Os livros de uma repórter

Ontem foi o #diadorepórter, um dia bacana pra exaltar o trabalho de tantos colegas de profissão que “gastam sapato”, mesmo em tempos pandêmicos, para trazer informação de qualidade e sustentar nossa democracia.

Como repórter, trabalhei em diversas redações, nas quais aprendi demais sobre a importância do trabalho coletivo, da apuração séria, do compromisso com o leitor/a, com o país.

Hoje, como repórter independente, sinto falta do frenesi de um fechamento, do café e do papo com os colegas, mas continuo fazendo jornalismo. Prova disso são meus três livros, resultado de anos de trabalho de reportagem, de escuta, pesquisa, apuração, envolvimento e entrega.

Se você é estudante de jornalismo, te desafio a tomar contato com a realidade da profissão por meio dessas páginas. Se você é colega de profissão ou um amante dos livros, ávido por realidades que impactam a vida e o imaginário do coletivo brasileiro, convido/a também a conhecer meus livros.

Como sempre digo, segunda-feira é dia de correio, portanto, se ficar interessado/a em comprar as obras com dedicatória, basta me escrever que envio com marca-página especial.

Meus livros foram publicados pela Editora Paulus e, portanto, você também os encontra em todas as boas livrarias espalhadas pelo país e também no site da editora 😉

Dúvidas? Avaliações sobre os livros? Escreva que adoro receber uma “cartinha” 😉 #opesodojumbo #irmãDulce #mulheresextraordinárias #karlamariajornalista @editorapaulus

Diplomada na AGL

A quarta-feira, 27, estava quente em Guarulhos, e o Lago dos Patos especialmente bonito. É ali, no entorno do lago, que fica a sede da Academia Guarulhense de Letras (AGL).

Foi também naquela quarta-feira que fui diplomada como membro efetivo da AGL ocupando a cadeira 8, cujo patrono é o jornalista, poeta, escritor Aristides Castelo Hanssen, que faleceu em 6 de março de 2020 em Guarulhos.

Fundada em 8 de dezembro de 1978, “A Academia Guarulhense de Letras tem por fim a cultura da língua, da literatura nacional e a preservação do patrimônio histórico e geográfico do município.”

Saiba um pouco mais da Academia e conheça os demais acadêmicos e sua produção literária, aliás… esta será uma das minhas grandes e saborosas missões na AGL: apresentar e difundir a literatura produzida na cidade de Guarulhos. Bora…

No meio da pandemia, o Prêmio Guarulhos de Literatura

Em meio à pandemia, a literatura resiste, insiste, floresce. No sábado, 21 de novembro, escritores e escritoras de todo o país se reuniram virtual e presencialmente para a entrega do Prêmio Guarulhos de Literatura 2020. O encontro presencial banhando a álcool em gel aconteceu no Espaço Livre Café Bar, da querida Vera Novo.

Como escritora finalista que reside em Guarulhos fui à entrega pessoalmente. De máscara e óculos, já que me recupero de uma lesão no olho esquerdo, estava lá feliz ao rever colegas que admiro. Entre eles Auriel Filho, quem sonhou e fez acontecer esse prêmio, além de César Magalhães Borges e Rogério Brito Correia.

Foi com grande alegria e medo do microfone (na verdade do vírus da Covid-19) que recebi o segundo lugar na categoria Escritora do Ano de 2020, e primeiro lugar na categoria Livro do Ano com O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere.

O Prêmio leva o nome de Guarulhos, mas é aberto a inscrições de todo o país. Foram 253 obras inscritas, inclusive finalistas do Prêmio Jabuti. Foi, portanto, uma “festa” bonita, e compartilho com vocês o nome dos vencedores e vencedoras, e convido a conhecerem e lerem os seus trabalhos, os nossos trabalhos.

Categoria poesia de textos inéditos

1º lugar: Leandro Rodrigues – Do mofo suas simetrias
2º lugar: Thamires Andrade – Ombros ou poemas para seres cíclicos
3º lugar: Dilson Solidade Lima – Antes da mais Cinza Noite

Categoria escritor do ano
1º lugar: Viviane Ferreira Santiago (As dez Marias)
2º lugar: Karla Maria (O Peso do Jumbo)
3º lugar: André Kondo (Lendas japonesas)

Categoria Livro do ano
1º lugar: O Peso do Jumbo, de Karla Maria
2º lugar: A pandemia da invisibilidade do ser, de Paula Valéria Andrade
3º lugar: As dez Marias autora, de Viviane Ferreira Santiago

Os três finalistas de cada categoria receberam troféus, e os primeiros lugares de cada categoria receberam R$ 2.000. O poeta Leandro Rodrigues, autor de Do mofo suas simetrias, terá suas poesias publicadas pela Editora Patuá, uma das patrocinadoras do evento.

O Prêmio também homenageou o escritor, poeta cordelista e xilógrafo João Gomes de Sá, alagoano de Água Branca.

Destaco e chamo a atenção de vocês para a participação das mulheres, que, dentre as 253 obras inscritas, eram autoras de 200 delas. Exalto Viviane Santiago, Thamires Andrade e Paula Valéria. Juntas nos revezamos com nossa literatura nesse pódio. Exalto todas e todas que se atrevem a escrever, em tempos da banalização do saber e do viver.

Obrigada à Editora Paulus por apostar no livro O Peso do Jumbo, e obrigada também a meu companheiro Felipe, por permanecer ao meu lado, mesmo quando eu precisei atravessar fronteiras, muros e trancas.

O Peso do Jumbo revela traços de nossa sociedade. Revela homens e mulheres que estão envolvidos em um sistema que parece não ter solução e que está diretamente ligado à ausência de cidadania, direitos e paz em nosso país. Não há respostas simples em meu livro. Há complexidade, superação, prisão, punição, liberdade, paixão.

É isso, prêmios servem para nos animar a continuar. Continuarei!

Agora, membro da Academia Guarulhense de Letras

Espreitei pela janela o sol bonito desta quarta-feira, 26 de agosto de 2020. À tardinha, ele aquecia gentilmente mais um dia de pandemia, mas um dia bonito na minha história. De modo simples, sozinha, no quarto dos livros do nosso apartamento na Vila Milton, fui acolhida virtualmente pela Academia Guarulhense de Letras (AGL). Como disse, foi simples, assim como a construção de um livro.

Sem luzes, só trabalho, e às vezes solidão. Recebi sorrisos, poesia, missão. A de ao lado dos acadêmicos promover a cultura da língua, da literatura nacional e a preservação do patrimônio histórico e geográfico do município.

Imagino que seja a caçula. Chego de mansinho. Observando, admirando, aprendendo e construindo de modo coletivo meios de apoiar a literatura nesta cidade, que já é minha. Não chego sozinha, quando possível Jandilisa Grassano e Devanildo Damião ocuparão comigo – literalmente – três das 40 cadeiras da AGL. Agradeço a indicação de Valdir Carleto e a aprovação e acolhida de todos os acadêmicos, em nome da presidente Antonia Vaz.

Só a indicação já tinha tomado meu coração de alegria.

Tudo dói neste país ultimamente

Já escrevi uma reportagem sobre aborto que causou muita, muita dor de cabeça e insultos a mim, seja por falta de interpretação do que estava escrito na reportagem ou por falta de capacidade de as pessoas lidarem com assuntos complexos que demandam análises e comportamentos que vão além da simplista dualidade. Está no meu livro, o Mulheres Extraordinárias. Leiam…

Falar da menina que foi estuprada dói demais. Por quatro anos essa pequena foi violada. E é disso que quero falar aqui… de um pênis enfiado à força em um corpinho de seis, sete, oito, nove anos de idade. Uma, duas, três…sei lá quantas vezes ao longo de todos estes anos… imaginem essa violência física somada ao cheiro, à presença deste homem, deste monstro em sua casa, à mesa com sua família, um espaço que deveria ser de amor, acolhida, alegria. Dói escrever e deve causar repulsa ler isso… mas é disso que se trata. A violação de uma infância.

Desde pequena tive medo disso, e descobri muito recentemente que fui abusada quando era ainda menor que esta pequena. O impacto eu sinto até hoje. Pânico, medo, tristeza… Dói falar disso e dói os julgamentos. A lei está aí desde a década de 1940. Mulheres vítimas de abuso sexual e/ou que correm risco de morrer podem interromper uma gestação. Mulheres… imaginem crianças, cujos corpos não estão preparados para gerar uma vida.

Dói falar também da interrupção de uma vida e ontem, na Sé, vi algumas jogadas pelas calçadas. Não vi manifestação na porta da Prefeitura em defesa dos meninos que cheiravam cola pra enfrentar a realidade da rua. Dói. Tudo dói neste país ultimamente. E trago isso aqui para expor o criminoso que cometeu esse abuso. Ele deve ser o foco da ira de tantos, não a criança. Não a vítima. A blogueira que vazou os dados da menina deve ser processada por violar a privacidade e aumentar a tortura dessa família. Não julguem mais uma vez a mulher, criança. Não.

Racismo, até quando?

Eu não sei você, mas por aqui o peito segue apertado, angustiado. Hoje, uma sexta-feira fria em Guarulhos, depois de uma reunião e um copo quentinho de café, estou aqui sentada – que privilégio – ouvindo o relato de Mirtes. Ouvindo e chorando. Admito. Não é mimimi, como dizem uns, é o sentimento de humanidade comum a todos nós, ou a quase todos.

Mirtes Renata Santana de Souza, essa mulher forte, corajosa, ex-empregada doméstica do prefeito de Tamandaré, uma cidade do Pernambuco, fala da morte de seu pequeno Miguel. Ela fala com tanta dor e saudade. Ele era sua vida, seu orgulho, sua motivação diária

O pequeno Miguel Otávio foi muito cedo e de uma maneira que escancara a classificação que a elite deste país faz dos brasileiros. Miguel tinha apenas cinco aninhos de idade. Um sorriso sapeca, de criança verdadeiramente feliz. Morreu à procura da mãe. Foi abandonado – criminosamente – dentro de um elevador pela patroa da mãe, enquanto sua mãe passeava com a cachorra da família branca, rica.

Será que a patroa Sari Gaspar Corte Real, a primeira dama de Tamandaré, deixaria um sobrinho, um filho dentro do elevador sozinho? Será que ela apertaria o botão do elevador levando o menino para um andar mais alto, afim de que Miguel ficasse “passeando” sozinho dentro do prédio? Você deixaria uma criança sozinha no elevador?

Caímos aqui em algumas reflexões necessárias, indignações, diria. Fosse Miguel uma criança branca seria ele tratado desta maneira? Aquilo que há de mais sagrado, a vida de uma criança, foi banalizada, colocada em risco, para que a patroa, dama da elite pernambucana pudesse continuar fazendo as unhas em casa com sua manicure, em meio a uma pandemia de Covid-19, que até o momento em que escrevo este texto matou mais de 34 mil pessoas no Brasil.

Absurdo a manicure e Mirtes terem de ir até o condomínio rico, em meio à pandemia. Outro absurdo, dentre tantos, foi a demora em conseguir localizar o nome da patroa de Mirtes, porque a polícia preferiu não divulgar. E se fosse o contrário? Se Mirtes fosse a empregada preta que tivesse negligenciado a segurança da filha da patroa? Alguém duvida que ela teria sido levada no camburão e estaria presa provisoriamente, aguardando um julgamento como 43% da população prisional brasileira aguarda. Alguém duvida?

A patroa, a primeira dama, foi indiciada por homicídio culposo, pagou 20 mil de fiança e responde em casa, em liberdade. Na mesma casa em que fazia as unhas, enquanto o pequeno Miguel procurava a mãe e caia de 35 metros de altura.

O fato de a primeira-dama, branca, ter contado com privilégios mesmo sendo a criminosa, corresponde ao cenário existente dentro dos presídios que visitei, onde a esmagadora maioria dos presos são pretos. Observe que são maioria nas cadeias, não porque são os que mais cometem crimes, diferentemente do que racistas têm propagado pela blogosfera, e sim, porque todo o sistema judiciário possui mecanismos racistas que privilegiam os criminosos que são brancos e nãos os prendem. Simples assim.

Vejas as abordagens policiais pelas ruas, pelos aeroportos, pelos elevadores… Há seleção de quem deve ser preso, e morto. Das ruas até os juris. Seleção baseada em preconceitos, estigmas entre as autoridades policiais e jurídicas. E a cor da pele é elemento de decisão. Pergunte aos homens e mulheres pretas com quem você convive e se não convive… escute-os, leia-os. Fuja da ignorância, da alienação.

Enfim, este texto é um desabafo, uma maneira de arrancar do peito tanta indignação diante à banalidade do mal. Miguel, Mirtes, Ágatha, Marcos Vinícius, João Pedro, Amarildo, Marielle, George Floyd e tantas e tantas pessoas morreram e morrem diariamente vítimas de racismo, de um sentimento de superioridade branca, e que coloca os cidadãos que têm mais melanina em um lugar de não-cidadania, de não-vida.

Até quando? Até quando?

#vidasnegrasimportam

Qual a sua narrativa de combate a covid-19?

No momento em que escrevo estas palavras, o Ministério da Saúde revela, a partir de informações das secretarias estaduais de saúde, que 5.901 pessoas morreram no país vítimas do covid-19. Dados de 30 de abril às 16h50. São 85.380 casos confirmados e quase 50% deles estão localizados na região sudeste do país, que compreende os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

Só no Estado de São Paulo são 2.375 óbitos e uma ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) chegou a 89%, elevando a pressão sobre o sistema na região a um nível que o governo decidiu enviar os pacientes graves para tratamento no interior do estado. Os números poderiam ser piores não fosse o isolamento social adotado pela população.

Há contudo, uma tendência em afrouxamento deste isolamento, muito incentivada pelo comportamento e falas do presidente da República, que continua contrariando a Ciência e desobedecendo orientações da Organização Mundial da Saúde. Tal constatação é de um estudo ainda em andamento de economistas da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas) e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Os pesquisadores usaram dados de geolocalização de celulares para comparar as variações no índice de isolamento em municípios brasileiros pró ou anti-Bolsonaro, classificados de acordo com os resultados das eleições de 2018, cota o jornalista Bruno Fávero. Na pesquisa, os economistas descobriram que os níveis de adesão às quarentenas dos dois grupos são parecidos na maior parte do tempo, mas caíram em cidades bolsonaristas depois de duas falas do presidente, em 15 e 24 de março, em que ele criticou enfaticamente medidas de distanciamento.

O então candidato do PSL, Jair Bolsonaro, venceu em 631 das 645 cidades do estado de São Paulo no 2º turno das eleições de 2018. Fernando Haddad (PT) ganhou em apenas 14 municípios.

#EmCasa
É portanto, diante deste cenário possível aumento da tensão no SUS, do aumento de mortes e da necessidade de isolamento social que iniciativas de solidariedade brotam nas periferias e nas redes sociais para ajudar a atravessar física e emocionalmente esta quarentena.

Informar, formar, entreter e inspirar são objetivos de diversas entidades, grupos e associações neste momento, e da Editora Paulus também, que me convidou para um bate-papo sobre o processo de criação de meus livros, que são reportagens de fôlego com caminhos bem peculiares.

Nesta conversa falo da minha quarentena, da perda do meu avô (ainda escreverei sobre a despedida em momento de quarentena). Levanto a bandeira do uso da máscara e peço para que se você pode, fique em casa, lembrando que nem sempre eu posso também já que engrosso a fileira dos desempregados formais. Quando preciso ir à ruas vou com todos os cuidados para evitar a transmissão do covid-19. Faça você o mesmo. Confere aqui meu bate-papo.

Domingo de Páscoa em Quarentena

A Páscoa de 2020 entrará para a história. Um dia que tradicionalmente seria de festa para os cristãos espalhados por todo o mundo, de celebração da Ressurreição de Cristo, foi transformado em um dia de respeito à saúde coletiva, de fé introspectiva, de esperança, isolamento e também de luto. E não podia ser diferente.

“Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incômodos que a pandemia está causando, desde os sofrimentos físicos até aos problemas econômicos”, disse o papa Francisco durante a missa que presidiu neste domingo, 12, na Basílica Vaticana.

No Brasil, o Ministério a Saúde (MS) divulgou às 18h18 deste domingo em seu site, o número de óbitos até agora pelo covid-19, 1.223. Para além dos números… 1.223 pessoas morreram vítimas de um vírus cujo remédio ou cura ainda não existe. São atualmente 22.169 casos confirmados pelo país, segundo os números consolidados pelo MS com informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até às 14h deste domingo.

A maioria dos casos se concentram no estado de São Paulo, com 8.755 casos e 588 mortes. O estado do Rio de Janeiro concentra 2.855 casos e 170 óbitos. “A taxa de incidência da doença no Brasil, que considera a quantidade de casos registrados para cada um milhão de habitantes, é de 105. Ao todo, seis unidades da federação estão acima desta média: Amazonas (287), Amapá (267), Distrito Federal (201), São Paulo (189), Ceará (182) e Rio de Janeiro (164)”, informa o Ministério.

Os números de casos e mortes estão sub-notificados já que não estão sendo realizados testes suficientemente no país, além de nem todas as secretarias estaduais de Saúde terem repassado as informações de casos e mortes ligadas ao Covid-19 na sexta-feira, feriado nacional.

E apesar dos números indicarem que a curva de infectados pela Covid-19 permanece em ascensão, o presidente Jair Bolsonaro  continua a ignorar as recomendações por distanciamento social, sempre reforçadas pela equipe técnica da Saúde e incentivar com seu exemplo, aglomerações de pessoas. Em suas aparições públicas, o presidente cumprimenta pessoas, posa para fotos, recebe e dá abraços contrariando tudo o que especialistas em todo o mundo orientam.

São muitos os que dizem, na esquerda, no centro e na direita do cenário político do país, que Bolsonaro já não governa o Brasil e segue buscando o caos para justificar o fracasso de seu governo que desde sua gênese usa métodos pouco honestos de convencimento de seus eleitores.

Resta saber, até quando seus seguidores e eleitores continuarão apoiando o ex-capitão que segue governando contra o conhecimento e a Ciência, e convivendo com questões delicadas ainda sem respostas como a manutenção do líder do laranjal do PSL em seu governo, a “rachadinha” de seu herdeiro na Assembleia Legislativa do Rio, o cheque de Queiroz na conta da primeira-dama e o próprio Queiroz, que diferentemente da Covid-19, ninguém mais ouviu falar.

Feliz Páscoa, meus leitores/as e se puderem, fiquem em casa. 

 

O Peso do Jumbo chega a SP dia 18

Quando o jornalismo te leva para além da obviedade, de julgamentos e percepções rasas, para a realidade de um tema que criminaliza até quem o toca

WhatsApp_O-peso-do-jumboBanner, convites e marcadores de página. Tudo está pronto para o lançamento do meu mais novo livro em São Paulo. Estou me referindo a O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere, que chega aos leitores da capital paulista no próximo dia 18, uma quarta-feira, às 19h, na Livraria da Paulus da Vila Mariana, o mesmo lugar onde há três  anos eu lançava em 2017 meu primeiro livro, o Mulheres Extraordinárias.

Vamos a O Peso do Jumbo. Ele surgiu,  inconscientemente, há cerca de 15 anos, mas na prática eu levei um ano e sete meses para realizar todas as  viagens, entrevistas, pesquisas, apurações  e a elaboração do texto em si. Este livro é, portanto, o resultado de anos e anos de cobertura do sistema carcerário, iniciado em meus tempos de repórter do jornal O SÃO PAULO.

Lá, uma jovem repórter, ainda sem dores nas costas e grudada em um bloquinho, cobria o trabalho da Pastoral Carcerária Padre Macedo, da Região Episcopal Brasilândia. Eu adentrava as unidades penitenciárias pelas mãos da Nice, a Laudenice Pereira, e quem leu o Mulheres Extraordinárias já a conhece bem.

O trabalho de apuração naquele tempo consistia em ver a atuação dos agentes da Pastoral, mas eu não parava aí e conversava com os presos, funcionários do presídio e familiares, que estavam à porta das unidades penitenciárias. Começava ali o interesse por uma realidade que fica à margem da sociedade e que a reflete de modo único, real e constrangedor.

Cadeia Pública de Porto Alegre
Com a juíza Sonali Da Cruz Zluhan na cadeia Pública de Porto Alegre, maio de 2018 | Foto Lizandra Nunes, assessora de assuntos estratégicos da Cadeia Pública

 

Lembro-me bem da primeira vez que atravessei aqueles muros. O ar suspenso, o barulho das trancas, o cheiro úmido desagradável, o nó no estômago, a garganta seca. O silêncio. Os gritos. Hoje tudo é dramatizado por séries de streaming, mas nada substitui a experiência que fundamenta minha ideia de que quem entra ali sai diferente. Eu saí.

Página 9, O Peso do Jumbo
Mas o livro é mais. É o conjunto de uma série de visitas realizadas em presídios gaúchos e paulistas, entre 2017 e 2018, somado a conversas com juízas, familiares de presos, brigadianos, defensores públicos, agentes da Pastoral Carcerária, pessoas presas… É –  em palavras – aquilo que uma mulher sente dentro do cárcere, seja ela presa, repórter ou agente do Estado.

É prática do jornalismo que busca exercer sua função social, a de informar a sociedade para que ela, munida da verdade, tome suas decisões. Por isso também, minha campanha diária contra a notícia falsa, a popular fake news, que marca a sociedade contemporânea brasileira.

 

Há muito o que falar sobre este livro, mas ele já está escrito e pronto para a sua leitura. Sugiro fortemente que o leia. E se ainda não te convenci a participar do lançamento no dia 18 ou a comprar este livro, compartilho com você algumas das boas e interessantes entrevistas que concedi nas últimas semanas sobre este trabalho. Escrevê-lo me incomodou, me machucou e espero – sinceramente – que incomode também você.

 

Lançamento do livro O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere
Data: 18 de março, às 19h
Local: Livraria da Paulus Metrô Vila Mariana (Rua Dr. Pinto Ferraz, 207 / São Paulo)
Informações 
WhatsApp: (11) 98751-3009  Tel.: (11) 5549-1582