Agora, temos podcast

Inauguro hoje meu podcast Ká entre Nós. Toda sexta-feira, trarei uma provocação, um tema, uma lágrima ou um sorriso. Trarei livros, colegas, e enfim, um espaço nosso. Inicio hoje com minha reflexão sobre as tantas culpas que uma mãe carrega, em especial, as mães que estão presas, baseada na apuração de meu livro O Peso do Jumbo.

Seja bem-vindo, seja bem-vinda 😉#opesodojumbo

Dia do jornalista, e…

Dia do jornalista e por isso dia de angústia também. Dia em que lembramos o nosso papel de desmentir a mentira institucionalizada, de combater a banalização da verdade, a relativização da Ciência, a criminalização dos repórteres, a precarização do nosso trabalho dia a dia, as ameaças veladas e também diárias à democracia, à liberdade de expressão.

Força aos colegas que continuam com ética e compromisso em meio ao caos que vivemos.

Foto do colega Joaquim Souza, enquanto eu cobria as cheias do Rio Madeira, em Porto Velho (RO), em abril se 2014.

#karlamariajornalista

Recomecemos honrando-nos umas às outras

Nossa vida às vezes parece um filme, não é verdade? Roteiros duros, surpreendentes, apaixonantes, cansativos… reescrevê-los é sempre necessário, porque a vida é sim um ciclo de recomeços pequenos e diários que demandam nosso protagonismo, energia e presença. É assim até a morte. Penso que recomeçar seja o verbo mais vivido por nós mulheres…. 😉

Mulheres da Brasilândia em 2007, durante caminhada da Campanha da Fraternidade_ Foto Karla Maria

Por isso recomecemos hoje também pensando que há muito a conquistar: tempo, silêncio, amor próprio, direitos, espaços e oportunidades. Recomecemos quebrando padrões, falsos moralismos, julgamentos, o patriarcalismo.

Recomecemos alimentando a empatia por aquelas mulheres sem privilégios, cujas existências foram pré-definidas pelo capitalismo selvagem, pelo racismo estrutural, pelo machismo mortal.

Recomecemos enxugando as lágrimas e abrindo sorrisos com gana, esperança, solidariedade, sempre com o pé na realidade, essa que diariamente finda ciclos entre nós.

Recomecemos, mulheres.
❤✊🏽 #diadamulher#diadeluta

Mudando de casa e vendendo livros…

Neste momento estou empacotando vários objetos, e neste empacotar também de livros decidi vir aqui te avisar que tenho exemplares de meu terceiro livro “O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere” (Editora Paulus) para te enviar… que tal?

Comprando meus livros, comigo ou com a editora, você apoia meu trabalho como escritora, meus futuros projetos literários, e se informa com qualidade. 😉

Quer comprar comigo? Me escreve…

#opesodojumbo #karlamariajornalista #livros

Os livros de uma repórter

Ontem foi o #diadorepórter, um dia bacana pra exaltar o trabalho de tantos colegas de profissão que “gastam sapato”, mesmo em tempos pandêmicos, para trazer informação de qualidade e sustentar nossa democracia.

Como repórter, trabalhei em diversas redações, nas quais aprendi demais sobre a importância do trabalho coletivo, da apuração séria, do compromisso com o leitor/a, com o país.

Hoje, como repórter independente, sinto falta do frenesi de um fechamento, do café e do papo com os colegas, mas continuo fazendo jornalismo. Prova disso são meus três livros, resultado de anos de trabalho de reportagem, de escuta, pesquisa, apuração, envolvimento e entrega.

Se você é estudante de jornalismo, te desafio a tomar contato com a realidade da profissão por meio dessas páginas. Se você é colega de profissão ou um amante dos livros, ávido por realidades que impactam a vida e o imaginário do coletivo brasileiro, convido/a também a conhecer meus livros.

Como sempre digo, segunda-feira é dia de correio, portanto, se ficar interessado/a em comprar as obras com dedicatória, basta me escrever que envio com marca-página especial.

Meus livros foram publicados pela Editora Paulus e, portanto, você também os encontra em todas as boas livrarias espalhadas pelo país e também no site da editora 😉

Dúvidas? Avaliações sobre os livros? Escreva que adoro receber uma “cartinha” 😉 #opesodojumbo #irmãDulce #mulheresextraordinárias #karlamariajornalista @editorapaulus

Diplomada na AGL

A quarta-feira, 27, estava quente em Guarulhos, e o Lago dos Patos especialmente bonito. É ali, no entorno do lago, que fica a sede da Academia Guarulhense de Letras (AGL).

Foi também naquela quarta-feira que fui diplomada como membro efetivo da AGL ocupando a cadeira 8, cujo patrono é o jornalista, poeta, escritor Aristides Castelo Hanssen, que faleceu em 6 de março de 2020 em Guarulhos.

Fundada em 8 de dezembro de 1978, “A Academia Guarulhense de Letras tem por fim a cultura da língua, da literatura nacional e a preservação do patrimônio histórico e geográfico do município.”

Saiba um pouco mais da Academia e conheça os demais acadêmicos e sua produção literária, aliás… esta será uma das minhas grandes e saborosas missões na AGL: apresentar e difundir a literatura produzida na cidade de Guarulhos. Bora…

No meio da pandemia, o Prêmio Guarulhos de Literatura

Em meio à pandemia, a literatura resiste, insiste, floresce. No sábado, 21 de novembro, escritores e escritoras de todo o país se reuniram virtual e presencialmente para a entrega do Prêmio Guarulhos de Literatura 2020. O encontro presencial banhando a álcool em gel aconteceu no Espaço Livre Café Bar, da querida Vera Novo.

Como escritora finalista que reside em Guarulhos fui à entrega pessoalmente. De máscara e óculos, já que me recupero de uma lesão no olho esquerdo, estava lá feliz ao rever colegas que admiro. Entre eles Auriel Filho, quem sonhou e fez acontecer esse prêmio, além de César Magalhães Borges e Rogério Brito Correia.

Foi com grande alegria e medo do microfone (na verdade do vírus da Covid-19) que recebi o segundo lugar na categoria Escritora do Ano de 2020, e primeiro lugar na categoria Livro do Ano com O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere.

O Prêmio leva o nome de Guarulhos, mas é aberto a inscrições de todo o país. Foram 253 obras inscritas, inclusive finalistas do Prêmio Jabuti. Foi, portanto, uma “festa” bonita, e compartilho com vocês o nome dos vencedores e vencedoras, e convido a conhecerem e lerem os seus trabalhos, os nossos trabalhos.

Categoria poesia de textos inéditos

1º lugar: Leandro Rodrigues – Do mofo suas simetrias
2º lugar: Thamires Andrade – Ombros ou poemas para seres cíclicos
3º lugar: Dilson Solidade Lima – Antes da mais Cinza Noite

Categoria escritor do ano
1º lugar: Viviane Ferreira Santiago (As dez Marias)
2º lugar: Karla Maria (O Peso do Jumbo)
3º lugar: André Kondo (Lendas japonesas)

Categoria Livro do ano
1º lugar: O Peso do Jumbo, de Karla Maria
2º lugar: A pandemia da invisibilidade do ser, de Paula Valéria Andrade
3º lugar: As dez Marias autora, de Viviane Ferreira Santiago

Os três finalistas de cada categoria receberam troféus, e os primeiros lugares de cada categoria receberam R$ 2.000. O poeta Leandro Rodrigues, autor de Do mofo suas simetrias, terá suas poesias publicadas pela Editora Patuá, uma das patrocinadoras do evento.

O Prêmio também homenageou o escritor, poeta cordelista e xilógrafo João Gomes de Sá, alagoano de Água Branca.

Destaco e chamo a atenção de vocês para a participação das mulheres, que, dentre as 253 obras inscritas, eram autoras de 200 delas. Exalto Viviane Santiago, Thamires Andrade e Paula Valéria. Juntas nos revezamos com nossa literatura nesse pódio. Exalto todas e todas que se atrevem a escrever, em tempos da banalização do saber e do viver.

Obrigada à Editora Paulus por apostar no livro O Peso do Jumbo, e obrigada também a meu companheiro Felipe, por permanecer ao meu lado, mesmo quando eu precisei atravessar fronteiras, muros e trancas.

O Peso do Jumbo revela traços de nossa sociedade. Revela homens e mulheres que estão envolvidos em um sistema que parece não ter solução e que está diretamente ligado à ausência de cidadania, direitos e paz em nosso país. Não há respostas simples em meu livro. Há complexidade, superação, prisão, punição, liberdade, paixão.

É isso, prêmios servem para nos animar a continuar. Continuarei!

Agora, membro da Academia Guarulhense de Letras

Espreitei pela janela o sol bonito desta quarta-feira, 26 de agosto de 2020. À tardinha, ele aquecia gentilmente mais um dia de pandemia, mas um dia bonito na minha história. De modo simples, sozinha, no quarto dos livros do nosso apartamento na Vila Milton, fui acolhida virtualmente pela Academia Guarulhense de Letras (AGL). Como disse, foi simples, assim como a construção de um livro.

Sem luzes, só trabalho, e às vezes solidão. Recebi sorrisos, poesia, missão. A de ao lado dos acadêmicos promover a cultura da língua, da literatura nacional e a preservação do patrimônio histórico e geográfico do município.

Imagino que seja a caçula. Chego de mansinho. Observando, admirando, aprendendo e construindo de modo coletivo meios de apoiar a literatura nesta cidade, que já é minha. Não chego sozinha, quando possível Jandilisa Grassano e Devanildo Damião ocuparão comigo – literalmente – três das 40 cadeiras da AGL. Agradeço a indicação de Valdir Carleto e a aprovação e acolhida de todos os acadêmicos, em nome da presidente Antonia Vaz.

Só a indicação já tinha tomado meu coração de alegria.

Tudo dói neste país ultimamente

Já escrevi uma reportagem sobre aborto que causou muita, muita dor de cabeça e insultos a mim, seja por falta de interpretação do que estava escrito na reportagem ou por falta de capacidade de as pessoas lidarem com assuntos complexos que demandam análises e comportamentos que vão além da simplista dualidade. Está no meu livro, o Mulheres Extraordinárias. Leiam…

Falar da menina que foi estuprada dói demais. Por quatro anos essa pequena foi violada. E é disso que quero falar aqui… de um pênis enfiado à força em um corpinho de seis, sete, oito, nove anos de idade. Uma, duas, três…sei lá quantas vezes ao longo de todos estes anos… imaginem essa violência física somada ao cheiro, à presença deste homem, deste monstro em sua casa, à mesa com sua família, um espaço que deveria ser de amor, acolhida, alegria. Dói escrever e deve causar repulsa ler isso… mas é disso que se trata. A violação de uma infância.

Desde pequena tive medo disso, e descobri muito recentemente que fui abusada quando era ainda menor que esta pequena. O impacto eu sinto até hoje. Pânico, medo, tristeza… Dói falar disso e dói os julgamentos. A lei está aí desde a década de 1940. Mulheres vítimas de abuso sexual e/ou que correm risco de morrer podem interromper uma gestação. Mulheres… imaginem crianças, cujos corpos não estão preparados para gerar uma vida.

Dói falar também da interrupção de uma vida e ontem, na Sé, vi algumas jogadas pelas calçadas. Não vi manifestação na porta da Prefeitura em defesa dos meninos que cheiravam cola pra enfrentar a realidade da rua. Dói. Tudo dói neste país ultimamente. E trago isso aqui para expor o criminoso que cometeu esse abuso. Ele deve ser o foco da ira de tantos, não a criança. Não a vítima. A blogueira que vazou os dados da menina deve ser processada por violar a privacidade e aumentar a tortura dessa família. Não julguem mais uma vez a mulher, criança. Não.

Domingo de Páscoa em Quarentena

A Páscoa de 2020 entrará para a história. Um dia que tradicionalmente seria de festa para os cristãos espalhados por todo o mundo, de celebração da Ressurreição de Cristo, foi transformado em um dia de respeito à saúde coletiva, de fé introspectiva, de esperança, isolamento e também de luto. E não podia ser diferente.

“Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incômodos que a pandemia está causando, desde os sofrimentos físicos até aos problemas econômicos”, disse o papa Francisco durante a missa que presidiu neste domingo, 12, na Basílica Vaticana.

No Brasil, o Ministério a Saúde (MS) divulgou às 18h18 deste domingo em seu site, o número de óbitos até agora pelo covid-19, 1.223. Para além dos números… 1.223 pessoas morreram vítimas de um vírus cujo remédio ou cura ainda não existe. São atualmente 22.169 casos confirmados pelo país, segundo os números consolidados pelo MS com informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até às 14h deste domingo.

A maioria dos casos se concentram no estado de São Paulo, com 8.755 casos e 588 mortes. O estado do Rio de Janeiro concentra 2.855 casos e 170 óbitos. “A taxa de incidência da doença no Brasil, que considera a quantidade de casos registrados para cada um milhão de habitantes, é de 105. Ao todo, seis unidades da federação estão acima desta média: Amazonas (287), Amapá (267), Distrito Federal (201), São Paulo (189), Ceará (182) e Rio de Janeiro (164)”, informa o Ministério.

Os números de casos e mortes estão sub-notificados já que não estão sendo realizados testes suficientemente no país, além de nem todas as secretarias estaduais de Saúde terem repassado as informações de casos e mortes ligadas ao Covid-19 na sexta-feira, feriado nacional.

E apesar dos números indicarem que a curva de infectados pela Covid-19 permanece em ascensão, o presidente Jair Bolsonaro  continua a ignorar as recomendações por distanciamento social, sempre reforçadas pela equipe técnica da Saúde e incentivar com seu exemplo, aglomerações de pessoas. Em suas aparições públicas, o presidente cumprimenta pessoas, posa para fotos, recebe e dá abraços contrariando tudo o que especialistas em todo o mundo orientam.

São muitos os que dizem, na esquerda, no centro e na direita do cenário político do país, que Bolsonaro já não governa o Brasil e segue buscando o caos para justificar o fracasso de seu governo que desde sua gênese usa métodos pouco honestos de convencimento de seus eleitores.

Resta saber, até quando seus seguidores e eleitores continuarão apoiando o ex-capitão que segue governando contra o conhecimento e a Ciência, e convivendo com questões delicadas ainda sem respostas como a manutenção do líder do laranjal do PSL em seu governo, a “rachadinha” de seu herdeiro na Assembleia Legislativa do Rio, o cheque de Queiroz na conta da primeira-dama e o próprio Queiroz, que diferentemente da Covid-19, ninguém mais ouviu falar.

Feliz Páscoa, meus leitores/as e se puderem, fiquem em casa.