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Aqui é rock and roll, aqui é Grammy

O álbum “A Vida Num Segundo”, gravado pela Paulinas-Comep, é um dos cinco indicados ao Grammy Latino 2017, na categoria melhor álbum cristão em língua portuguesa.

Há poucos meses entrevistei os integrantes da banda Ceremonya para as páginas da Revista Família Cristã. Foi um papo bacana sobre vida, música e fé. Hoje compartilho com vocês nossa conversa e com ela a trajetória e o trabalho desses caras que estão na estrada há algum tempo.

ceremonya

Eles vestem roupas pretas, calçam botas, usam piercings e têm tatuagens pelo corpo. Alguns pintam os olhos, outros mantêm os cabelos longos soltos ou presos em rabos de cavalo e coque. Dividem-se entre guitarras, bateria, vocal, teclados, violão e baixo. São roqueiros, do heavy metal, mas não se enganem, eles são muito mais do que a famosa estética eternizada pela mídia.

Trata-se de Danilo Lopes (bateria e vocal), Nei Medeiros (teclados), Gustavo Dübbern (guitarra), Eduardo Zanchi (guitarra e violão) e Régis Costa (baixo), músicos do Ceremonya, uma banda de rock cristã fundada em 2004, com o objetivo de chegar aos jovens, que a Igreja muitas vezes não alcança, através do som, através do heavy metal.

Este estilo musical – marginalizado do rock – surgiu no fim da década de 1960 pelas mãos de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, integrantes do Black Sabbath. E foi na década de 1970 que o estilo musical ganhou fama de satanização, graças às performances do cantor e compositor americano Alice Cooper. Mas, contudo, não impediu de hoje o mesmo estilo musical servisse também de base para a evangelização. O cenário da música católica está aí para provar.

Guinada musical – Na década de 1990, despontou no Brasil a banda Eterna, fundada por Danilo Lopes, que permaneceu na banda por sete anos tocando um rock de qualidade e fazendo um sucesso grandioso, marcando gerações, até que partiu em busca de novos horizontes e fundou o Ceremonya.

O início dos trabalhos na nova banda foi tocando metal exclusivamente em inglês e era sucesso entre a “molecada”, como chama seu público o vocalista da banda. Com o tempo, o próprio Danilo Lopes, ao tocar no início de sua carreira com o padre Marcelo Rossi no Santuário Theotokos – Mãe de Deus e fazer shows por todo o Brasil, percebeu que suas canções atingiam outros públicos que não apenas os tatuados do heavy metal, e daí surgiu a guinada musical.

Sem abandonar o som pesado, mas com melodias mais suaves regadas pelo baixo experiente de Régis Costa, a banda resolveu dialogar com outros públicos. Passaram a cantar em português. “Eu senti a vontade de fazer um disco 100% em português com músicas que pudessem ser executadas em retiros, grupos de oração, nas missas, e acabou rolando”, conta Lopes.

O resultado dessas dúvidas, angústias e orações, o leitor confere no novo CD: Ceremonya – A Vida num Segundo, pela gravadora Paulinas-COMEP. Um CD com 11 faixas que se dividem entre o peso do rock e a suavidade das baladas, produzido por Marcelo Pompeu e Heros Trench, ambos integrantes da banda Korzus e produtores do CD Depois da Guerra, um álbum premiado no Grammy Latino na categoria Melhor Álbum Cristão em Língua Portuguesa, além de CDs do Ratos de Porão, Hangar, entre outros grandes nomes da cena do heavy metal brasileiro.

“Quando a banda resolve pesar a mão, nota-se uma forte influência do heavy metal, mas há muito daquele rock dito mais moderno nas composições”, avalia o jornalista e crítico musical Antonio Carlos Monteiro. As gravações começaram em julho de 2015 e contaram com oito meses de ensaios e pré-produção.

“Queríamos deixar o disco acessível, que o cara pudesse pegar um violão e tocar todas as músicas. Mas o disco também é pesado, porque gostamos de metal, então este trabalho tem essa coisa de canção, de balada”, aponta Dübbern.

Esperança do encontro – O som é pesado sim. Vozes e afinação de instrumentos são mais graves também. Há muita guitarra e violão, e, quando dedilhados, as cordas lançam no ar o som da rebeldia, e com ela letras de desabafo, pedidos de ajuda, oração, reafirmação, esperança e diálogo com o próprio Deus.

“O músico cristão tem essa responsabilidade, acaba que nos tornamos referência quando subimos ao palco, e por isso a nossa missão, de levar uma mensagem de amor àqueles que em muitos casos estão envolvidos com drogas, sem esperança. Vivemos em um mundo muito difícil, e nós trazemos a boa-nova, porque sem esperança o ser humano não evolui”, avalia o vocalista e compositor da banda, Danilo Lopes.

A música de trabalho, A Vida num Segundo, por exemplo, revela o diálogo de alguém em aflição com Deus. “Não paro aqui, vou viver, é tenso, eu sinto a vida num segundo. Não parto assim, vou dizer: Protejo meus pulsos no último momento, sou templo de Deus!”

Assim, a composição de Nei Medeiros, Danilo Lopes e o produtor Marcello Pompeu revela uma tentativa de suicídio, uma realidade nada inédita, já que o suicídio é a terceira maior causa de morte entre os jovens brasileiros. As canções são intensas, como a história de cada um dos músicos de superação e recomeço.

Quem olha para a belíssima arte da capa do CD, assinada por Carlos Fides, entende bem a que ele veio: apresentar música de qualidade para diversos públicos, aos amantes do metal e aos que preferem as baladas, e mais, criar identidade de seu público com as canções que trazem a esperança do encontro com o próprio Deus. Está aí um belo disco.

Publicado na Revista Família Cristã, edição 967.

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