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Salzburgo

Pela janela do trem veloz que corta este canto do leste Europeu, Salzburgo aparece como mais uma beleza escondida do Velho Mundo.

Entre as montanhas pintadas pela natureza de verde, marrom, vermelho e todas as nuances possíveis nesta paleta de cores despontam florestas, torres e muros que recordam tempos medievais, em que só os livros e depois o cinema puderam registrar.

Chove lá fora e as vacas passeiam nos pastos. Casinhas com chaminés lembram que ali há famílias que precisam de calor. Flores decoram varandas. A vida acontece com ou sem cinema.

Escrevi sobre Salzburgo recentemente, na verdade sobre os 50 anos do filme A Noviça Rebelde, para a seção de Cultura da Revista Família Cristã, e essa cidade que atravessa meus olhos neste momento era e é cenário desse sucesso cinematográfico, já parte do nosso repertório cultural.

Compartilho o texto escrito há meses e minha alegria por testemunhar agora, além das telas, a beleza única deste lugar:
A Noviça Rebelde chega aos 50 anos

O filme resgata com música e alegria o humano, em tempos em que as famílias vão deixando de ser espaço de diálogo e amor.
Poucas são as atividades que conseguem unir os sentimentos de diferentes gerações, que valorizam a vida em sua simplicidade, nos pequenos encontros do cotidiano, em família. O filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965) consegue isso e o faz há 50 anos, elevando o nome do Estado de Salzburgo, localizado no extremo norte da Áustria Central, a um dos locais mais musicais do mundo, porque foi por ali também que em 1756 nasceu o compositor Wolfang Amadeus Mozart.

A história de A Noviça Rebelde é baseada em fatos e conta a história da família austríaca Von Trapp, que em 1938 foge da invasão nazista para buscar refúgio nos Estados Unidos. Mas a trama vai além, revela uma história universal, um caso de amor entre uma noviça e uma família. Talvez aí esteja o segredo de tamanho sucesso, tanto nas telas do cinema quanto nos palcos.
A família: as sete crianças e o capitão da marinha Georg Von Trapp (Christopher Plummer) viviam em luto imposto pela saudade da mãe biológica. Sem jeito para lidar com a ausência materna, o capitão imprimiu um regime espartano, de quartel, que no cinema ficou engraçado. Talvez não fosse para as crianças. Auxiliado por um apito, impunha suas regras para conduzir a turminha, que, arredia, espantava as candidatas ao cargo de governanta. Isso até a chegada da noviça rebelde, Maria (Julie Andrews).

A nova governanta, Maria, era jovem, bonita e cheia de vida. Era noviça no convento beneditino na Abadia de Nonnberg, em Salzburgo. Encantada pela natureza dos Alpes, sempre se “perdia” cantando. Cantar, aliás, era uma de suas paixões. Anos antes de entrar no convento sempre ia a igrejas assistir às apresentações de Bach. Inclusive, em uma destas ocasiões decidiu tornar-se freira.

Mas a verdade é que Maria era considerada rebelde demais. Já noviça, subia em árvores e ralava os joelhos. Atrasava-se para tudo, menos para comer, assim revelaram as freiras na história. O filme te faz sorrir e cantar com a alma. Leva-te à infância, ao Dó-Ré-Mi.

Mas Maria não conseguia lidar com as normas do convento, dado seu espírito excessivamente livre para amar a natureza, a música e a Deus manifesto e presente nos outros. A madre superiora do convento questionou-a sobre sua vocação religiosa e, sábia, a mandou para fora dos muros do claustro, para a mansão da família Von Trapp, onde iria cuidar das crianças impossíveis de serem domadas. Ali, a jovem descobriu sua maior vocação: a de ser mãe e ter uma família.

Com o passar do tempo, as crianças e a noviça vão criando fortes laços afetivos, sendo a música o fator de união. Ela se apaixonou pelas crianças e pelo capitão, o inverso também aconteceu e ali surgiu uma família, com, claro, todos os enredos de uma história de amor, alimentados também pela então Baronesa (Eleanor Parker), noiva do capitão Georg, com separações, impossibilidades e reencontros.
E assim, depois de quase três horas de filme, Maria e Georg se casam na mesma abadia que ela frequentava quando ainda era noviça. Ela com 22 anos, e ele com 25 anos a mais. Além de cuidar dos sete filhos que Georg teve com a primeira esposa, Agatha Whitehead, Maria teve outros três, que o filme não apresenta.
Escrito por George Hurdalek, baseado no livro The Story of the Trapp Family Singers, de Maria Von Trapp, e dirigido por Robert Wise, o filme revela em 12 cenas paisagens belíssimas de Salzburgo, e talvez a mais famosa delas se passe nas montanhas onde Julie Andrews aparece cantando The Hills are Alive with the Sound of Music. Cena imortalizada no cinema mundial.
A Noviça Rebelde venceu os Oscar de melhor filme, diretor, edição, som e trilha sonora em 1966. Recebeu ainda indicações ao prêmio de melhor atriz para Julie Andrews, melhor atriz coadjuvante para Peggy Wood, a madre superiora, e melhor fotografia a cores, direção de arte a cores e figurino a cores. Além de levar o Globo de Ouro no mesmo ano como melhor filme na categoria comédia/musical e melhor atriz em comédia/musical, premiando Julie Andrews. É um dos musicais mais populares já produzidos, estima-se que já arrecadou mais de 1 bilhão de dólares.

A história é bela, popular e de muito sucesso. Envolvente, reforça a importância da família, do afeto e da ternura entre pais e filhos. Resgata o humano nos tempos em que o nazismo perseguia e matava. Resgata o humano em tempos como os nossos, em que as famílias vão deixando de ser espaço de diálogo e de amor.

Aqui é rock and roll, aqui é Grammy

O álbum “A Vida Num Segundo”, gravado pela Paulinas-Comep, é um dos cinco indicados ao Grammy Latino 2017, na categoria melhor álbum cristão em língua portuguesa.

Há poucos meses entrevistei os integrantes da banda Ceremonya para as páginas da Revista Família Cristã. Foi um papo bacana sobre vida, música e fé. Hoje compartilho com vocês nossa conversa e com ela a trajetória e o trabalho desses caras que estão na estrada há algum tempo.

ceremonya

Eles vestem roupas pretas, calçam botas, usam piercings e têm tatuagens pelo corpo. Alguns pintam os olhos, outros mantêm os cabelos longos soltos ou presos em rabos de cavalo e coque. Dividem-se entre guitarras, bateria, vocal, teclados, violão e baixo. São roqueiros, do heavy metal, mas não se enganem, eles são muito mais do que a famosa estética eternizada pela mídia.

Trata-se de Danilo Lopes (bateria e vocal), Nei Medeiros (teclados), Gustavo Dübbern (guitarra), Eduardo Zanchi (guitarra e violão) e Régis Costa (baixo), músicos do Ceremonya, uma banda de rock cristã fundada em 2004, com o objetivo de chegar aos jovens, que a Igreja muitas vezes não alcança, através do som, através do heavy metal.

Este estilo musical – marginalizado do rock – surgiu no fim da década de 1960 pelas mãos de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, integrantes do Black Sabbath. E foi na década de 1970 que o estilo musical ganhou fama de satanização, graças às performances do cantor e compositor americano Alice Cooper. Mas, contudo, não impediu de hoje o mesmo estilo musical servisse também de base para a evangelização. O cenário da música católica está aí para provar.

Guinada musical – Na década de 1990, despontou no Brasil a banda Eterna, fundada por Danilo Lopes, que permaneceu na banda por sete anos tocando um rock de qualidade e fazendo um sucesso grandioso, marcando gerações, até que partiu em busca de novos horizontes e fundou o Ceremonya.

O início dos trabalhos na nova banda foi tocando metal exclusivamente em inglês e era sucesso entre a “molecada”, como chama seu público o vocalista da banda. Com o tempo, o próprio Danilo Lopes, ao tocar no início de sua carreira com o padre Marcelo Rossi no Santuário Theotokos – Mãe de Deus e fazer shows por todo o Brasil, percebeu que suas canções atingiam outros públicos que não apenas os tatuados do heavy metal, e daí surgiu a guinada musical.

Sem abandonar o som pesado, mas com melodias mais suaves regadas pelo baixo experiente de Régis Costa, a banda resolveu dialogar com outros públicos. Passaram a cantar em português. “Eu senti a vontade de fazer um disco 100% em português com músicas que pudessem ser executadas em retiros, grupos de oração, nas missas, e acabou rolando”, conta Lopes.

O resultado dessas dúvidas, angústias e orações, o leitor confere no novo CD: Ceremonya – A Vida num Segundo, pela gravadora Paulinas-COMEP. Um CD com 11 faixas que se dividem entre o peso do rock e a suavidade das baladas, produzido por Marcelo Pompeu e Heros Trench, ambos integrantes da banda Korzus e produtores do CD Depois da Guerra, um álbum premiado no Grammy Latino na categoria Melhor Álbum Cristão em Língua Portuguesa, além de CDs do Ratos de Porão, Hangar, entre outros grandes nomes da cena do heavy metal brasileiro.

“Quando a banda resolve pesar a mão, nota-se uma forte influência do heavy metal, mas há muito daquele rock dito mais moderno nas composições”, avalia o jornalista e crítico musical Antonio Carlos Monteiro. As gravações começaram em julho de 2015 e contaram com oito meses de ensaios e pré-produção.

“Queríamos deixar o disco acessível, que o cara pudesse pegar um violão e tocar todas as músicas. Mas o disco também é pesado, porque gostamos de metal, então este trabalho tem essa coisa de canção, de balada”, aponta Dübbern.

Esperança do encontro – O som é pesado sim. Vozes e afinação de instrumentos são mais graves também. Há muita guitarra e violão, e, quando dedilhados, as cordas lançam no ar o som da rebeldia, e com ela letras de desabafo, pedidos de ajuda, oração, reafirmação, esperança e diálogo com o próprio Deus.

“O músico cristão tem essa responsabilidade, acaba que nos tornamos referência quando subimos ao palco, e por isso a nossa missão, de levar uma mensagem de amor àqueles que em muitos casos estão envolvidos com drogas, sem esperança. Vivemos em um mundo muito difícil, e nós trazemos a boa-nova, porque sem esperança o ser humano não evolui”, avalia o vocalista e compositor da banda, Danilo Lopes.

A música de trabalho, A Vida num Segundo, por exemplo, revela o diálogo de alguém em aflição com Deus. “Não paro aqui, vou viver, é tenso, eu sinto a vida num segundo. Não parto assim, vou dizer: Protejo meus pulsos no último momento, sou templo de Deus!”

Assim, a composição de Nei Medeiros, Danilo Lopes e o produtor Marcello Pompeu revela uma tentativa de suicídio, uma realidade nada inédita, já que o suicídio é a terceira maior causa de morte entre os jovens brasileiros. As canções são intensas, como a história de cada um dos músicos de superação e recomeço.

Quem olha para a belíssima arte da capa do CD, assinada por Carlos Fides, entende bem a que ele veio: apresentar música de qualidade para diversos públicos, aos amantes do metal e aos que preferem as baladas, e mais, criar identidade de seu público com as canções que trazem a esperança do encontro com o próprio Deus. Está aí um belo disco.

Publicado na Revista Família Cristã, edição 967.

Cocada é ouro

Dorivaldo Gomes é baiano de Itabuna, da terra do cacau e de Jorge Amado. Ele tem 71 anos de idade, cerca de 500 medalhas e tantos troféus espalhados em sua sala, que a missão de contá-los não foi cumprida…

Nasceu na roça e nela trabalhou até os 19 anos para ajudar a mãe, Doralice, dona de um sorriso discreto e de mãos firmes que denunciam seus 92 anos.

Em julho, Dorivaldo tornou-se um dos 12 mil brasileiros a conduzir a chama olímpica por um trecho de aproximadamente 200 metros, em Guarulhos, cidade onde reside há 52 anos. “Carregar a chama simboliza que eu represento o Brasil, os atletas, a humanidade em geral e isso é muito gratificante, sei que estou levando um incentivo para a prática do esporte e o Esporte é o remédio da vida”, conta Dorivaldo, e talvez por isso ele não faça uso de nenhuma drágea.

O baiano começou a praticar esporte aos 26 anos de idade, tarde para atletas de alto rendimento, mas não para a vida. Começou com a luta livre chegando a treinar com o lendário Ted Boy Marino, um dos precursores da modalidade no País, que fez bastante sucesso durante os anos 1970 e 1980. E não parou por aí. Praticou halterofilismo, judô, karatê, hapikido, capoeira.

A capoeira ainda faz parte de seus dias, tanto que ao término de nossa entrevista deu demonstrações claras da facilidade com que seu corpo realiza os movimentos que desafiam a gravidade, mas não sua idade. Finaliza os movimentos feliz, com sorriso estampado no rosto, mas a entrevista revela que sua paixão mesmo está no atletismo.

Seu início como corredor foi em 1999, aos 52 anos de idade. Conquistou suas medalhas nas mais diversas localidades e paisagens. Já perdeu a unha do pé direito nas corridas sem nem perceber. Entre suas conquistas destaca as 11 maratonas que percorreu.

Maratonas são corridas realizada na distância oficial de 42,195 km, normalmente em ruas e estradas, e Dorivaldo já levou o primeiro lugar na Maratona em São Paulo, em 2010, e em Porto Alegre, em 2015. “Correr é bom demais. Correr te traz equilíbrio, poder de concentração, vida”, conta o atleta amador que desponta nos jogos estaduais paulista, representando sua cidade, Guarulhos, sem, contudo, contar com qualquer tipo de apoio.

“Apoio a gente recebe de parcerias. Todo o custo tiro do bolso mesmo”, explica, recordando algumas das viagens em que desviava a atenção dos seguranças dos hotéis para se infiltrar no quarto de colegas atletas que pagavam as diárias. Mas o que seria essas dificuldades para quem até fome já superou?

Na infância, lá em Tanquinho, município localizado na Região Metropolitana de Feira de Santana, na Bahia, o menino mais velho dos seis filhos de dona Doralice chegou a passar fome sim. “Às vezes até farinha faltava e para chegar na escola era só depois de finalizado o trabalho na roça, com muita caminhada”, conta Dorivaldo, que por isso, foi concluir o Ensino Médio apenas em 2010, já idoso, em Guarulhos.

Disciplinado pela vida ele deixou a Bahia em 1964. O caminho foi de pau-de-arara e ônibus até sua chegada ao estado de São Paulo. “Aquele tempo era de muito trabalho: fui servente de pedreiro, vendi frutas e até taxista”, conta. Tornou-se motorista da Sabesp e naquela função permaneceu até a sua aposentadoria.

Hoje, como atleta amador, divide seu tempo entre os treinos e os cuidados com sua mãe com quem mora. Seus filhos, Cleverson, Cleyton e Cristiano já estão “criados”, como dizem os mais velhos, e compartilham com o pai o amor pelo esporte, em especial pela capoeira.

O dia a dia de Dorivaldo é de disciplina. Acorda por volta das cinco da manhã e vai correr no parque. É assim todos os dias, com exceção daqueles em que precisa viajar para competir. A alimentação é normal regada por cocadas, o doce preferido do atleta, que inclusive recebeu este apelido – Cocada – por tão bem fazer o quitute e distribuir entre os amigos. “As nutricionistas me puxam a orelha, porque não tenho disciplina com a comida”, envergonha-se.

A corrida também o ajudou a abandonar o tabagismo, embora nunca tenha sido um fumante inveterado, apenas em encontros sociais, como ao tomar uma cerveja com amigos e familiares.

Dorivaldo é uma pessoa muito espiritualizada. Acredita em Deus e coloca nele sua vida, suas conquistas, sua gratidão. “Tudo o que nós temos que buscar em primeiro lugar é o Criador, Jesus, e em segundo você e depois os irmãos”, ensina.

Praticante de Reiki, um sistema natural de harmonização e reposição energética que mantém ou recupera a saúde e, acreditam, seja um instrumento de transformação de energias nocivas em benéficas, Dorivaldo prega o bem e defende que cada um seja instrumento transformador no mundo para o bem de todos, irradiando pensamentos bons para aqueles que o cercam.

Ele é assim. Um homem simples e campeão. Os troféus, medalhas, o uniforme que vestiu para conduzir a chama olímpica, tudo está em sua casa para comprovar sua grandeza, suas conquistas, assim como sua história exemplar de superação.

Talvez esteja aí o segredo deste atleta amador de 71 anos de idade. Cuida do corpo, como templo do sagrado e corre por aí buscando concentração e equilíbrio para emitir o bem, conquistando medalhas, amizades e admiradores em cada linha de chegada.

campoJosimo Moraes, Dorothy Stang, José Claudio e Maria do Espírito Santo…Esses são alguns nomes de vítimas fatais dos conflitos de campo no Brasil. Assassinatos cometidos em 1986, 2005 e 2011, respectivamente, todos na região amazônica e com um mesmo roteiro que caminha para um fim parecido: impunidade.

O ambientalista Raimundo Santos Rodrigues, 54 anos, também foi assassinado, em agosto de 2015, na cidade de Bom Jardim, a 275 quilômetros de São Luís, no Maranhão. Conselheiro do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade desde 2012, na Rebio do Gurupi, local em que morava, foi pego em uma emboscada perto de sua residência.

Ele denunciava a prática de madeireiros ilegais na região do Vale do Pindaré, no Maranhão, e recebia ameaças de morte por defender a preservação da floresta, por resistir e viver na área. “Ele só defendia a floresta, sua biodiversidade, e como conselheiro denunciava os madeireiros, mas o mataram e temos medo que venham atrás da gente também”, diz uma das moradoras da região do Vale do Pindaré, com medo de ser identificada.

A morte de Raimundo consta da lista dos 50 assassinatos praticados em todo o território nacional por conflitos no campo, uma das tantas estatísticas do estudo Amazônia, Um Bioma Mergulhado em Conflitos – Relatório Denúncia, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e que apresenta o mapa da violência no campo brasileiro.

O número de assassinatos por conflitos no campo em 2015 é 39% maior que no ano anterior, quando foram registrados 36 casos. Destes 50 assassinatos, 47 ocorreram na região da Amazônia Legal, sendo 20 em Rondônia, 19 no Pará, seis no Maranhão, um no Amazonas e um no Mato Grosso. Além dos homicídios na região, a CPT registra 30 tentativas de assassinato, 66 prisões de camponeses, 529 conflitos por terra e 93 ameaças de morte.

“Eles nos ameaçam, nos seguem de carro ou moto e ficam observando de longe. Eu tenho medo, mas não posso me calar, porque estes madeireiros e fazendeiros estão matando nossas florestas e nosso povo mais simples, mais pobre. E é este povo que sabe lidar com a terra, preservá-la”, contou uma religiosa do imenso Maranhão, que por segurança não será identificada.

A corajosa irmã diz que a luta é desigual, injusta, e que os conflitos surgem porque as lideranças camponesas denunciam, além dos desmatamentos, o envolvimento de autoridades políticas e policiais, como vereadores, prefeitos e delegados em atos ilegais. “Aqui é terra sem lei”, conclui.

“Enquanto o foco está voltado para Brasília (DF), as violências vão acontecendo. Os fazendeiros, os latifundiários, o pessoal do agronegócio vão se armando, formando as milícias, contratando jagunços; e os dados demonstram claramente o aumento de conflitos e de assassinatos, bem como o aumento nos entreveros a respeito da água, algo novo, e o número de famílias despejadas”, disse dom Enemésio Lazzaris, presidente da Comissão Pastoral da Terra, durante a Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em abril de 2016, em Aparecida (SP).

Para o bispo, a produção do relatório é importante porque dá visibilidade à violência que ocorre em uma região mais afastada e escondida dos noticiários. “O relatório quer dar visibilidade a estas questões que parecem ser periféricas em âmbito nacional, mas não são.”

reportagem

Famílias – A situação é dramática em todo o País. O relatório aponta que em 2015 o número total de ocorrências de conflitos no campo foi de 1.217, contra 1.286 em 2014, e envolveram 102.973 famílias, mais de 816 mil pessoas. O número de famílias despejadas judicialmente em ações de reintegração de posse cresceu 14%, passando de 12.188 em 2014 para 13.903 em 2015.

Em relação às famílias expulsas pelo poder privado (fazendeiros, empresários e seus capangas), o número foi reduzido de 963 para 795. A Região Centro-Oeste, porém, em sentido inverso, apresentou crescimento significativo, passando de nenhum registro em 2014 para 360 em 2015.

Em Mato Grosso, 320 famílias foram expulsas e em Mato Grosso do Sul, 40. Também a Região Norte apresentou crescimento de 18% no número de famílias expulsas (de 179 para 211). O Pará registrou 110 famílias removidas de sua terra; e Roraima, 25, sendo que no ano anterior não houve registro de expulsão.

O Acre apresentou crescimento de 52%, passando de 33 para 50 famílias expulsas.
Bahia e Maranhão também apresentaram, respectivamente, 38 e 40 famílias expulsas, sendo que no ano anterior não houve nenhum registro. “O aumento tanto de despejos quanto de expulsões tem relação direta com o crescimento das ações dos movimentos”, avalia o relatório.

As ocupações de terra no Brasil, apesar de apresentarem um leve recuo de 2% em 2015 (200), ante 205 em 2014, no Centro-Oeste tiveram crescimento de 138%, passando de 21 para 50, com destaque para Goiás, que passou de 3 para 19 (aumento de 533%); Mato Grosso de quatro para 11 (175%); e Mato Grosso do Sul de nove para 16 (78%), segundo o relatório.
Em relação aos conflitos, dominaram aqueles por terra, com 63,4%, e, entre eles, as ocorrências foram 771 ocupações e 200 retomadas, além de 27 novos acampamentos. Os conflitos trabalhistas chegaram a 84, sendo que 80 foram casos de trabalho escravo.

Água – A água foi motivo de 135 conflitos (contra 127 em 2014). Três pessoas receberam ameaças de morte, cinco sofreram tentativa de assassinato, duas foram assassinadas, outras 41 sofreram intimidações, duas foram agredidas, uma foi ferida, outra sofreu danos materiais e três morreram em consequência de conflitos.

Padre Antônio Claret Fernandes, um dos colaboradores do relatório da CPT e membro do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), lembra que no mundo 70% da água potável vai para o agronegócio e apenas 4% para o consumo humano. “Enquanto o agronegócio a esbanja à vontade no desperdício e produção de mercadorias para acumulação de capital, diversas pessoas não têm água para beber e muitos camponeses não dispõem de água para regar suas hortas caseiras”, conta, apontando a origem dos conflitos.

Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas estão privadas do direito à água potável no planeta, e 1,8 milhão de crianças morrem por ano em consequência de doenças advindas de água suja e saneamento inadequado. Em outubro de 2013, a Organização das Nações Unidas (ONU) já advertia que em 2030 pelo menos 40% da humanidade sofrerá escassez de água.
O relatório também aponta os agrotóxicos como ameaça às populações do campo. Em 2015, foram registrados 23 casos de contaminação, com 4.267 famílias afetadas.

Agressores – Segundo o relatório, os fazendeiros, os empresários e os grileiros, são apontados como as três categorias que mais se destacaram, com 74% das ocorrências de ações violentas contra as populações que vivem nas terras. Outros 6% foram por mineradoras, 4% por madeireiras e 2% por hidrelétricas. 10% dessas ações violentas contra populações tradicionais foram cometidas pelo Estado.

A Comissão Pastoral da Terra é uma instituição criada pela Igreja Católica e tem sua raiz no Evangelho e, como destinatários de suas ações, os trabalhadores da terra e das águas. Sua missão, segundo a própria entidade, é também a de registrar e denunciar os conflitos de terra, água e a violência contra os trabalhadores e seus direitos.

amazonas

Reportagem publicada na Revista Família Cristã, edição de junho de 2016

A literatura esquecida de Carolina

Divulgação

Maria Carolina

Karla Maria

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914 na pequena cidade de Sacramento, interior de Minas Gerais. Como escritora, foi descoberta tardiamente, aos 43 anos, em 1958, na extinta favela do Canindé, em São Paulo (SP), onde hoje fica o Estádio do Canindé, da Associação Portuguesa de Desportos. Seu descobridor foi o jornalista Audálio Dantas, então repórter do diário Folha da Noite, de maneira acidental. Ambos se conheceram quando ele trabalhava em uma reportagem sobre a favela. Negra, mãe solteira de três crianças, catadora de papel e semianalfabeta, essa improvável escritora havia estudado apenas até a 2a série do curso primário no Colégio Allan Kardec, do Grupo Espírita Esperança e Caridade, na sua cidade natal. Era então uma mulher que descrevia em cadernos encontrados no lixo, meio sebosos, seu percurso desde que deixou Sacramento, aos 17 anos, até chegar à capital paulista em 1947.

Os cadernos acumulados guardavam memória de 15 anos e eram preenchidos em uma tentativa imaginária de escapar das dificuldades diárias e do nervosismo que a tomava quando a fome era intensa. “Enquanto escrevo, vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim, e eu contemplo as flores de todas as qualidades”, revela um trecho extraído deles. “Seria mais uma das milhares de mulheres que existem pelo País não fosse o fato de dar voz àquilo que vivia e via na favela. Seus montes de caderno foram entregues ao jornalista, e ele, com a sensação do furo e a pecha do ‘novo jornalismo’, selecionou as histórias, editou os textos e criou volumes como Quarto de despejo: Diário de uma favelada, em 1960”, escreveu o professor da Universidade de São Paulo (USP), José Carlos Sebe Bom Meihy, coautor do estudo Cinderela negra: A saga de Carolina Maria de Jesus.

Bitita – Quarto de despejo, o livro de estreia, foi lançado pela Livraria Francisco Alves em agosto de 1960 e, devido a seu estrondoso sucesso, teve oito reimpressões no mesmo ano. Em menos de 12 meses, mais de 70 mil exemplares foram vendidos – uma tiragem bem-sucedida, na época, era de aproximadamente 4 mil exemplares. Nenhum autor no Brasil chegara perto desse fenômeno de venda, nem mesmo o campeoníssimo Jorge Amado. Revistas internacionais do porte de Life, Paris Match e Time fizeram reportagens sobre Carolina e o seu livro. Nos cinco anos seguintes, Quarto de despejo foi traduzido para 14 idiomas em mais de 40 países, como Dinamarca, Holanda, Argentina, França, Alemanha, Suécia, Itália, passando pela República Tcheca, Romênia, Inglaterra, Estados Unidos e chegando à Rússia, Japão, Polônia, Hungria e Cuba.

A catadora de papel Carolina Maria virava celebridade. E mais: sua literatura chegava ao público em momento que as letras eram um espaço reservado a homens brancos, letrados e, com raras exceções, ricos e em posição social elevada. “Se eu tivesse diploma superior, seria respeitada, mas tenho só dois anos de grupo. Sou semianalfabeta”, desabafou Carolina. O mesmo sucesso, porém, não foi alcançado pelos seus livros seguintes Casa de alvenaria: Diário de uma ex-favelada (1961), Pedaços da fome (1963) e Provérbios (1963). Neste mesmo ano, comprou um pedaço de terra em Parelheiros, bairro periférico da zona sul de São Paulo, e iniciou a construção de uma casa. Plantava ali sua horta e criava galinhas, mas ainda passando por inúmeras dificuldades. Sem nunca deixar de escrever. Em 1975, entregou os manuscritos sobre sua infância e adolescência para duas jornalistas francesas que culminaram no livro Journal de Bitita ou Diário de Bitita.

Permanência – “Passados cem anos de seu nascimento e 37 anos de sua morte, Carolina resiste, sobretudo, nos Estados Unidos, onde todos os seus livros estão disponíveis”, afirma o escritor e professor de Literatura Hispano-Americana, na Universidade Federal de São Carlos (Ufiscar), Wilson Alves Bezerra. Para ele, Carolina, no Brasil, ainda é tratada como objeto de estudo.

Por ocasião do centenário de nascimento da escritora, celebrado este ano, o jornalista Audálio Dantas recontou os passos da descoberta, do perfil de Carolina e de como sua literatura foi aceita no cenário brasileiro. “A maioria ‘consumiu’ Carolina como uma novidade, uma fruta estranha. Carolina, como objeto de consumo, passou, mas a importância de seus livros, um documento sobre os marginalizados, permanece”, sentencia. A crítica literária concorda. “Carolina é uma escritora fundamental para entender a literatura brasileira feita, em sua grande maioria, de autores brancos de classe média que dominavam a língua formal. Ela mostra a outra face dessa história, que passa a ser vista do ponto de vista dela, de baixo”, explica a professora da Universidade de Brasília (UnB) Germana Henriques Pereira, autora de O estranho diário de uma escritora vira-lata.

Carolina Maria não conseguiu escapar de seu destino. Cinco anos após o sucesso de Quarto de despejo, ela voltou a catar lixo. “Estou no inferno, não saiu nada do jeito que desejei e eu não gosto de ser teleguiada. Eles é que administram o que arrecado”, escreveu na época. Morreu pobre em 13 de fevereiro de 1977, antes dos cem anos que desejara viver para ler todos os livros do mundo.

Publicado originalmente na Revista Família Cristã, edição de dezembro de 2014.

Viva el Mexico

Catedral Metropolidade Ciudade de Mexico (15) Caminhar pela Cidade do México dá gosto. Um gosto bom, daqueles que a gente tem vontade de trazer para a nossa terra. O gosto pela arte, pela leitura, pela fé. Aqui a mãe de Jesus ganha o nome de “Virgem de Guadalupe” e a devoção por ela não passa despercebida, é moda. Percorrer estas ruas é ver no rosto do povo mexicano os traços indígenas, que mesmo explorado pela colonização espanhola, resistem e encantam.

Ao caminhar pelo Zócalo, o coração da cidade onde ainda se encontram resquícios do que um dia foi a capital da civilização asteca, a Tenochtitlan, vê-se a Catedral Metropolitana, cuja construção demorou 200 anos. Com seus 13 retábulos de diferentes concepções arquitetônicas, destaca-se o Cristo Negro estendido na cruz e adorado por alguns transeuntes que atravessavam as portas que datam do século 16. Construída exatamente sobre o espaço que era antes dedicado aos rituais astecas, os espanhóis não foram sutis em determinar que a colonização trazia consigo, para além da arte e dos costumes europeus, a sobreposição violenta da cultura espanhola sobre os povos que os antecederam.

Caminhando mais um pouco, chega-se ao Palácio Nacional, edifício que pertenceu a Moctezuma, o imperador asteca. Nele, hoje, estão os famosos murais do Diego Rivera intitulado “México, através dos séculos”, pintados entre 1929 e 1951. Já nas escadarias do palácio o visitante toma um sobressalto ao admirar parte do mural, um impacto de tirar o fôlego dada a beleza e dimensão, dados os detalhes da história ali contida e revelada. “Aqui esta a história nacional, desde a chegada dos espanhóis até o pensamento revolucionário do século 20”, contou Guilhermo Westphal, o guia no México, formado em história da arte.

Os painéis de Diego Rivera

Os painéis de Diego Rivera

“Por trás do conjunto se destaca um magnífico trabalho de perspectiva e de documentação por parte de Rivera”, continua Westpahl. Segundo artistas plásticos e historiadores, Rivera teve como inspiração artistas como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Juan Miró, além do arquiteto Antoni Gaudí. Dizem, inspiração esta nascida de sua passagem pela Europa e mais tarde do amor vindo de Frida Kahlo, com quem se casou em 1929. Frida é a mulher que estampa a nota de 500 pesos, mas era mais, muito mais.

Era a terceira filha do segundo casamento de um imigrante alemão judeu e de uma mãe mestiça mexicana católica devota. “A relação de Frida com a mãe parecia ser depressiva e inadequada. Sua profunda sensação de estar só na sua presença está documentada no quadro Meu nascimento”, afirma a psicanalista Gina Khafif Levinzon em seu artigo Frida Kahlo: a pintura como processo de busca de si mesmo.

Aos 18 anos, no dia 17 de setembro de 1925, Frida sofreu um acidente que a marcou profundamente, o bonde em que estava colidiu com um trem, levando-a fraturas em sua espinha dorsal e muito sofrimento, que lhe deixaram sequelas por toda a vida e por toda a arte. Sem poder andar, começou a pintar em sua cama, deitada mesmo. Um espelho foi fixado no dossel de sua cama o que permitia Frida se ver e, desta maneira, tornar-se sua própria modelo.

“O infortúnio não assumiu o caráter de tragédia: eu sentia que tinha energias suficientes para fazer qualquer coisa em vez de estudar para virar médica. E, sem prestar muita atenção, comecei a pintar.”, disse Frida em um de seus diários, revelado pela biógrafa Hayden Herrera, no livro “Frida – A Biografia”.
Ela começou assim, a longa série de autorretratos, que constituem a parte mais significativa e impressionante de sua obra. Os três abortos que sofreu, já depois de casada, mataram sua esperança de ser mãe e constituir uma família completa ao lado de Rivera também marcaram de forma dramática sua arte onde difundida por todo o mundo.

“Foi uma vida de sofrimento durante décadas. A razão inicial foi o acidente. Ela começou a pintar desde menina, desde moça. Aprendeu muito com seu marido. Era talentosa, mas a pintura dela nunca foi considerada importante, 80% dos quadros são auto-retratos”, disse o Guillermo Westphal.

Frida tornou-se um ícone da arte mexicana e também do universo feminino, por ter se mostrado à frente de seu tempo, em questões à época exclusivas aos homens como arte e política. Junto a Diego, Frida abrigou em sua casa um dos ícones da revolução russa Leon Trotsky com sua mulher e netos. O abrigo era a Casa Azul onde viveram de 1929 a 1954. Depois da morte de Frida, em 13 de julho de 1954, o lugar virou o Museu Frida Kahlo, um dos pontos mais visitados do México e não é para menos.

Localizada no elegante bairro de Coyoacán, onde caminhar se iguala à leitura de um bom livro, a Casa Azul está lá, na Rua Londres, 247, esquina com Rua Allende e possibilita ao visitante que se encontre com fragmentos daquilo que um dia foi instrumento da arte e do dia-a-dia de Frida. Chegando à porta da casa pintada com um azul único por Diego a pedido de Frida, deparamo-nos com uma fila formada na maioria por mulheres jovens.

“Frida é a ‘santa padroeira’ das mulheres mexicanas independentes e liberais, obverse o público que a visita”, informou o guia que cresceu no bairro Coyoacán. “Mulheres vestidas com jeans, camisas bordadas com temas indígenas, brincos indígenas”, obsevou.

Do jardim às louças da cozinha, tudo está intacto. As cartas de amor que enviou a Diego, as tintas guardadas em frascos de perfume, seus livros de leitura. Os objetos pessoais está lá ecompõem um quebra-cabeça da mulher mito que faziam questão de valorizar a cultura popular mexicana em suas roupas que também estão expostas.

É possível visitar os quartos em que Frida passava os dias e as noites, o atelier de pintura com uma vista ampla e iluminada para o jardim. O quarto onde recebeu por dois anos Leon Trotski permanece arrumado. No museu há uma amostra da riqueza da produção da artista, com quadros, desenhos, estudos.

Quem visitar a Casa Azul pode estender a caminhada pelo bairro de Coyoacán e visitar também o Museu Anahuacalli, que guarda um acervo pré-hispânico idealizado por Diego Rivera. O Museu Leon Trotski, casa em que viveu e morreu o revolucionário russo após sua acolhida na casa de Frida também está por perto. Outra opção interessante é sentar em um dos cafés do bairro e observar o movimento misturado entre a alegria da juventude e o olhar silêncio dos habitantes mais experientes do bairro. Coyoacán é mais uma joia desta coroa chamada México.

Publicada na Revista Família Cristã/outubro de 2014.

vagão rosa é retrocesso para paulistanas

vagao
Então, os homens terão licença para abusar das mulheres que não utilizarem o tal vagão rosa? Como serão vistas as usuários do metrô que não optarem por utilizarem esse vagão exclusivo? “Safadas”, “olha lá, ela escolheu vir aqui”? Os demais vagões serão espaços com autorização ou vista grossa para abusos, passadinhas de mão e encoxadas?

Mais uma vez estão nos podando, criminalizando. A culpa é dos nossos corpos? das nossas bundas? Ora, que sociedade é esta que vê, admite e outorga a falta de respeito. Por acaso os homens são animais irracionais? Incapazes de controlar suas “tentações”, “desejos sexuais”? Não, não o são e defendo vários deles, que penso devem estar insultados por este projeto de lei do PMDB.

Mais uma vez, a mulher é a tentação na vida do homem. Desde Eva somos as culpadas pelo erro. A vítima se torna a criminosa. Como escreveu a jornalista Eliane Brum, hoje nos colocam em vagões exclusivos e amanhã? saímos de burcas, cobertas para não chamar a atenção dos “pobres e incontroláveis homens”? Ora, que absurdo.

Somos a maioria! Não seremos confinadas ou adjetivadas por entrar neste ou naquele espaço. Somos livres. Mulheres eduquem seus filhos para que se comportem como gente e Homens, por favor, o sejam. Simples assim.


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