram libertados da situação degradante em que se encontravam. Ontem, a Folha Metropolitana esteve no local e verificou que ainda há uma família boliviana residindo no espaço que era uma oficina.

“A oficina foi lacrada, o pessoal que trabalhava aqui para mim voltou [para a Bolívia]. Não sei de mais nada, fiquei aqui abandonado”, disse o boliviano que tomava conta da oficina que não quis se identificar à reportagem, afirmando que não há mais trabalho com confecções e que ali apenas reside de aluguel com sua esposa e seu filho.

Na atualização semestral da “lista suja” foram incluídos os nomes de 91 novos empregadores e excluídos 48, em decorrência do cumprimento dos requisitos administrativos. Atualmente o cadastro possui 609 nomes de empregadores flagrados na prática de submeter trabalhadores a condições análogas às de escravo, sejam pessoas físicas ou jurídicas.

Publicada na Folha Metropolitana, edição de 4 de julho.