O Peso do Jumbo chega a SP dia 18

Quando o jornalismo te leva para além da obviedade, de julgamentos e percepções rasas, para a realidade de um tema que criminaliza até quem o toca

WhatsApp_O-peso-do-jumboBanner, convites e marcadores de página. Tudo está pronto para o lançamento do meu mais novo livro em São Paulo. Estou me referindo a O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere, que chega aos leitores da capital paulista no próximo dia 18, uma quarta-feira, às 19h, na Livraria da Paulus da Vila Mariana, o mesmo lugar onde há três  anos eu lançava em 2017 meu primeiro livro, o Mulheres Extraordinárias.

Vamos a O Peso do Jumbo. Ele surgiu,  inconscientemente, há cerca de 15 anos, mas na prática eu levei um ano e sete meses para realizar todas as  viagens, entrevistas, pesquisas, apurações  e a elaboração do texto em si. Este livro é, portanto, o resultado de anos e anos de cobertura do sistema carcerário, iniciado em meus tempos de repórter do jornal O SÃO PAULO.

Lá, uma jovem repórter, ainda sem dores nas costas e grudada em um bloquinho, cobria o trabalho da Pastoral Carcerária Padre Macedo, da Região Episcopal Brasilândia. Eu adentrava as unidades penitenciárias pelas mãos da Nice, a Laudenice Pereira, e quem leu o Mulheres Extraordinárias já a conhece bem.

O trabalho de apuração naquele tempo consistia em ver a atuação dos agentes da Pastoral, mas eu não parava aí e conversava com os presos, funcionários do presídio e familiares, que estavam à porta das unidades penitenciárias. Começava ali o interesse por uma realidade que fica à margem da sociedade e que a reflete de modo único, real e constrangedor.

Cadeia Pública de Porto Alegre
Com a juíza Sonali Da Cruz Zluhan na cadeia Pública de Porto Alegre, maio de 2018 | Foto Lizandra Nunes, assessora de assuntos estratégicos da Cadeia Pública

 

Lembro-me bem da primeira vez que atravessei aqueles muros. O ar suspenso, o barulho das trancas, o cheiro úmido desagradável, o nó no estômago, a garganta seca. O silêncio. Os gritos. Hoje tudo é dramatizado por séries de streaming, mas nada substitui a experiência que fundamenta minha ideia de que quem entra ali sai diferente. Eu saí.

Página 9, O Peso do Jumbo
Mas o livro é mais. É o conjunto de uma série de visitas realizadas em presídios gaúchos e paulistas, entre 2017 e 2018, somado a conversas com juízas, familiares de presos, brigadianos, defensores públicos, agentes da Pastoral Carcerária, pessoas presas… É –  em palavras – aquilo que uma mulher sente dentro do cárcere, seja ela presa, repórter ou agente do Estado.

É prática do jornalismo que busca exercer sua função social, a de informar a sociedade para que ela, munida da verdade, tome suas decisões. Por isso também, minha campanha diária contra a notícia falsa, a popular fake news, que marca a sociedade contemporânea brasileira.

 

Há muito o que falar sobre este livro, mas ele já está escrito e pronto para a sua leitura. Sugiro fortemente que o leia. E se ainda não te convenci a participar do lançamento no dia 18 ou a comprar este livro, compartilho com você algumas das boas e interessantes entrevistas que concedi nas últimas semanas sobre este trabalho. Escrevê-lo me incomodou, me machucou e espero – sinceramente – que incomode também você.

 

Lançamento do livro O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere
Data: 18 de março, às 19h
Local: Livraria da Paulus Metrô Vila Mariana (Rua Dr. Pinto Ferraz, 207 / São Paulo)
Informações 
WhatsApp: (11) 98751-3009  Tel.: (11) 5549-1582

Bem-vindos/as de volta

DSC_8861_foto Luciney Martins
Sessão de fotos com Luciney Martins

O Ká entre nós está de volta e promete ser espaço de diálogo com você meu leitor e minha leitora que chegou até aqui por distintos caminhos. Alguns, através de matérias e reportagens publicadas em sites, revistas e jornais por onde passei. Outros por meio dos meus três livros publicados com a Paulus Editora. Sim, agora são três: Mulheres Extraordinárias, 2017; Irmã Dulce, a santa brasileira que fez dos pobres sua vida, 2019; e O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere.

“Karla, você entrou em presídios?” ou “Você escreveu um livro sobre a santa brasileira rápido assim?”. Estas são perguntas rotineiras vindas especialmente de estudantes de jornalismo têm o sim como resposta. Mas como? Praticando jornalismo que não tem nenhum glamour ou fantasia e sim muita apuração, escuta, disciplina.

O jornalismo, este que fala da vida real, vem sendo ampla e intensamente atacado por ondas de fakenews, seja pelo presidente da República e seus seguidores, seja por amigos e parentes que preferem acreditar naquilo que chega em seus Smartphones do que naquilo que você ou outros jornalistas apuram e compartilham. Eu passei e passo por isso, diariamente.

Jornalismo, literatura, direitos humanos e cinema sempre foram temas atacados por quem não comunga com a liberdade de expressão e é por isso que eles são meus temas favoritos, desde a criação deste blog, quando eu ainda estava na faculdade, lá no Mackenzie, anos atrás. Eles continuarão aqui e mais do que nunca. São minha resistência e talvez terapia, porque acredito fortemente que eles são nossa válvula de escape e ferramentas para defender a sociedade que desejamos: livre de ignorância e de intolerância.

Este blog será nosso espaço de diálogo. Vem bater um papo comigo. Apropriem-se dos muitos textos já produzidos e publicados, eles mais do que eu, revelam minha motivação diária de produzir e compartilhar informações verdadeiras. Interajam! Por enquanto é isso. Lavem bem as mãos e várias vezes ao dia. Não se deixem acometer pela onda de fakenews sobre coronavírus, elas já nos causaram impactos demais.

Te “vejo” ainda nesta semana e com novidades!