Agora, temos podcast

Inauguro hoje meu podcast Ká entre Nós. Toda sexta-feira, trarei uma provocação, um tema, uma lágrima ou um sorriso. Trarei livros, colegas, e enfim, um espaço nosso. Inicio hoje com minha reflexão sobre as tantas culpas que uma mãe carrega, em especial, as mães que estão presas, baseada na apuração de meu livro O Peso do Jumbo.

Seja bem-vindo, seja bem-vinda 😉#opesodojumbo

as tantas culpas de uma mãe

Foto de capa original do meu livro. Tirada por mim, enquanto acompanhava uma mãe que visitava sua filha no cárcere. Lúcia e O Peso do Jumbo.

Como e onde as gestantes encarceradas têm seus bebês? Pensei nisso relendo algumas páginas de meu livro nestes dias de bombardeio de publicidades sobre o Dia das Mães.

Nos cárceres em São Paulo e no Rio Grande do Sul, percebi que o cumprimento de pena das mulheres é mais pesado, porque a elas recai um sentimento de culpa por não poder cumprir todos os papéis que assumem na rua, no dia a dia.

Ser mãe, amamentar, acalentar, ensinar as primeiras palavras. Criar, cuidar, prover…Essa culpa nem sempre acompanha os homens. Poucas vezes registrei.

A culpa é um sentimento que acompanha todas nós mulheres. Livres ou não. Como pena, sem direito de defesa, foi-nos imputada desde crianças por uma sociedade nem sempre gentil com nossa saúde mental, com nossos corpos e sonhos.

Culpa por não ser isso, não ser aquilo, ser algo inesperado, fora da caixinha pré-estabelecida, por não estar à altura, por estar acima etc. etc.

Agora imaginem a culpa na cabeça das mulheres presas? Não falo sobre seus crimes, mas sobre os papéis não vividos, suspensos, aniquilados.

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Segunda-feira é dia de correio, dia em que me dedico pessoalmente a enviar minhas obras até você. Se quiser saber mais sobre a vida das mulheres no cárcere e receber meu terceiro livro com dedicatória e muito carinho, basta me escrever nos comentários ou em minhas redes sociais.

Livro: O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere (Paulus Editora)
Você também pode comprar no site e nas livrarias espalhadas pelo país, respeitando os cuidados de afastamento, uso de máscara etc.

A batalha contra a covid-19 é grande e precisamos fazer nossa parte.

Dias de correio são assim

Os dias de correio têm um ritual que me movimentam de um jeito único… desde o início da pandemia não encontro mais leitores pessoalmente, então faço desse momento de venda e dedicatória do livro, um momento de encontro, especial mesmo.

Busco um café quentinho. Hoje está bem cremoso. Sento no sofá e em seu braço, apoio a pequena pilha de livros. Um a um vou abrindo e relendo frases que escrevi em outros tempos. Tenho frio na barriga. Uma alegria boba encontrada entre um silêncio e outro.

Naquele sofá, onde a luz banha-nos de energia, escrevo cada uma das dedicatórias pensando em seu portador. Portadora na maioria das vezes. Acho o momento tão solene, que antes eu mesma faço minhas unhas, juro e rio de mim mesma.

Encaixo o marca-páginas com saudades da Rê, quem faz tudo o que há de bonito que acompanha as minhas palavras. E pronto, envelope, endereço e rua.

Máscara, alcool em gel e prudência até a agência do Correio, lá no centro de Guarulhos. Cruzo a praça Getúlio Vargas, cumprimento os que por ali vivem e fila.

As filas revelam traços interessantes do brasileiro, como a dificuldade de respeitar o distanciamento. O chão está marcado, mas é ignorado. Ô, povo, carente… antes fosse só de contato humano.

Nos guichês, os sorrisos são conhecidos. Eles sabem que ali estão meus livros e tratam os envelopes com cuidado. Observo. E assim, eles seguem seu percurso até os olhos, a vida de alguém.

Dias de correio são quase sempre assim… 😉
Se quiser meu terceiro livro, O Peso do Jumbo, eu os tenho aqui. Me avise, que terei o prazer em fazer sua dedicatória e enviá-lo ainda hoje.

#opesodojumbo #karlamariajornalista #correios #dedicatórias #livros

O começo de um livro

Minha ideia de escrever o livro O Peso do Jumbo surgiu após eu sentir o impacto que o livro Mulheres Extraordinárias tinha gerado nas pessoas. Admito.

Foi incrível viajar pelo país e ver as mulheres se identificando com as histórias e debatendo temas que são tão nossos como a violência doméstica, o controle, a inexistência, a violência do Estado em nossas vidas, a depender do tema… nossas relações amorosas, nossas inspirações, sonhos e lutas .

Tanto as linhas que escrevi nesse livro, quanto os encontros que elas me provocaram mexeram demais comigo.

Ao ver e sentir o impacto do livro de estreia, decidi propor a Paulus Editora que apresentássemos o sistema carcerário de um jeito humano, responsável e real para meus leitores, que envolvesse todos os seus atores, desde aquele e aquela que cumpre pena até o juiz que a sentencia.

Eu precisava cumprir minha função como jornalista, e de um modo desafiador que eu passara a experimentar: os livros.

Meu objetivo foi e é dar luz a uma questão tão ligada à segurança pública, ao tráfico de drogas, às facções criminosas, ao papel da imprensa na formação de consensos e do imaginário nosso sobre “bandido bom é bandido morto”.

Escrevi o livro norteada pelos passos de dona Lúcia, mãe de uma jovem presa por tráfico. Ela estava presa sem grades.

Lúcia me ensinou, assim como tantos outros e outras entrevistadas, e está tudo aí. E juro, que ao entregar esse livro, depois de 1 ano e sete meses escrevendo, tirei um peso das costas, mas não da alma.

Um peso que carrego desde a primeira vez que pisei em um presídio com pouco mais de 20 anos pelas mãos da Pastoral Carcerária Padre Macedo da Brasilândia.

Eu me coloquei no lugar daquelas pessoas e pensei como eu sairia do presídio sendo tratada como tudo, menos gente. Quais as consequências disso para a sociedade brasileira. O que é a justiça? O que são os direitos humanos? E a dor? A falta de humanidade de quem comete um crime?

Senti raiva. Perdi a esperança. Conheci as regras do crime. A omissão e o fracasso do Estado.

Mas encontrei esperança. Juro. O resultado está aí. Em detalhes, com cuidado, respeito e dedicação.

Você encontra meus livros no site da Paulus ou comigo 😉

#opesodojumbo #karlamariajornalista

Dia do jornalista, e…

Dia do jornalista e por isso dia de angústia também. Dia em que lembramos o nosso papel de desmentir a mentira institucionalizada, de combater a banalização da verdade, a relativização da Ciência, a criminalização dos repórteres, a precarização do nosso trabalho dia a dia, as ameaças veladas e também diárias à democracia, à liberdade de expressão.

Força aos colegas que continuam com ética e compromisso em meio ao caos que vivemos.

Foto do colega Joaquim Souza, enquanto eu cobria as cheias do Rio Madeira, em Porto Velho (RO), em abril se 2014.

#karlamariajornalista

Recomecemos honrando-nos umas às outras

Nossa vida às vezes parece um filme, não é verdade? Roteiros duros, surpreendentes, apaixonantes, cansativos… reescrevê-los é sempre necessário, porque a vida é sim um ciclo de recomeços pequenos e diários que demandam nosso protagonismo, energia e presença. É assim até a morte. Penso que recomeçar seja o verbo mais vivido por nós mulheres…. 😉

Mulheres da Brasilândia em 2007, durante caminhada da Campanha da Fraternidade_ Foto Karla Maria

Por isso recomecemos hoje também pensando que há muito a conquistar: tempo, silêncio, amor próprio, direitos, espaços e oportunidades. Recomecemos quebrando padrões, falsos moralismos, julgamentos, o patriarcalismo.

Recomecemos alimentando a empatia por aquelas mulheres sem privilégios, cujas existências foram pré-definidas pelo capitalismo selvagem, pelo racismo estrutural, pelo machismo mortal.

Recomecemos enxugando as lágrimas e abrindo sorrisos com gana, esperança, solidariedade, sempre com o pé na realidade, essa que diariamente finda ciclos entre nós.

Recomecemos, mulheres.
❤✊🏽 #diadamulher#diadeluta

Mudando de casa e vendendo livros…

Neste momento estou empacotando vários objetos, e neste empacotar também de livros decidi vir aqui te avisar que tenho exemplares de meu terceiro livro “O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere” (Editora Paulus) para te enviar… que tal?

Comprando meus livros, comigo ou com a editora, você apoia meu trabalho como escritora, meus futuros projetos literários, e se informa com qualidade. 😉

Quer comprar comigo? Me escreve…

#opesodojumbo #karlamariajornalista #livros

Os livros de uma repórter

Ontem foi o #diadorepórter, um dia bacana pra exaltar o trabalho de tantos colegas de profissão que “gastam sapato”, mesmo em tempos pandêmicos, para trazer informação de qualidade e sustentar nossa democracia.

Como repórter, trabalhei em diversas redações, nas quais aprendi demais sobre a importância do trabalho coletivo, da apuração séria, do compromisso com o leitor/a, com o país.

Hoje, como repórter independente, sinto falta do frenesi de um fechamento, do café e do papo com os colegas, mas continuo fazendo jornalismo. Prova disso são meus três livros, resultado de anos de trabalho de reportagem, de escuta, pesquisa, apuração, envolvimento e entrega.

Se você é estudante de jornalismo, te desafio a tomar contato com a realidade da profissão por meio dessas páginas. Se você é colega de profissão ou um amante dos livros, ávido por realidades que impactam a vida e o imaginário do coletivo brasileiro, convido/a também a conhecer meus livros.

Como sempre digo, segunda-feira é dia de correio, portanto, se ficar interessado/a em comprar as obras com dedicatória, basta me escrever que envio com marca-página especial.

Meus livros foram publicados pela Editora Paulus e, portanto, você também os encontra em todas as boas livrarias espalhadas pelo país e também no site da editora 😉

Dúvidas? Avaliações sobre os livros? Escreva que adoro receber uma “cartinha” 😉 #opesodojumbo #irmãDulce #mulheresextraordinárias #karlamariajornalista @editorapaulus

Diplomada na AGL

A quarta-feira, 27, estava quente em Guarulhos, e o Lago dos Patos especialmente bonito. É ali, no entorno do lago, que fica a sede da Academia Guarulhense de Letras (AGL).

Foi também naquela quarta-feira que fui diplomada como membro efetivo da AGL ocupando a cadeira 8, cujo patrono é o jornalista, poeta, escritor Aristides Castelo Hanssen, que faleceu em 6 de março de 2020 em Guarulhos.

Fundada em 8 de dezembro de 1978, “A Academia Guarulhense de Letras tem por fim a cultura da língua, da literatura nacional e a preservação do patrimônio histórico e geográfico do município.”

Saiba um pouco mais da Academia e conheça os demais acadêmicos e sua produção literária, aliás… esta será uma das minhas grandes e saborosas missões na AGL: apresentar e difundir a literatura produzida na cidade de Guarulhos. Bora…

No meio da pandemia, o Prêmio Guarulhos de Literatura

Em meio à pandemia, a literatura resiste, insiste, floresce. No sábado, 21 de novembro, escritores e escritoras de todo o país se reuniram virtual e presencialmente para a entrega do Prêmio Guarulhos de Literatura 2020. O encontro presencial banhando a álcool em gel aconteceu no Espaço Livre Café Bar, da querida Vera Novo.

Como escritora finalista que reside em Guarulhos fui à entrega pessoalmente. De máscara e óculos, já que me recupero de uma lesão no olho esquerdo, estava lá feliz ao rever colegas que admiro. Entre eles Auriel Filho, quem sonhou e fez acontecer esse prêmio, além de César Magalhães Borges e Rogério Brito Correia.

Foi com grande alegria e medo do microfone (na verdade do vírus da Covid-19) que recebi o segundo lugar na categoria Escritora do Ano de 2020, e primeiro lugar na categoria Livro do Ano com O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere.

O Prêmio leva o nome de Guarulhos, mas é aberto a inscrições de todo o país. Foram 253 obras inscritas, inclusive finalistas do Prêmio Jabuti. Foi, portanto, uma “festa” bonita, e compartilho com vocês o nome dos vencedores e vencedoras, e convido a conhecerem e lerem os seus trabalhos, os nossos trabalhos.

Categoria poesia de textos inéditos

1º lugar: Leandro Rodrigues – Do mofo suas simetrias
2º lugar: Thamires Andrade – Ombros ou poemas para seres cíclicos
3º lugar: Dilson Solidade Lima – Antes da mais Cinza Noite

Categoria escritor do ano
1º lugar: Viviane Ferreira Santiago (As dez Marias)
2º lugar: Karla Maria (O Peso do Jumbo)
3º lugar: André Kondo (Lendas japonesas)

Categoria Livro do ano
1º lugar: O Peso do Jumbo, de Karla Maria
2º lugar: A pandemia da invisibilidade do ser, de Paula Valéria Andrade
3º lugar: As dez Marias autora, de Viviane Ferreira Santiago

Os três finalistas de cada categoria receberam troféus, e os primeiros lugares de cada categoria receberam R$ 2.000. O poeta Leandro Rodrigues, autor de Do mofo suas simetrias, terá suas poesias publicadas pela Editora Patuá, uma das patrocinadoras do evento.

O Prêmio também homenageou o escritor, poeta cordelista e xilógrafo João Gomes de Sá, alagoano de Água Branca.

Destaco e chamo a atenção de vocês para a participação das mulheres, que, dentre as 253 obras inscritas, eram autoras de 200 delas. Exalto Viviane Santiago, Thamires Andrade e Paula Valéria. Juntas nos revezamos com nossa literatura nesse pódio. Exalto todas e todas que se atrevem a escrever, em tempos da banalização do saber e do viver.

Obrigada à Editora Paulus por apostar no livro O Peso do Jumbo, e obrigada também a meu companheiro Felipe, por permanecer ao meu lado, mesmo quando eu precisei atravessar fronteiras, muros e trancas.

O Peso do Jumbo revela traços de nossa sociedade. Revela homens e mulheres que estão envolvidos em um sistema que parece não ter solução e que está diretamente ligado à ausência de cidadania, direitos e paz em nosso país. Não há respostas simples em meu livro. Há complexidade, superação, prisão, punição, liberdade, paixão.

É isso, prêmios servem para nos animar a continuar. Continuarei!