Archive for the 'Comportamento' Category

Jovens buscam um novo jeito de fazer política

2013-06-17 18.52.01Na esteira das manifestações sociais e religiosas que ocuparam as ruas do Brasil nos últimos meses, apresento uma breve entrevista que fiz, em 2011, com Fernando Altemeyer Júnior, doutor em ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A avaliação de Altemeyer é pertinente para o momento em que vive o país.

Ká entre Nós:  Poderíamos afirmar que as manifetações juvenis hoje, são mais de cunho pessoal, do que coletivo? por quê?
Fernando Altemeyer: É um padrão que não resiste à crítica dizer que os jovens de hoje são menos articulados e utopicos que os de ontem. O que há é uma imensa mutação de quadros simbólicos e de aprojeção cultural. Os jovens não são mais nem menos “coletivos” que os de maio de 1968 ou os “caras-pintadas” da década de 1990. São coletivamente diferentes.
Há manifestações juvenis eclodindo em todos os níveis: pessoais, afetivos, coletivos, articuladas, individualizadas, virtuais, libertadoras e miméticas ou ainda até alienadas e fundamentalistas. A capacidade polivalente dos jovens em dizer suas palavras, seus medos e suas esperanças se exprime de formas variadas (mauitas alegres e outras patéticas e plenas de sofrimento). A grande questão é se há interprétes para compreender esta “música” que por eles é produzida e difundida pelos quatro cantos do planeta. E sabendo ouvir, saber também dialogar. Ser ou não ser: eis a questão!

Ká entre Nós: Por quê o jovem, na grande maioria, não se filia mais a partidos políticos?
Fernando Altemeyer: Me arrisco a comentar sua afirmação assumindo que a participação juvenil em instituições formais tem diminuido. Penso que seja verdadeira esta desfiliação ou não-filiação, pois isto indicaria que os jovens preferem participar ativamente da sociedade civil, mais que da organização partidária, pois ela está viciada pelo poder e por mecanismos de manutenção de privilégios.
Muitos partidos não tem ajudado a forjar a democracia de forma clara e transparente. O que vemos é gente boa metida em máquinas velhas com resultados pífios. Alguns conseguem algo, mas outros são engolidos e manipulados. E ainda há as velhas raposas que querem manter a injustiça e a segregação de classe e raça em nosso país. É a velha e recorrente oligarquia que muda de partido mas não muda de prática corrupta e oportunista. Serve-se do Estado e dos bens públicos e não se fez servidor e funcionário do povo.
Talvez seja isso aquilo que afaste. Esta falta de ética e de visão utópica. Os jovens percebem que não há exemplos claros de valores. Fala-se muito e faz-se pouco ou nada. Jovem quer testemunho, beleza e festa. Haverá esta matéria prima onde? Nos partidos, com certeza, há grave carência. Penso que muitos jovens tem buscado alternativas para construir relações novas em favor de um outro mundo possível.  É esta sede que devemos alimentar e fomentar.

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Meus dias de conclave

jornalistaLonge das minhas habituais pautas, os últimos dias foram para mim um conclave, e explico. Morando em um país de minoria católica, acompanhei os passos dos 115 cardeais pelos sites e tvs de diferentes países. Esta foi, sem dúvida, uma experiência importante, um exercício de observação do comportamento da mídia e do impacto que este homem, agora líder de 1,2 bilhão de pessoas já provoca na sociedade.

O primeiro impacto, simplicidade e despojamento. Francisco, o papa, chega pedindo a benção do povo,  se curva a ele, em um gesto de serviço e amor. Seu nome revela o cuidado necessário e urgente com os pobres. Um segundo impacto, as notícias que emergem sobre a ligação do então arcebispo de Buenos Aires, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, com a última ditadura militar na Argentina (1976-1983).

Para refutar o segundo impacto, o ativista argentino de direitos humanos Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1980, em entrevista a BBC Mundo afirmou: “Questionam Bergoglio porque dizem que ele não fez o necessário para tirar dois sacerdotes da prisão, sendo ele o superior da congregação de jesuítas. Mas eu sei pessoalmente que muitos bispos pediam à junta militar a liberação dos presos e sacerdotes e não eram atendidos”.

O caro leitor deste Ká entre Nós, que muito me honra com a sua presença virtual pode também apontar “a Karla Maria, claro, vai defender o papa porque ela é jornalista católica”… Tenho ouvido isso nesses dias e me sinto na obrigação de esclarecer que sim sou católica apostólica romana, isso faz parte da minha cultura, da minha opção de vida.

Obviamente que os valores que aprendi na Igreja Católica se aplicam diariamente no meu jornalismo, porque valores, ora, são valores, e posso falar sobre eles: amor e respeito ao próximo de toda cor, origem, raça, gênero, credo, compromisso de serviço à sociedade, solidariedade, busca por justiça e dignidade.

Somado a esses valores estão o faro e a alma da jornalista que sempre procura a verdade dos fatos e dos dados à serviço do bem comum, e de acordo com meu compromisso profissional jamais me refutarei a escrever a verdade apurada, ainda que atinja meus “amores, credos ou ideais pessoais”. O que não posso e não farei é entrar na onda dos achismos infundados, do jornalismo preguiçoso e republicar informações sem dados ou provas concretas.

Ser católica não limita ou restringe meu compromisso com a pluralidade e a verdade dos fatos, só reitera meu dever de trabalhar pelo bem comum, sempre, pela verdade, sempre.

Haiti recebe ajuda de missionários de SP

Missionário alimenta crianças na "creche improvisada", em Walf Jeremie, Porto Príncipe, capital do Haiti

Há quatro meses em Walf Jeremie, membros da Missão Belém trabalham na construção de uma creche

De volta ao Brasil, depois de 25 dias no Haiti, padre Giampietro Carraro, fundador da Missão Belém, concedeu entrevista exclusiva a O SÃO PAULO. Encontramos o missionário às 11h do dia 19, no salão da Paróquia São João Batista do Brás, no centro. Ele falava para 34 missionários, na sua maioria  jovens, gente simples no vestir e no sorrir. Padre Giampietro falava dos desafios encontrados em Walf Jeremie, Cite  Soleil – um bolsão de pobreza com 800 mil pessoas no país caribenho, que  teve seus problemas de infraestrutura intensificados depois do terremoto de  12 de janeiro de 2010.

Karla Maria – Como estão e qual o trabalho dos missionários neste momento no Haiti?
Padre Giampietro Carraro – Durante minha visita [de 1º a 25 de janeiro] encontrei os missionários tentando ajudar o povo, logo que chegaram se  depararam com o cólera e ajudaram em um ambulatório. Estão em uma área  de 30 mil barracos e não existe uma igreja, estamos tentando montar comunidades e a escola vai junto. Estamos lutando para isso. Estão morando no meio do povo, em uma tenda emprestada.

KM – O senhor acredita que será possível construir a creche ainda neste  ano? Os recursos são suficientes?
Padre Giampietro – Ganhamos um terreno que dá para fazer 20 salas de 40  metros quadrados. O povo mostrou que tinha um terreno e fomos à prefeitura, assinamos o papel e pronto. Temos uma engenheira voluntária e dois empreiteiros italianos, estamos colocando as bases, estamos  construindo em cima de um mangue. Prevemos que até junho ou julho ela já possa funcionar, mas há muita dificuldade, não tem água, não tem luz, então  é necessário criar uma estrutura que se possa resolver esse problema. Não temos dinheiro, mas estou certo de que Deus vai providenciar.

KM – Com quais recursos o senhor conta para a construção dessa creche? [Segundo padre Giampietro a obra terá um custo de 500 mil reais].
Padre Giampietro – Além do dinheiro da Cáritas Arquidiocesana [Campanha SOS Haiti] contamos com o dinheiro vindo da Itália. Ainda estamos muito longe de cobrir as despesas, temos dinheiro para fazer as bases e o piso,  depois Deus deve mandar o dinheiro para as paredes e para o teto.
KM – Enquanto a creche está em construção, qual tem sido o trabalho dos missionários?
Padre Giampietro – Na tenda emprestada em que estão morando, iniciamos nosso primeiro embrião já foram montadas e cada uma tem o custo de 2 mil e 200 dólares] de estrutura metálica com um tipo de madeirite reforçado, serão salas de 30 metros quadrados. Em 15 dias já estarão funcionando. Programamos que naqueles espaços as crianças recebam o banho e a alimentação junto com a mãe, que irá à aula de  alfabetização, costura e catequese.

KM  – Como a população tem reagido frente ao contexto político no Haiti?
Padre Giampietro – Olha, para falar a verdade, a nossa população não se  preocupa muito com isso, porque a primeira preocupação é sobreviver. Todos estão desanimados, não veem muita perspectiva. O Haiti é uma  caixinha de surpresa, é uma loucura; não se sabe o que pode acontecer amanhã, o Baby Doc voltou um mês atrás, está voltando o Aristides (ex salesiano), em seu mandato o vudu foi proclamado a religião do Estado,  voltaram os sacrifícios humanos, houve muito roubo, corrupção.

Na tarde do dia 20 de fevreiro, Vanessa Matias dos Santos e Emanuel
Messias Guedes, jovens da Missão Belém, foram enviados para reforçar o trabalho no Haiti. A data da viagem ainda não foi defi nida. Até o momento a
Campanha SOS Haiti, da Cáritas Arquidiocesana, arrecadou cerca
de 40 mil reais.

Publicada no jornal O SÃO PAULO

13.666 enfrentam o frio das ruas de São Paulo

foto Karla Maria | Na primavera o frio é outro, jovem no centro de SP

Os termômetros em São Paulo registram as temperaturas mais baixas do ano até o momento. São 8°, 9° que tiram os agasalhos do armário e espalham o vírus da gripe entre os paulistanos. Quem passa pelo centro da cidade, não pode deixar de notar, aqueles que dormem nas calçadas, e sentem a frieza da cidade de um modo diferente. Segundo pequisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), cresceu em 57% o número de moradores em situação de rua, de 2000 à 2009. São 13.666 cidadãos  que sentem o frio na alma. Segundo a secretária e vice-prefeita Alda Marco Antonio, a prefeitura dispõe de 8.000 vagas em albergues e outros centros de acolhida (moradias provisórias, hotéis sociais, etc.).  A matemática simples, nos revela, portanto, que a maior cidade da América Latina não tem políticas públicas suficientes, que assegurem dignidade às pessoas que moram pelas ruas da cidade.

Há quem se contente com a lei da cidade limpa, e há quem não se cale. Júlio Lancellotti, padre na cidade fala da política higienista dada aos moradores em situação de rua em SP, em entrevista concedida a André Cintra, do portal o Vermelho e denuncia que em São Paulo existe “uma cultura de que matar morador de rua é um favor, uma forma de resolver o problema, porque eles somem, desaparecem”. Segundo o padre, “se o povo da rua desaparecer, ninguém vai sentir falta. No dia em que for feita uma política pública que os elimine, ninguém vai lamentar ou querer saber como eles sumiram”.

Padre Júlio Lancelotti, Vicariato do Povo de Rua

A entrevista de Lancellotti integra a série “Povos da Rua — A ‘Faxina Social’ de Serra e Kassab”, que o Vermelho publica a partir desta quinta-feira (20). A iniciativa se propõe a denunciar práticas higienistas iniciadas em São Paulo em 2005, com a posse do prefeito José Serra (PSDB). Confira.

Vermelho: Desde 2005, a Prefeitura tenta implantar, e não consegue, o projeto Nova Luz, sob o pretexto de revitalizar o Centro de São Paulo. Essa iniciativa, ainda que mal-sucedida e incompleta, não acelerou a higienização, ao pôr a especulação imobiliária acima dos direitos humanos?
Júlio Lancellotti: Mas eles nunca ouviram falar em direitos humanos. Eles não sabem o que é isso nem para os trabalhadores da construção civil. Nós estamos aqui estarrecidos com o operário que caiu do elevador e morreu e morreu aos 18 anos (o técnico em manutenção Ray Souza Oliveira faleceu em 6 de maio, na obra onde trabalhava, em Setãozinho, depois de ser prensado por um elevador).

Os dois engenheiros da construtora que fazia a obra (a Stéfani Nogueira) manipularam, mexeram no local do crime e depois deram R$ 10 mil para a polícia, que os prendeu por corrupção ativa. Acho que é porque era pouco — só R$ 10 mil eles não queriam. Mas, enfim, a construção civil não sabe o que são direitos humanos. Olhe para seus operários, olhe o trabalho escravo.

Vermelho: Só neste ano, houve dois moradores de rua mortos a paulada, enquanto dormiam, na Praça Presidente Kennedy, e outros seis que foram assassinados, em circunstâncias idênticas, sob um viaduto do Jaçanã. Esses crimes não ocorreram no Centro — e nem sempre era a polícia que estava envolvida. Dá para dizer que se criou uma cultura de banalização dos sem-teto, que torna até mais frequentes esses extermínios?
JL: Eu acho que tem a banalização, mas esse grupo do Jaçanã, por exemplo, chama a atenção pela quantidade de tiros — a segurança de atirar e contar com a impunidade. O próprio comerciante que aparece na entrevista do SPTV disse: “Ah, mas eles fumavam crack, cheiravam não sei o quê, ficavam pressionando quem passava aqui”. Quer dizer, ele justificou.

Ontem eu recebi um Twitter que me perguntava quantas pessoas eles tinham assaltado — se por acaso eu já sabia disso. Hoje está-se criando uma cultura de que matar morador de rua é um favor, uma forma de resolver o problema, porque eles somem, desaparecem.

Eu pus aqui no Twitter, outro dia, uma frase da (professora universitária) Ermínia Maricato: “Os pobres têm um defeito: não desaparecem no fim do dia”. Se eles desaparecessem no fim do dia, todo mundo ia ficar feliz. Se o povo da rua desaparecer, ninguém vão sentir falta. No dia em que for feita uma política pública que os elimine, ninguém vai lamentar ou querer saber como eles sumiram.

Estamos tendo uma deturpação ética, ligamos a cidadania a um determinado comportamento. A pessoa que está na rua perde o status humano, deixa de ser uma pessoa com direitos e deveres. Como ela está profundamente lesionada, você não reconhece mais nela a dignidade humana. Se passar o trator em cima, tudo bem, porque ele perdeu o status humano.

Vermelho: Dá para comparar a uma carrocinha capturando um vira-lata qualquer pelas ruas?
JL: Não, esse pessoal se condói mais com o cachorro. Se bater num cachorro na Praça da Sé, vai ter mais auê do que se bater num morador de rua. Bate num cachorro para você ver. A gente devia fazer um dia uma cena para ver o que acontece. Se pegar um morador de rua e bater nele em frente ao Shopping Higienópolis, você vai ter apoio. Depois, se você pegasse um cachorrinho e começasse a bater nele, ia ter mais reação.

Vermelho: A comoção seria mesmo maior?
JL: Hoje, em São Paulo, há maior comoção com os maus-tratos a um cachorro do que com os maus-tratos a uma pessoa de rua.

Vermelho: São Paulo está ficando mais conservadora?
JL: Se você ligar o conservadorismo à desumanização, sim. A grande questão é que São Paulo está se tornando uma cidade desumanizada. Há sinais de esperança, há muita gente que resiste, mas há uma cultura de desumanização. Se uma pessoa idosa é maltratada numa parte do Metrô, a maior parte do pessoal fica calada. Ninguém reage. Eu não digo nem o morador de rua, porque o morador de rua não entra no Metrô.

Nós fomos andar pelo Centro da cidade para ver em que lugar a pessoa de rua entrava. Eles iam à frente, e eu ia à distância, com o fotógrafo, porque se me vissem podiam me reconhecer. No Shopping Light, por exemplo, foi um auê. No fim, quando vi que a situação ficou meio perdida, eu fui realmente procurá-los — e aí nem eu podia ficar dentro do shopping. Aí fomos tomar café, e eu disse que tinha o direito, que eram meus convidados. Tivemos de tomar o café com não sei quantos seguranças em volta de nós.

Vermelho: Você é otimista?
JL: Eu procuro ser esperançoso.

Vermelho: Qual é a diferença?
JL: O otimismo às vezes é visto como um pouco de alienação. A esperança é fincada no chão. Autores de origem marxista, como (o filósofo alemão) Ernst Bloch, vão falar na esperança — e de uma esperança que tem razões, busca, utopia, horizonte. Não podemos perder a noção de que nós fazemos uma ação histórica. Não é uma ação voluntarista, individualista.

É uma ação histórica, de classe, de um povo, de um grupo. Não vou sair lá no meio gritando sozinho e achar que, só porque eu quero, vai mudar. Eu quero fazer parte da história que vem de Bartolomé de las Casas, do Dom Oscar Romero, daqueles que resistiram e resistem à opressão. Muitos deles estão esquecidos, como o Frei Caneca, o Antônio Conselheiro. São histórias de resistência.

Vermelho: Há espaço para essa perspectiva crescer numa cidade como a São Paulo de hoje, sob o consórcio PSDB-DEM?
JL: Eu fico feliz quando vejo os jovens militantes, jovens socialistas, jovens que fazem a formação. Eles são poucos, mas são diferentes daqueles 500 que foram ontem andar de cueca e de calcinha no Metrô. Acham que fizeram a revolução, que agora o mundo é outro. A imprensa é que adora esse tipo de coisa de comportamento. É uma forma de mostrar rebeldia ou irreverência a uma sociedade apodrecida. Fico muito feliz mesmo quando vejo grupos de jovens. Essa chama não se extinguiu.

Twitter padre Júlio Lancelotti @pejulio

Extase no centro de São Paulo

Década de 70, Londres, jovens trabalhadores e suas histórias do cotidiano regadas a muito Gin. Este é o pano de fundo de Êxtase, uma versão de Mauro Baptista Vedia, do texto britânico de Mike Leigh. A peça gira em torno de Jane (Érika Puga), operária melancólica que trabalha em um lava-rápida, e convida a rir do ridículo, do melancólico, do amor e da falta dele.

Destaque para a atuação de Amanda Lyra, que faz das situações do cotidiano mais seimples, pontos altos de reflexão e riso. A trilha sonora é embalada por Elvis Presley, iluminação seca marcando os atos. O elenco reúne Érika Puga, Mário Bortolotto, Eldo Mendes, Amanda Lyra, Eduardo Estrela e Fernanda Catani.

A montagem está em cartaz até 10 de junho no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de terça à quinta-feira às 19h30, com ingressos de R$ 15. Estudantes pagam meia.

Nestes dias de frio, o centro de São Paulo, é um convite quente, cheio de possibilidades para alimentar o espírito e para a alma. O CCBB é uma destas possibilidades, fica na Rua Alvarez Penteado, 112 (3113-3651) próximo ao metro Anhagabaú.

Se aparecer por lá, sugiro o cappuccino do Café do CCBB.

Na Argentina casamento homossexual passa pela aprovação dos deputados e aguarda decisão do Senado

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou no dia 05/05,  a reforma do Código Civil, permitindo o casamento entre casais homossexuais. Se o Projeto de Lei for aprovado também no Senado, a Argentina será o 1° país da América Latina a permitir o casamento entre homossexuais.

O projeto de lei tem como objetivo reformar o Código Civil, no que tange os termos “marido e mulher” para “contraentes” do matrimônio.  Já a  Igreja Católica, segundo a Agência Frei Tito de Notícias, condenou a aprovação do projeto. “Os bispos da Argentina já se pronunciaram e disseram que não reconhecerão o casamento homossexual, nem a adoção de crianças por estes casais”, afirma matéria veiculada pela agência em 06/05 em seu site http://www.adital.com.br.

Deputados contra o Ficha Limpa

O Projeto de Lei Ficha Limpa prevê que se tornem inelegíveis por oito anos, pessoas que foram condenadas por um colegiado na justiça (mais de um juíz),  por causa de crimes dolosos, tais como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas,  desvio de verbas públicas. Essas pessoas, segundo o texto do projeto, já acordado e construído pelo Grupo de Trabalho constituído em Brasília por parlamentres e civis, deveriam ser preventivamente afastadas das eleições até que resolvessem seus problemas com a Justiça Criminal.

Parlamentares que renunciarem ao cargo para evitar a abertura de processo por quebra do decoro parlamentar ou por desrespeito à Constituição, ou ainda que foram condenados em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa, também não poderiam se candidatar.

Estas são as condições para a candidatura que defende o Projeto Ficha Limpa. Agora, por que um candidato ou um parlamentar se opõe a estas regras? Em época de eleição é importante observar quem são os parlamentares que estão contra o Projeto Ficha Limpa e olhar para a vida pregressa de cada um deles e ai sim, decidir seu voto nas futuras eleições.

O site Congresso em Foco publicou ontem, uma lista com o nome dos 43 deputados que votaram favoravelmente às duas alterações que praticamente inviabilizavam o Ficha Limpa. A lista é encabeçada pelo PMDB, com 18 deputados, e pelo PP, com 16. Em seguida, vêm o PR, com seis nomes, e o PTB, com três.

Paulo Maluf estaria inelegível com o Ficha Limpa em vigor

Paulo Maluf estaria inelegível com o Ficha Limpa em vigor

Matéria veiculada no Congresso em Foco informa que na votação de ontem, os deputados derrubaram (362 votos a 41) a possibilidade de retirar o período em que um político se tornaria inelegível por compra de votos ou abuso de poder econômico. A retirada do texto o tornaria inconstitucional e, na prática, acabaria com as punições para esses crimes. Essa alteração foi proposta pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Depois, os parlamentares rejeitaram (377 votos a favor, dois contra e duas abstenções) a retirada da principal característica do projeto: tornar inelegível o candidato condenado por órgão colegiado judicial (tribunal de justiça estadual ou federal).

Atualmente, o político só fica impedido de se candidatar quando é condenado em última instância na Justiça, ou seja, pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, afirmou matéria do site Congresso em foco que informou ainda que a corte constitucional jamais condenou um político. Esse destaque foi proposto pelo líder do PTB, Jovair Arantes (GO), que não participou da votação. Se passasse a proposta do petebista, pessoas condenadas por lavagem de dinheiro, tráfico de entorpecentes, contra o patrimônio público, privado, ou os eleitorais que sejam puníveis com pena privativa de liberdade, poderiam concorrer livremente.

Ou seja, o Ficha Limpa seria desconfigurado. Abaixo segue a lista dos deputados que tentaram retirar o período pelo qual um político se tornaria inelegível por compra de votos ou abuso de poder econômico:

Alagoas
Joaquim Beltrão  (PMDB)

Bahia
José Rocha (PR)
Marcelo Guimarães Filho (PMDB)
Maurício Trindade (PR)
Veloso  (PMDB)

Ceará

Aníbal Gomes (PMDB)
Arnon Bezerra (PTB)
Zé Gerardo (PMDB)

Espírito Santo
Camilo Cola  (PMDB)

Maranhão

Davi Alves Silva Júnior (PR)
Waldir Maranhão  (PP)

Minas Gerais
João Magalhães  (PMDB)
Marcos Lima  (PMDB)

Mato Grosso
Eliene Lima (PP)

Mato Grosso do Sul
Antonio Cruz  (PP)
Paraná (PR)
Chico da Princesa (PR)
Dilceu Sperafico  (PP)
Giacobo  (PR)
Nelson Meurer  (PP)
Odílio Balbinotti  (PMDB)
Ricardo Barros  (PP)

Pará
Asdrubal Bentes  (PMDB)
Gerson Peres  (PP)
Wladimir Costa  (PMDB)

Rio de Janeiro
Alexandre Santos (PMDB)
Dr. Paulo César  (PR)
Eduardo Cunha  (PMDB) – autor do destaque
Leonardo Picciani  (PMDB)
Nelson Bornier  (PMDB)
Solange Almeida  (PMDB)

Rondônia
Marinha Raupp (PMDB)

Roraima
Neudo Campos  (PP)

Rio Grande do Sul
Afonso Hamm  (PP)
Paulo Roberto Pereira (PTB)
Vilson Covatti  (PP)

São Paulo

Aline Corrêa  (PP)
Beto Mansur  (PP)
Celso Russomanno  (PP)
Paulo Maluf  (PP)
Vadão Gomes  (PP)

Tocantins

Lázaro Botelho  (PP)

Os deputados abaixo votaram pela manutenção do segundo destaque da noite, que, na prática, acabava com a proposta do ficha limpa:

Beto Mansur (PP-SP)
Edinho Bez (PMDB-SC)

Abstiveram-se:
Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Leonardo Piccianni (PMDB-RJ)

Autor do destaque: Jovair Arantes (PTB-GO) – não votou

O Projeto Ficha Limpa de iniciativa popular foi apresentado ao Congresso Nacional em setembro de 2009 e desde então tem sofrido sucessivos adiamentos. Na próxima terça-feira (11/05) mais 12 destaques do projeto serão votados e se aprovados, o projeto segue para a aprecisação dos senadores da república.

Fontes: site Congresso em Foco e MCCE


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