Cardeal Scherer avalia colóquio e fala sobre visita de Russomanno

Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo avalia o colóquio, realizado dia 20, entre o clero da capital e os candidatos à prefeitura de São Paulo: Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB), José Serra (PSDB) e Soninha Francine (PPS). Celso Russomanno (PRB) não compareceu ao colóquio, mas foi recebeido pelo cardeal, dia 22, na cúria metropolitano. Na entrevista, o arcebispo fala sobre o teor da conversa:

O SÃO PAULO – A forte repercussão do colóquio aponta o importante papel que a Igreja Católica possui na sociedade?
Dom Odilo Pedro Scherer – Avalio que o colóquio com quatro dos cinco candidatos mais bem cotados para as próximas eleições para o cargo de prefeito de São Paulo foi de bom nível, dando a ocasião para que os candidatos apresentassem suas propostas e propósitos de governo aos padres e religiosos da Arquidiocese de São Paulo, que eram o público alvo convidado; e esses puderam apresentar aos candidatos uma série de questões da cidade de São Paulo que são bem conhecidas pelo trabalho da Igreja, como o trabalho social, com pobres, doentes a população excluída, o povo das periferias urbanas; mas também as situações de violência, a segurança, a educação, a saúde, as condições de habitação de grande parte da população… Desta maneira, ficou claro o papel social relevante que a Igreja Católica tem em São Paulo e que não pode ser ignorado ou negligenciado pelo poder público municipal.

O SÃO PAULO – Qual é a avaliação que o senhor faz das propostas apresentadas pelos candidatos? Elas correspondem às demandas da população de São Paulo acompanhada e vivida pela Igreja Católica?
Dom Odilo – Os candidatos estão preocupados em captar o voto e tentam responder da melhor forma às perguntas que lhes são feitas e no tempo disponível para responder. Por isso, nem sempre são plenamente satisfatórias e isso é até compreensível num momento de debate. Mas penso que a cidade de São Paulo precisa de muita atenção e bons projetos para a educação, saúde, transporte, habitação, segurança, saneamento básico… Precisa dar atenção especial à parte da população mais fragilizada e desatendida pelo Poder Público. E precisa de uma política urbanística no seu todo, que assegure qualidade de vida para a população para o presente e o futuro.

O SÃO PAULO – De que modo a ausência do candidato Celso Russomanno, do PRB, prejudicou o colóquio?
Dom Odilo – Ele perdeu uma boa oportunidade para expor suas ideias e apresentar seus propósitos de governo para São Paulo.

O SÃO PAULO – O candidato Russomanno procurou o senhor no sábado passado, dia 22. Qual foi o teor da conversa com ele?
Dom Odilo – Ele quis, junto com o seu candidato a vice-prefeito, dar-se a conhecer melhor. Mas a questão que, de fato, interessava também foi tratada; manifestei-lhe que os motivos de minha manifestação no domingo, dia 16, foram dois: o uso inapropriado da religião para a conquista do poder político e os ataques infamantes feitos à Igreja Católica pelo chefe do partido dele; disse-lhe que era meu dever defender a dignidade da Igreja Católica, colocada em jogo nesse ataque. A minha tomada de posição não diz respeito a partido A ou B, candidato A ou B, religião A ou B; diz respeito a um fato específico, que foi aquela matéria infamante, divulgada em contexto eleitoral e diante da qual eu não podia me omitir. Falar em “desavenças da Igreja Católica com candidatos”, como foi dito mais de uma vez nesses dias, não é correto, pois nos manifestamos sobre questões de princípios e públicas, e não sobre assuntos pessoais contra candidatos.

Entrevista concedida a Daniel Gomes e Karla Maria.

Esplendores do Vaticano estão no Ibirapuera

Foto: Karla Maria | Compasso de Michelangelo

Depois de 1,5 milhão de pessoas apreciarem a exposição “Esplendores do Vaticano: Uma Jornada Através da Fé e da Arte”, nos Estados Unidos, chegou a vez do público brasileiro. Pela primeira vez na América Latina, a exposição traz 200 obras do acervo do Vaticano.

Em coletiva de imprensa, dia 13, na OCA do Ibirapuera,  o curador, monsenhor Roberto Zagnoli, apresentou três das obras que estarão em exposição:  o Compasso de Michelangelo Buonarroti,  instrumento que auxiliou o artista a compor as figuras que estão desenhadas na Capela Sistina. O compasso data do século 17 e é feito de ferro.

“A Veronica de Guercino”, um retrato de Cristo com a coroa de espinhos, de Giovanni Francesco Barbieri e um dos “Dois Anjos”, da oficina de Gian Lorenzo Bernini, do século 17, também foram apresentadas aos jornalistas.

“É importante salientar que apesar de estarem sobre os cuidados do Vaticano, são obras que pertencem à humanidade e não falam de uma beleza estética dos objetos e sim da beleza divina que elas transmitem”, disse o curador, monsenhor  Zagnoli, que já trabalhou por 15 anos como diretor no Departamento de Etnologia dos Museus do Vaticano.

Para o padre italiano, a mostra é interessante do ponto de vista didático porque apresenta a história da Igreja passando desde o túmulo de Pedro até os últimos pontífices. “A exposição é um livro aberto para todos que vierem observá-la e nesse sentido foi toda estudada para que fosse acessível àqueles que não têm conhecimento sobre o tema, por isso, todas as obras poderão ser apreciadas também pelos jovens”, explicou.

Entre as 11 galerias e uma sala com projeção, destaque paras as obras de Michelangelo. Considerado um dos maiores criadores da história da arte Ocidental, o pintor e escultor italiano pode ser visitado na galeria 4. Nela, há uma reprodução da obra original “Pietà”, uma das esculturas mais renomadas da humanidade. Ainda nesta seção, o visitante, poderá experimentar uma imersão na Capela Sistina, passando por uma reprodução dos andaimes utilizados pelo artista para alcançar o teto da capela, com pouco mais de 20 metros.

Foto: Karla Maria | A Verônica de Guercino – Retrato de Cristo com a coroa de espinhos

A devoção ao apóstolo Pedro também ganha destaque. Na galeria 1, o visitante poderá ver uma apresentação do túmulo de São Pedro como foi encontrado, em 160 d.C., com um fragmento original da parede vermelha descoberto em 1941, com a inscrição  “Petros Eni”, do grego: Pedro está aqui. “Estas obras são muito importantes para a evangelização, porque falam da fé da humanidade, transmitem a fé. Essa exposição é de fato uma viagem através da arte”, disse frei Luis M. Cuna Ramos, arquivista do Vaticano e membro da Congregação para a Evangelização dos Povos.

Na galeria 9, o visitante se deparará com a linha sucessória de Pedro retratada por mosaicos, afrescos, pinturas, esculturas e por fim, fotografias. A galeria 11 é dedicada ao pontificado do papa João Paulo 2º (1978-2005). Nela há o busto em bronze do Beato e o molde da mão de João Paulo também em bronze, que pode ser tocado pelos visitantes e tem provocado momentos de intensa oração. A exposição segue até 23 de dezembro em São Paulo e parte para o Rio de Janeiro em 2013.

Serviço

“Esplendores do Vaticano: Uma Jornada Através da Fé e da Arte”
Período: de 21 de setembro até 23 de dezembro de 2012
Horários dea exposição: segunda à sexta-feira, das 10h às 20H (acesso até às 19h); sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h (acesso até às 18h).
Local: Oca – Parque do Ibirapuera – SP (avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 3.
Informações: http://www.esplendoresdovaticano.com.br, 4003-5588.
Preço dos ingressos: R$ 44,00, 1/2 entrada: R$ 22,00.

O bispo do Xingu

Texto: Karla Maria
Publicada Revista Família Cristã de julho/2012

Conhecido como Bispo do Xingu, dom Erwin Kräutler (foto), bispo da Prelazia do Xingu e  presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denuncia: “Os cidadãos do Pará são tratados como cidadãos de segunda categoria”. À Revista Família Cristã, dom Erwin denuncia o “caos em Altamira”, resultado do início da construção da hidrelétrica de Belo Monte e dos impactos ambientais e sociais que vêm afetando a população ribeirinha e indígena. Destaca também a exploração sexual fomentada pela chegada de milhares de trabalhadores à região, a política indigenista no País e a presença e defesa dos povos indígenas, com respeito à cultura e por meio do diálogo inter-religioso.

FC – A construção de Belo Monte já começou. Qual o cenário?
Dom Erwin –
Altamira é um caos, por isso digo que somos desconsiderados, o governo usa a estratégia do fato consumado, quem grita é contra o progresso, quem se levanta não quer o desenvolvimento. Nem sequer as condicionantes previstas para serem cumpridas antes do início das obras foram cumpridas. As condicionantes de saneamento básico, de hospitais, de escolas, de segurança, de transporte, de habitação, nada disso ou quase nada aconteceu para que as obras começassem.

FC – Essa é a segunda grande migração desordenada de trabalhadores para o Pará (antes houve a exploração da Serra dos Carajás). Como o senhor avalia tal situação?
Dom Erwin –
O cidadão do Pará e do Xingu, de modo especial agora no contexto de Belo Monte, é tratado como cidadão de segunda categoria. Para nós sempre caiu e continua a cair as migalhas, e isso é um absurdo, porque o governo tem obrigação de, primeiro, ouvir a população local e de, segundo, dar o retorno para o que se arranca de lá. Eu pergunto, em que ponto melhorou educação, saúde, habitação, segurança, transportes no Pará, depois da exploração dia e noite da Serra dos Carajás? O que nós realmente recebemos em troca por Belo Monte, pelo que está sendo implantado? Nós recebemos nada mais, nada menos do que o caos.

FC – A Pastoral da Mulher Marginalizada realizou, em 2011, um seminário sobre o impacto de Belo Monte no aumento da prostituição e na exploração sexual em Altamira, o senhor já observa essa realidade?
Dom Erwin –
Altamira é um caos também nesse sentido, porque a prostituição hoje na região é em céu aberto, é terrível, e porque estão chegando milhares e milhares de homens e logicamente essas redes de prostituição, que pegam as meninas e não perguntam a idade que elas têm, as oferecem.

FC – Qual é a posição dos povos indígenas da região de Belo Monte?
Dom Erwin –
O índio não está a favor de Belo Monte, mas logicamente está a favor dos benefícios que vai receber. Para mitigar um pouco e para calar a boca dos índios, estão entupindo-os com dinheiro, benefícios de todo o tipo e jeito. Essa é uma forma de matá-los, é uma punhalada fatal no coração da cultura indígena e de sua própria organização social.

FC – O senhor sempre fez denúncias de conflitos na disputa de terras indígenas e por isso já sofreu ameaças de morte. O senhor continua andando com segurança militar?
Dom Erwin –
Há quase seis anos ando com segurança. Desde 29 de junho de 2006, estou sendo acompanhado por quatro PMs (Policiais Militares), se revezando, e não sei o que vai dar. Tenho impressão que vou levar isso até o final do meu mandato como bispo, porque eu não posso dizer que estou sendo ameaçado de novo, mas a situação agora, nesse contexto todo, é delicada.

FC – O senhor teve tratativas pessoais com o governo do então presidente Lula sobre a construção de Belo Monte? O que resultou delas? Como são as tratativas hoje, com a presidente Dilma Rousseff?
Dom Erwin –
Sim, em 2009, estive duas vezes com Lula, em 19 de março e 22 de julho. Hoje digo que o Lula mentiu para mim, porque ele, segurando-me nos braços, me disse, com todas as letras, “Olhe, nós não vamos empurrar a Belo Monte goela baixo”. E está acontecendo exatamente isso, um rolo compressor sobre nós, diálogo nunca teve. Só monólogo do governo. Até hoje quando falamos com instâncias governamentais, o governo constrói a pauta, se você coloca Belo Monte, eles mandam riscar, não tem conversa. A Dilma não conversa sobre isso, mesmo o Gilberto Carvalho (ministro da Secretaria-geral da Presidência da República), neste ponto nega o diálogo. Não fui mais lá, porque ele próprio disse que Belo Monte sairia de qualquer jeito, então o que vou conversar?

FC – Preocupação do governo…
Dom Erwin –
Não se preocupam conosco, o objetivo é desenvolvimento, simplesmente aumentar a renda, aumentar a exportação. Então, eu sustento o Pará para o resto do Brasil, para o Sul e Sudeste, para a capital federal é a província mineradora, a província madeireira, a província energética, última fronteira agrícola.

FC – Mas o diálogo teve que existir durante as audiências públicas…
Dom Erwin –
As audiências públicas foram só para inglês ver, foram uma mentira, uma encenação, um teatro vergonhoso. O povo realmente atingido não conseguiu se manifestar, e os índios não foram ouvidos, o que é previsto em constituição. Tem lei para isso, oitivas indígenas, tem que ser ouvido. Fez-me uma maquiagem, agora, uma mentira mil vezes repetida, não se torna uma verdade nunca.

FC – Como o senhor e o Conselho Indigenista Missionário avaliam a política indigenista no Brasil?
Dom Erwin –
Nada favorável aos povos indígenas, no fundo se entende o índio como estorvo, como obstáculo ao progresso. E isso não se pode falar abertamente. Nesse sistema neoliberal tudo vira mercadoria, não se tem mais um relacionamento de vida, temos que comprar, explorar e consumir. É a lei do lucro, e o índio não produz nesse sentido, então é considerado contra o progresso.

FC – O Cimi, o qual o senhor preside, completou 40 anos. Como acontece o trabalho nesse Conselho?
Dom Erwin –
O objetivo do Cimi é ser presença solidária. Não estamos com os povos indígenas para civilizar, como antigamente, nós estamos nos aproximando dos povos indígenas num profundo respeito à cultura e suas expressões culturais, de sua vida, com um profundo amor. Somos aliados a todos os povos indígenas, servidores desses povos, para que possam viver e sobreviver, tanto física, quanto culturalmente. A primeira coisa é a presença concreta, no chão da aldeia, e a segunda é a sensibilização da sociedade. Nossa função é conscientizar o povo brasileiro não indígena a respeito dos direitos dos povos indígenas e também a sociedade internacional.

FC – O Cimi respeita a cultura dos povos indígenas, e nisso está inclusa sua religiosidade. Como acontece nesse contexto a evangelização, há também tal objetivo?
Dom Erwin –
O que significa evangelizar? Porque há ideias de evangelização que para mim são reducionismos. Evangelizar de fato é anunciar a Boa Nova, não há dúvidas, anunciar Jesus Cristo, é anunciar aquilo em que acredito, mas não somente o anúncio verbal, mas também o testemunho de minha dedicação e abnegada doação da minha vida em favor dos povos indígenas.

FC – Como o senhor avalia a crítica sofrida por missionários de séculos anteriores, em relação aos métodos de evangelização?
Dom Erwin –
Não vou jogar pedras em missionários de séculos anteriores, era outra cultura, eles eram filhos de seu tempo, subjetivamente foram todos heróis, objetivamente falando desrespeitaram as culturas aborígenes. Isso temos que dizer com todas as letras. Hoje em dia, a Antropologia, a Psicologia, tudo isso evoluiu, estamos vendo a Ciência da Religião mostrar que os índios sempre tiveram religião, por isso precisamos trabalhar nas aldeias o diálogo inter-religioso.

Dom Orani fala sobre presidência do Conselho de Comunicação

Karla Maria

Dom Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro tomou posse dia 8, da presidência do Conselho de Comunicação Social (CCS), órgão auxiliar ao Congresso Nacional. Entre suas funções, o Conselho auxilia o Senado em temas como a liberdade de expressão, regulamentação da propaganda de agrotóxicos, bebidas alcoólicas, tabaco, medicamentos e terapias, diversões e espetáculos públicos, concessões públicas e programação das TVs e rádios brasileiras. Confira entrevista exclusiva de dom Orani, que permanece no cargo por dois anos.

O SÃO PAULO – O que que representa para a Igreja Ca- tólica, a escolha do senhor a presidente do Conselho de Comunicação Social? E para o senhor?
Dom Orani Tempesta – Recebi surpreso a nomeação e mais surpreso ainda a eleição por aclamação para a presidência. Como já tinha pertencido ao Conselho durante a minha missão nessa área na CNBB creio que, ao reativar o CCS do Congresso pensaram em meu nome. Porém a escolha pelo Congresso Nacional representa um reconhecimento da necessidade da maior parte da população ser representada no CCS, e acredito, também de todos os que crêem e sabem da importância da mídia na formação do povo Brasileiro. Para mim é uma grande responsabilidade para tentar corresponder a uma coordenação e aconselhamento de tantas situações conflitantes e disputadas que ocorrem nesse meio.

O SÃO PAULO- O que representa ao Estado brasileiro ter um bispo católico presidindo o Conselho de Comunicação Social? O se- nhor foi nomeado por unanimidade… há uma sede ou necessidade de mais valores evangélicos nos meios de comunicação?
Dom Orani- É o reconhecimento do estado brasileiro da importância do povo que tem fé, e nesse ponto não vejo apenas o bispo católico, mas uma pessoa que sabe da sensibilidade de todos os que acreditam em Deus nesse país, seja qual for a sua religião. A realidade da presença religiosa na mídia se faz notar e sabemos também da necessidade que todos os cidadãos desse país tenham sua voz e vez para utilizar o meio de comunicação.

O SÃO PAULO – Há os que criticam o proselitismo religioso nas rádios e tvs brasileiras, o senhor concorda? não? Qual sua avaliação sobre o uso das concessões públicas pelas diversas religiões?
Dom Orani –
Creio que existe de tudo nas rádios e tvs brasileiras. Não só proselitismo religioso, mas também do ateísmo, e tantas outras situações que necessitam de discernimento sobre o alcance de cada responsabilidade. Dentro da legislação brasileira todos os cidadãos tem seus direitos, não importando sua etnia, religião, posição social, posição política. De outra forma corremos o risco de excluir cidadãos dos plenos direitos civis.

O SÃO PAULO – Como telespectador, o senhor está satisfeito com a qualidade da programação das rádios e tvs brasileiras? Onde há necessidade de algum tipo de regulação?
Dom Orani – Todos sabemos que a tv aberta vive dos patrocinadores e com isso, muitas vezes fica refém da audiência. E nesse sentido sentimos a necessidade de uma melhoria da cultura e educação atuais para que influa nas opções de tv aberta e também que a mesma tenha coragem de dar opções inteligentes aos seus ouvintes e telespectadores para fazer aumentar o nível cultural. Situações que vão contra a constituição brasileira ou exageros de apelação inútil precisariam encontrar caminhos para que esses meios sejam expressão de um povo que sabe de sua responsabili- dade na sociedade mundial.

O SÃO PAULO – Os trabalhos do Conselho começam em setembro, o senhor já obteve a pauta? O marco regulatório é a grande preocupação do Conselho neste momento?
Dom Orani – Estamos elaborando a pauta. No primeiro momento iremos tomar conhecimento dos vários projetos sobre comunicação em tramitação no congresso nacional. No regulamento do CCS é colocado que muitas pautas provêm do Congres- so Nacional que consulta o CCS. Sem dúvida que o marco regulatório é uma grande preocupação, mas também muitos outros aspectos do CCS. Esperamos deixar um legado para o próximo CCS em sua realização e composição.

O SÃO PAULO – O senhor acredita, que de alguma maneira, o trabalho junto à Pastoral da Comunicação agregou-lhe conhecimento sobre o tema, e poderá servir de bagagem para o trabalho no Conselho? Como?
Dom Orani –
Sem dúvida que meu trabalho com os meios de comunicação desde a diocese de origem e depois pelas outras que passei e pelos trabalhos nessa área nos regionais, até chegar a ser eleito por dois mandatos nessa comissão na CNBB juntamente com o contato com os que trabalham na comunicação foi decisivo para que eu possa cumprir bem esse mandato enquanto assim puder e o congresso nacional o desejar.

Publicada na ediçåo 2915 de O SÅO PAULO.

CJP ouve Estado sobre Pinheirinho

Secretário da Casa Civil presta esclarecimentos à Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, sobre Pinheirinho

Texto: Karla Maria
Foto: Rafael Alberto

O secretário de Estado da Casa Civil, Sidney Beraldo, garante que ex-moradores do Pinheirinho terão renovação de aluguel social, no valor de 500 reais, até que recebam as chaves de suas casas, num prazo de 18 a 24 meses. A afirmação aconteceu na cúria metropolitana, dia 28, quando o cardeal dom Odilo Scherer e membros da Comissão Justiça e Paz (CJP), o receberam para prestar esclarecimentos sobre o caso da desapropriação realizada de forma truculenta, dia 22 de janeiro, na zona sul de São José dos Campos (SP).

Segundo o governo estadual, das 1.700 famílias desapropriadas, 1.100 contam com o aluguel social, além de uma taxa única de 500 reais para o transporte dos móveis. As demais estão divididas nos albergues Vale do Sol e Jardim Morumbi, que são quadras cobertas, onde as famílias dormem em colchões e recebem quatro refeições diárias.

“Estamos preocupados com a condução que o governo do Estado de São Paulo está dando às questões de direitos humanos”, disse Antonio Funari, presidente da CJP, referindo-se à forma violenta com que a desapropriação foi realizada, gerando ferimentos físicos e emocionais, destruindo casas, pertences e objetos que construíram ou retratam a história dos ex-moradores. “A policia civil está apurando e não vamos tolerar excessos”, disse o secretário estadual, referindo-se às denúncias de violência e estupros no terreno do Campo dos Alemães, ao lado do Pinheirinho.

“A resposta do governo é adoçada. Estivemos no Pinheirinho, vimos o cenário, recebemos denúncias, e é dever nosso levar até os senhores. As pessoas nos disseram que as máquinas passaram por cima de móveis e barracos”, disse Vicente Roig, vice-presidente da CJP e secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo. À informação de Roig, corroboram depoimentos de ex-moradores do terreno e centenas de vídeos pulverizados na internet, que apresentam um cenário de guerra: móveis destruídos, brinquedos quebrados, vidas abandonadas às pressas. Contradizendo as imagens e depoimentos, o governo estadual informou que 1.600 famílias autorizaram e assinaram certidão de retirada de seus bens, e ainda que acompanharam o encaminhamento dos bens para depósitos da prefeitura municipal.

A CJP sugeriu e o secretário estadual acatou que a partir de relatório da própria comissão sobre os danos materiais causados durante a desapropriação, sejam comparados aos certificados de depósitos, e que ela sirva de material para que o governo estadual entre com uma ação de indenização junto à massa falida Selecta, do especulador Naji Nahas.

Para acompanhar a renovação automática do aluguel social e o levantamento dos danos materiais, Beraldo nomeou Gustavo Úngaro, presidente da Corregedoria Geral da Administração do Estado de São Paulo, e membro da Comissão Justiça e Paz para ser o interlocutor entre governo e comissão.

Para dom Odilo, a decisão judicial de desapropriação não foi adequada, dentro de uma situação de propriedade discutível. “Deveria ter havido uma consideração mais humanitária. Que se levantem os danos e que não se repitam outras injustiças”, disse o arcebispo, apontando à necessidade de um aprimoramento legislativo que coloque “freios” em decisões judiciais que tenham consequências diretas e drásticas na vida de centenas de pessoas.

Matéria publicada no O SÃO PAULO, edição 2891

Tratamento requer perseveração e acolhida

foto de Luciney Martins

Marina Silva Oliveira, 30 anos, tinha 18 quando começou a usar drogas na porta da escola. “Um dia, cabulei aula e fui roubar um ônibus com os colegas, me prenderam e eu fui para a cadeia”. Marina ficou presa por cinco anos e quatro meses na Penitenciária do Estado, em Santana, zona norte.

“Conheci o crack na cadeia, aí saí treinada, com mais revolta no coração”. Dona Vera, a mãe, sempre esteve ao seu lado, mas a dependência a levou à Cracolândia.  “Fiquei quatro meses na rua. Levantava, roubava, fazia o “corre”, assim foram quatro meses longe da família, até que encontrei a Missão Belém, em 2007. “Vi o extensório, que hoje, eu sei, é Jesus”. Marina foi para Rio Grande da Serra, onde ficou um ano e seis meses, em uma das casas da Missão. Sentindo-se bem, retornou para casa e recaiu outras duas vezes.

“Para as pessoas que pensam que a gente não tem jeito, a gente tem jeito sim, o homem veio pra matar e destruir e Jesus pra dar a vida, por isso estou aqui hoje”, disse Marina que com o apoio da Missão Belém persevera pela 5ª vez. “Desta última vez, fiquei três  meses jogada na Cracolândia e agora, antes do Natal, a Missão Belém me acolheu de novo”.

Campanha ‘Natal dos Sonhos’ chama à solidariedade

Fotos: Luciney Martins

Arrecadação de brinquedos continua até dia 15, nas paróquias de SP

De um lado bola, boneca, carrinho, peteca; do outro, abraços, beijos estalados, mãos estendidas, um olhar carinhoso, um agradecimento sincero. Os gestos foram recolhidos por toda a cidade, durante a Campanha “Natal dos Sonhos”, promovida pela Pastoral do Menor neste 2011.

No último sábado, 26, aconteceu o ‘dia da grande arrecadação”. Com o tema “A solidariedade Transforma o Mundo! Doe um Brinquedo”, o Teatro Grande Otelo, no Colégio Liceu Coração de Jesus, no centro, acolheu mais de 800 pessoas, em sua grande maioria crianças e adolescentes, para celebrar a solidariedade em prol das crianças mais carentes.

“As crianças precisam, desde cedo, se preocupar com o próximo, com o mais pobre, é uma questão de cidadania”, disse o estudante Gustavo Eustáquio de Paula, 17 anos. Para a professora Terezinha Fátima Tomazi, 52 anos, a campanha estimula a solidariedade nas famílias, transformando-se em gesto concreto, como a doação de brinquedos. E foram muitos brinquedos; em 2010, foram arrecadados cerca de 350 mil, e neste ano, a pastoral imagina bater esse número até o dia 15, quando se encerram as doações, nas diversas paróquias da Arquidiocese de São Paulo e nas dioceses de Campo Limpo e Santo Amaro.

O dia da grande arrecadação foi animado, contou com corais, shows e celebração, tudo com tradução simultânea em libras, estava concreto o gesto da inclusão. As crianças e adolescentes dos colégios e entidades católicas, atendidas pela Pastoral do Menor, de todas as cores e classes sociais, se divertiram, brincaram, cantaram e rezaram para que as crianças sejam respeitadas e tenham direito à educação, cultura e lazer.
“Com a campanha, tivemos a oportunidade de denunciar o desejo, a fantasia que há por de tras do brinquedo, mas que infelizmente é inatingível para muitas crianças que sonham durante toda a sua infância, com um Natal dos Sonhos”, disse Sueli Camargo, coordenadora da Pastoral do Menor e da campanha.

O grande dia de arrecadação despertou o lado lúdico da criançada com a apresentação de danças e corais, chamaram também atenção para o verdadeiro sentido do Natal, com a encenação do nascimento do Menino Jesus, entoado por uma Ave Maria, na voz de Renata Pizi. Quando o ‘Menino Jesus’ apareceu no colo de Maria, as cabecinhas se esticaram para enxergá-lo, os pés perderam o chão e as mãos o aplaudiram. Nessa história, que se repete por dois milênios, os reis magos são outros: dezenas de crianças apresentaram presentes, enquanto outras crianças do coral do Colégio Santa Marcelina cantavam Noite Feliz, culminando com o Glória.

Para dom Milton Kenan Junior, bispo na Região Episcopal Brasilândia e referencial para as Pastorais Sociais, Natal é mistério de amor que deve se traduzir em gestos. “Esta campanha é a possibilidade de nossas crianças entrarem na lógica de Deus, que não pode se limitar apenas às boas intenções, ao sentimentalismo vazio, mas que tem que se demonstrar em gesto”.

E os gestos de solidariedade acontecem há 10 anos; desde então, além de incentivar a doação de brinquedos, a campanha vem educando para uma cultura de paz e solidariedade. “Neste período, a Campanha possibilitou destacar a importância do respeito com as fases de desenvolvimento da criança. Conscientizou, mobilizou a sociedade, denunciou o direito de brincar, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente que está sendo roubado das nossas crianças, que são obrigadas a irem para as ruas, para os faróis como pedintes com a obrigação do sustento da família”, disse Sueli.

Publicado em O SÃO PAULO

Religiões se unem pelo desarmamento

foto: Instituto Sou da Paz

19 paróquias da Grande São Paulo serão postos de coleta de armas; indenizações variam de 100 a 300 reais

Começa amanhã, 22 e vai até dia 30, a Campanha Religiões Unidas pelo Desarmamento. O lançamento da campanha aconteceu hoje, com a destruição de uma arma, fala de autoridades políticas, do Instituto Sou da Paz e da Igreja Católica, que disponibiliza 19 paróquias, como postos provisórios de coletas de recolhimento de armas de fogo e munições.
Membros das comunidades que coletarão armas (22 a 30), passaram por capacitação oferecida pela Guarda Civil Metropolitana e pelo Instituto Sou da Paz. “As comunidades têm papel fundamental na capilarização das informações necessárias para a entrega de armas”, disse Alice Andrés Ribeiro, coordenadora do Controle de Armas do Sou da Paz.
Alice apontou que a cada ano no Brasil, 35 mil pessoas morrem por arma de fogo. São 98 mortes por dia, uma a cada 14 minutos, sendo que em 70% dos casos, as mortes acontecem por motivos banais: brigas de bar, de trânsito, de casais, desavenças e vinganças.
Como entregar a arma
Para levar a arma à uma das 12  paróquias, ou a um dos 137 postos fixos na cidade de São Paulo, é necessário ter uma guia de trânsito, um documento que autoriza o transporte daquela arma. Você pode imprimi – lá no site www.entreguesuaarma.gov.br. A arma deve ser transportada separada da munição.
Não é necessário se identificar, tão pouco dizer de onde veio a arma. O guarda civil cadastra os dados da arma entregue e gera um protocolo de indenização e recibo. As armas serão encaminhadas ao exército e lá danificadas. A indenização (de R$ 100 a R$ 300, de acordo com o tipo de arma) pode ser retirada em qualquer posto de auto-atendimento do Banco do Brasil.

Pai é pai, na liberdade ou no cárcere

Paulo Henrique ao sair do presídio, acompanhado por Nice, agente da Pastoral Carcerária

Texto publicado em
O SÃO PAULO

Era sexta-feira, dia 12, 12h40, quando o portão da Penitenciária “Mário Moura e Albuquerque” se abriu pela última vez para Paulo Henrique Nascimento da Silva, 28 anos. Era a liberdade para o pai de Ana Alice e Vinícius, depois de sete anos e 11 meses de cumprimento de pena por tráfico de drogas. Era o Dia dos Pais mais esperado.

No portão do presídio, debaixo de um sol forte, Paulo abriu um sorriso, respirou fundo e falou a O SÃO PAULO. “A sensação é boa demais. A liberdade é o melhor presente que eu poderia ter ganhado, esse é o melhor Dia dos Pais que eu já tive. Vou cuidar dos meus filhos, da minha esposa e reconstituir minha família cada vez mais”.

Nas mãos, o jovem pai, carregava uma pequena bíblia, fotos da família e seu alvará de soltura. O corpo magro trazia um velho agasalho, bermuda e chinelas havaianas, que sustentaram seu ansioso caminhar, até sua casa no Jardim Ângela, zona sul da capital.

Pai de Ana Alice, 10, e Vinícius, 11, Paulo Henrique passou seu Dia dos Pais com toda a família. “Meus filhos ficaram bem com a presença do pai. Eu, que por muito tempo fui pai e mãe, fico muito feliz que ele, agora, assuma seu papel”, disse Elisângela Nascimento, esposa do jovem pai. A história de Paulo Henrique não é única. A reportagem esteve nos presídios de Franco da Rocha, nos dias 11 e 12, para acompanhar a “saidinha” dos pais que visitaram pela primeira vez seus filhos e falar com aqueles que não desfrutaram do benefício. “Aqui há um vazio. Há a saudade da família, dos irmãos e amigos. Eu peço perdão aos meus filhos e a vocês também pelo o erro que eu cometi. Espero não errar mais. Vou levar minha vida adiante, trabalhar e criar minhas filhas”, disse Pinto Lúcio Figueiredo, 55 anos. Pai de três filhos e cumprindo pena há cinco anos, de um total de 13 por homicídio. Depois de cinco anos, o mineiro Pinto Lúcio passou novamente o Dia dos Pais com seus filhos.

Calado, à frente do portão, estava Francimar Coelho Viana, 49 anos, pai de Denílson, preso há um ano e condenado há cinco anos e três meses por tráfico de drogas.  Essa é a primeira vez que nossa família passa por isso. Espero que meu filho não faça mais nada de errado. Todos temos direito de errar, não é? Mas não pode ficar errando. É ruim demais deixar ele aqui”, disse o pai que viaja da zona leste de  São Paulo, até Franco da Rocha, todo domingo para visitar o filho.“Enquanto ele  estiver preso, eu venho aqui, é meu filho, não vou abandoná-lo”.

Também no dia 12,O SÃO PAULO visitou o Raio 2, onde 446 homens cumprem pena. Lá histórias de arrependimento e saudade, se misturam às queixas quanto à morosidade da Justiça e falta de benefícios “na cadeia”. “Se nós tivéssemos escola e emprego bom, a senhora acha que ia “tá” cheio de gente aqui?”, dizia um jovem universitário preso, em meio aos demais no raio. Muitos se aproximavam da reportagem para deixar uma mensagem para seus pais e filhos, até que Laudinice Pedreira Rocha (Nice), agente da Pastoral Carcerária, pediu um momento para a oração.

Uma roda se abriu no meio do raio. Em seu entorno, as celas, antenas de TV com os seus “gatos” e roupas secando no varal, compuseram o cenário dos pedidos de oração, pelos pais falecidos, pelos filhos, pelas famílias e pela presença da pastoral no presídio. As orações se seguiram, até que um homem se dirigiu ao meio do grande círculo, abriu a bíblia, leu uma passagem do livro do Êxodo e pediu:  “Pai não nos deixeis cair de novo, dá-nos a esperança, a cada dia”, era Anderson Lima de Souza, 27 anos. De mãos dadas, trancados no Raio 2 e cobertos pelo céu azul, o “Pai Nosso” foi rezado com intensidade, seguido de uma Ave Maria, como poucas vezes visto por essa reportagem.

Beata Dulce dos pobres aquece coração e bolso de turistas

Durante a beatificação de irmã Dulce, em Salvador (BA), percorreu algumas das mais de 300 igrejas que circundam a Arquidiocese Primaz do Brasil. Mas não são apenas as igrejas históricas que seduzem os turistas, a beata Dulce dos Pobres também tem ajudado ao turismo da região. Segundo o Ministério do Turismo, o Memorial Irmã Dulce, localizado no Largo de Roma, Cidade Baixa, recebia até a beatificação do “Anjo Bom” cerca de 35 mil pessoas por ano, sendo 25% destes, provenientes dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, e Ceará. Depois da beatificação, constatou-se um aumento de 70% na chegada de turistas. Ainda segundo o ministério são esperados 80 mil fiéis ainda em 2011.

A beatificação da religiosa baiana mobilizou a Bahia em discussões sobre ações de fortalecimento dos roteiros religiosos e o Ministério do Turismo já destinou R$ 5,4 milhões para a implantação da Praça Irmã Dulce, localizada em frente ao Memorial e às Obras da Irmã Dulce. A destinação foi realizada, mas o recurso ainda não chegou. Na praça, que fica também de frente ao Santuário dedicado à beata, observava-se, na véspera da beatificação: moradores em situação de rua, lixo espalhado pelo chão – não se via lixeiras – e até um cão morto. A Bahia já faz parte dos roteiros turísticos da agência de viagens oficial da Igreja Católica.

O calendário de manifestações religiosas baianas é extenso: há a Lavagem da Igreja do Bonfim, a Festa de Santa Bárbara, a Romaria de Bom Jesus da Lapa e a Festa da Boa Morte. A Beata Dulce dos Pobres será celebrada em 13 de agosto. O Pelourinho acolhe dezenas de igrejas, teatros, museus, galerias de arte, entre outros, um dos pontos turísticos mais visitados d Brasil. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o turismo religioso movimenta 8,1 milhões de viagens domésticas por ano, representando 3,6% das viagens realizadas dentro do Brasil.

Segundo a Embratur, 15 milhões de pessoas se deslocam anualmente no país por motivos religiosos, movimentando R$ 6 bilhões. Além da Bahia as cidades de São Paulo, Aparecida, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e algumas cidades históricas de Minas Gerais são pontos que mais aquecem o turismo religioso.