Salzburgo

Pela janela do trem veloz que corta este canto do leste Europeu, Salzburgo aparece como mais uma beleza escondida do Velho Mundo.

Entre as montanhas pintadas pela natureza de verde, marrom, vermelho e todas as nuances possíveis nesta paleta de cores despontam florestas, torres e muros que recordam tempos medievais, em que só os livros e depois o cinema puderam registrar.

Chove lá fora e as vacas passeiam nos pastos. Casinhas com chaminés lembram que ali há famílias que precisam de calor. Flores decoram varandas. A vida acontece com ou sem cinema.

Escrevi sobre Salzburgo recentemente, na verdade sobre os 50 anos do filme A Noviça Rebelde, para a seção de Cultura da Revista Família Cristã, e essa cidade que atravessa meus olhos neste momento era e é cenário desse sucesso cinematográfico, já parte do nosso repertório cultural.

Compartilho o texto escrito há meses e minha alegria por testemunhar agora, além das telas, a beleza única deste lugar:
A Noviça Rebelde chega aos 50 anos

O filme resgata com música e alegria o humano, em tempos em que as famílias vão deixando de ser espaço de diálogo e amor.
Poucas são as atividades que conseguem unir os sentimentos de diferentes gerações, que valorizam a vida em sua simplicidade, nos pequenos encontros do cotidiano, em família. O filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965) consegue isso e o faz há 50 anos, elevando o nome do Estado de Salzburgo, localizado no extremo norte da Áustria Central, a um dos locais mais musicais do mundo, porque foi por ali também que em 1756 nasceu o compositor Wolfang Amadeus Mozart.

A história de A Noviça Rebelde é baseada em fatos e conta a história da família austríaca Von Trapp, que em 1938 foge da invasão nazista para buscar refúgio nos Estados Unidos. Mas a trama vai além, revela uma história universal, um caso de amor entre uma noviça e uma família. Talvez aí esteja o segredo de tamanho sucesso, tanto nas telas do cinema quanto nos palcos.
A família: as sete crianças e o capitão da marinha Georg Von Trapp (Christopher Plummer) viviam em luto imposto pela saudade da mãe biológica. Sem jeito para lidar com a ausência materna, o capitão imprimiu um regime espartano, de quartel, que no cinema ficou engraçado. Talvez não fosse para as crianças. Auxiliado por um apito, impunha suas regras para conduzir a turminha, que, arredia, espantava as candidatas ao cargo de governanta. Isso até a chegada da noviça rebelde, Maria (Julie Andrews).

A nova governanta, Maria, era jovem, bonita e cheia de vida. Era noviça no convento beneditino na Abadia de Nonnberg, em Salzburgo. Encantada pela natureza dos Alpes, sempre se “perdia” cantando. Cantar, aliás, era uma de suas paixões. Anos antes de entrar no convento sempre ia a igrejas assistir às apresentações de Bach. Inclusive, em uma destas ocasiões decidiu tornar-se freira.

Mas a verdade é que Maria era considerada rebelde demais. Já noviça, subia em árvores e ralava os joelhos. Atrasava-se para tudo, menos para comer, assim revelaram as freiras na história. O filme te faz sorrir e cantar com a alma. Leva-te à infância, ao Dó-Ré-Mi.

Mas Maria não conseguia lidar com as normas do convento, dado seu espírito excessivamente livre para amar a natureza, a música e a Deus manifesto e presente nos outros. A madre superiora do convento questionou-a sobre sua vocação religiosa e, sábia, a mandou para fora dos muros do claustro, para a mansão da família Von Trapp, onde iria cuidar das crianças impossíveis de serem domadas. Ali, a jovem descobriu sua maior vocação: a de ser mãe e ter uma família.

Com o passar do tempo, as crianças e a noviça vão criando fortes laços afetivos, sendo a música o fator de união. Ela se apaixonou pelas crianças e pelo capitão, o inverso também aconteceu e ali surgiu uma família, com, claro, todos os enredos de uma história de amor, alimentados também pela então Baronesa (Eleanor Parker), noiva do capitão Georg, com separações, impossibilidades e reencontros.
E assim, depois de quase três horas de filme, Maria e Georg se casam na mesma abadia que ela frequentava quando ainda era noviça. Ela com 22 anos, e ele com 25 anos a mais. Além de cuidar dos sete filhos que Georg teve com a primeira esposa, Agatha Whitehead, Maria teve outros três, que o filme não apresenta.
Escrito por George Hurdalek, baseado no livro The Story of the Trapp Family Singers, de Maria Von Trapp, e dirigido por Robert Wise, o filme revela em 12 cenas paisagens belíssimas de Salzburgo, e talvez a mais famosa delas se passe nas montanhas onde Julie Andrews aparece cantando The Hills are Alive with the Sound of Music. Cena imortalizada no cinema mundial.
A Noviça Rebelde venceu os Oscar de melhor filme, diretor, edição, som e trilha sonora em 1966. Recebeu ainda indicações ao prêmio de melhor atriz para Julie Andrews, melhor atriz coadjuvante para Peggy Wood, a madre superiora, e melhor fotografia a cores, direção de arte a cores e figurino a cores. Além de levar o Globo de Ouro no mesmo ano como melhor filme na categoria comédia/musical e melhor atriz em comédia/musical, premiando Julie Andrews. É um dos musicais mais populares já produzidos, estima-se que já arrecadou mais de 1 bilhão de dólares.

A história é bela, popular e de muito sucesso. Envolvente, reforça a importância da família, do afeto e da ternura entre pais e filhos. Resgata o humano nos tempos em que o nazismo perseguia e matava. Resgata o humano em tempos como os nossos, em que as famílias vão deixando de ser espaço de diálogo e de amor.

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