Irmã das crianças e dos mais pobres

Do sudoeste do Paraná à periferia de São Paulo, irmã Clara contou partes de sua missão em levar educação e cultura às crianças e aos mais pobres

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A entrevista com a irmã Clara Amadio aconteceu em maio de 2017. Ela estava com 86 anos. Ontem, 25 de abril de 2018, soubemos de sua morte. Ela partiu, mas é certo que deixa em muitos de nós, inclusive em mim, sua energia, vitalidade e paixão em tudo amar e servir. Esteja em paz, irmã Clara. Seu sorriso e seu exemplo não serão esquecidos.

Segue a matéria que fiz sobre ela, nos morros da nossa Brasilândia… A entrevista aconteceu na primeira sala de catequese que sua congregação instalou no Elisa Maria, um bairro da periferia de São Paulo. Era 1993 e o bairro figurava entre as regiões mais violentas do estado de São Paulo quando as missionárias armaram sua “tenda” por lá.

Pequena, a sala tinha um sofá duro que apontava: ali não havia descanso. Para poder nos receber, a religiosa tinha acordado às 5h30. Já tinha atendido uma família, que segundo ela estava bem desestruturada, passou peças de roupa, secou o cabelo e deu um jeito nas unhas, embora tenha dito que não cultiva muita vaidade.

A conversa foi longa e nos levou ao começo de tudo: Capivari, cidade no interior de São Paulo onde a religiosa nasceu e foi batizada pelos pais Maria Luiza e Jiácomo como Etelvina Amadio, que em italiano significa Ama Deus. “Eu tive uma infância muito simples e muito bonita”, confessou a religiosa.

Caçula da família de sete irmãos, a menina tornou-se irmã Clara anos depois, quando completou 21 anos e entrou para a Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora. Em 1956, professou os votos religiosos. Ela conta que sua família não queria e que a impediu desde os 18 anos de idade de entrar para o convento.

Na ocasião, além da lista de enxoval, a jovem precisava apresentar um atestado de saúde à congregação para que iniciasse a vida religiosa, mas em consulta médica descobriu que ao longo de três meses seus irmãos estavam intervindo com o médico. “Era o médico da família, mas o meu irmão Fausto tinha passado antes de mim lá e ajeitado tudo com ele”, contou lembrando-se das artimanhas do irmão.

Irmã Clara Amadio_foto de maio de 2017_Karla Maria_2

Pressionou o médico e enfim conseguiu o atestado. No dia em que saí de casa para Jaú, local do convento, a família entrou em choque. “Naquele dia ninguém foi trabalhar. Parecia que alguém tinha morrido de tanto choro. A minha mãe levantou às 4 horas da manhã pra chorar mais e já fazia três dias que ela chorava. Meus irmãos homens, barbados, todos chorando”, contou a irmã com sorriso sincero, achando graça de seu passado.

Não foi só a partida que fora difícil. Quando chegou ao convento, achou o hábito, a roupa de freira, um tanto estranha, mas pensou: “não vou deixar de ser freira por causa disso”. Às vésperas do Concílio Vaticano II (1962-1965), irmã Clara liderava uma certa rebeldia junto às demais jovens e viveu os novos ares deste novo tempo na Igreja. “Ele (o Concílio) abriu o caminho. O que era essência e o que não era essência. Ele mostrou o que era principal, importante tanto para as freiras quanto para a Igreja toda. Ela queria era ajudar os mais pobres, servi-los, mas não entendia determinadas regras.

“Eu não aceitava tudo. Eu tinha dificuldade para ser obediente. Eu era liberta e briguenta, porque eu dialogava demais e isso lá (no convento) era meio raro. Eu batia na porta da superiora e falava irmã, eu não gostei da sua atitude naquele momento, a senhora errou. Ela via que eu uma menina boa e que tinha dom, por isso perdoava”, desabafou a irmã.

O caminho – Com suas sandálias andou pelo País levando a presença e o carinho de Deus, a Palavra transformadora. Destaca, contudo, uma experiência em especial, a que viveu no Paraná com famílias de agricultores analfabetos em Jaracatiá, hoje conhecida por Enéias Marques, no sudoeste do estado.

Era 1965 e lembra-se da simplicidade do povo, do frio que era grande e desafiava ainda mais a vida naquele cotidiano. Sem luz, a religiosa conta que as aulas duravam o tempo que as velas levavam pra queimar. “Quando acabava a vela, acabava a aula. Mas as velas daquele tempo eram melhores que as de hoje. Duravam mais tempo”, disse a irmã, divertindo-se.

Lembra-se que muitos adultos e crianças atravessavam quilômetros a pé e descalços a roça queimada pela geada para estudar com irmã Clara. Chegavam com os pés congelados, e lá a irmã os acolhia com duas bacias e uma toalha. Lavava os pés de cada um que chegava. Primeiro na água fria, para tirar o gelo, e depois na quentinha, a fim de aquecê-los e prepará-los para a aula.

Secava os pés de cada um e deixava-os prontos para o chão de madeira da escola improvisada, que tão bem os acolhia. Ali, o ensino ia além de qualquer conteúdo programático, e a ceia do lava-pés acontecia todo dia. “Ali, éramos três professoras e eu era a diretora também. Tínhamos uma relação de muito carinho com todos os alunos”, confidenciou a religiosa.

Anos mais tarde, em 2013, irmã Clara voltou à escola para matar a saudade daquele povo e para sua surpresa e lágrimas reviveu os gestos que praticara décadas antes. Seus olhos, socorridos por um par de óculos, acompanharam dois homens adultos se aproximarem com bacias e toalhas. Lavaram e secaram-lhe os pés.

“E eles lavaram meus pés lembrando quantas vezes eu lavei os pés deles. Carregaram-me no colo, você acredita? Há muitas marcas, muitas”, diz a irmã, emocionada. “Foi um gesto muito bonito”, conta a irmã com os olhos fechados bem apertados, sorriso de gratidão e mãos juntas postas sobre o peito, como se revivesse aquela cena.

São Paulo – Há 21 anos irmã Clara vive no Jardim Elisa Maria e faz desse espaço sua casa, onde doa e recebe atenção. Caminha pela periferia de muito buraco, lixo e esperança, sendo chamada pelo nome carinhosamente. “A presença das irmãs aqui no bairro foi muito importante e decisiva na vida de muito jovens, como eu. Elas nos deram educação e possibilidades de crescer e fazer o bem longe do mundo do crime”, disse Kelly Suzana de Araújo Silva, 37 anos, o braço-direito de irmã Clara.

Irmã Clara Amadio co Kelly_foto de maio de 2017_Karla Maria
Irmã Clara Amadio e Kelly Suzana de Araújo

Kelly é graduada em administração e teologia. Caminha agora para sua segunda pós-graduação na área de pedagogia. É testemunha viva do bem que irmã Clara e sua congregação fizeram para o bairro. Hoje, ela é diretora da Associação Sociocultural Madre Teresa de Jesus, iniciada na comunidade quando irmã Clara era provincial de sua congregação. E o capítulo para a conquista do terreno de ampliação para a associação conta com boas doses daquela “santa” rebeldia de sua juventude.

Na ocasião, por volta de 1995, irmã Clara escreveu cartas e mais cartas ao então arcebispo de São Paulo, cardeal dom Claudio Hummes, apresentando a realidade do bairro e pedindo dinheiro para a compra de um terreno no Jardim Elisa Maria que ampliasse a oferta de projetos para a comunidade. Contou com a ajuda do então bispo auxiliar da Região Episcopal Brasilândia, o falecido dom José Benedito Simão, para ganhar o coração do cardeal.

Com o dinheiro compraram o terreno e, de lá para cá, a associação oferece diariamente educação e atividades de cultura e lazer. Com 12 funcionários, recebem diariamente 220 crianças e adolescentes, divididos em duas salas com idades de seis e sete anos, duas de nove e dez anos, uma sala de oito e nove e duas de 11 a 15 anos.

“Sempre o Senhor me inspirou a amar muito as crianças e aos pobres. Não vale a pena viver e só rezar. A oração e a ação têm que estar perfeitamente unidas e desde criança sempre fui muito levada a querer o bem dos outros e sempre lutei por isso”, conta a irmã, que tem diabetes e três pontes de safena no coração.

Segundo os médicos precisa aprender a pisar no freio nas atividades pelos morros do Jardim Elisa Maria, o que parece ser a tarefa mais difícil de ser cumprida, já que aos 86 anos a irmã continua não medindo esforços para chegar às crianças e aos mais pobres, levando educação e plenitude na vida.

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(in memoriam)

3 mil denunciam problemas na saúde da periferia de SP

Agentes da Pastoral da Saúde defendem criação de hospital na Brasilândia

Texto e fotos: Karla Maria

Era dia 26, 13h59. O bairro: Taipas, zona noroeste da capital. Temperatura: 36ºC e o fresco refúgio era a Paróquia Nossa Senhora das Dores. O povo ia chegando para a caminhada de abertura da Campanha da Fraternidade (CF).

O tema Fraternidade e Saúde Pública atraiu agentes das comunidades, das diversas pastorais e da Cáritas. Segundo a Polícia Militar, cerca de 3 mil pessoas ocuparam mil metros da Avenida Elísio Teixeira Leite, na altura do número 7.400. Saíram às ruas reivindicando :“Que a saúde se difunda sobre a terra”.

O povo não caminhou sozinho, 27 padres, dezenas de religiosos, o bispo regional, dom Milton Kenan Junior e o arcebispo, dom Odilo Scherer
também caminharam. “Esta é uma das atividades propostas pela CF para manifestar e tornar pública a situação e nossa preocupação com a saúde no
país”, disse o cardeal.

Cartaz da Campanha da Fraternidade- 2012 da CNBB

Após a abertura solene da Campanha da Fraternidade em âmbito arquidiocesano, realizada na Catedral da Sé, na Quarta-feira de Cinzas, dia 22, as regiões episcopais também quiseram iniciar a refl exão sobre saúde pública e fraternidade com celebrações que reuniram os fi éis das paróquias e comunidades “Nessa Campanha da Fraternidade

A caminhada contou com leitura da Bíblia, oração, música, um manifesto em literatura de cordel, denunciando a precariedade do atendimento do SUS e um ato na frente do Hospital Geral de Taipas.  À frente, a cruz guiava a caminhada até a Paróquia Cristo Libertador, na travessa Leonardo Gandará. Ali um povo acolhedor esperava para a missa presidida pelo cardeal.

Maria da Conceição Souza, 76 anos é paroquiana e membro da Pastoral da  Saúde. Para ela “a CF vem esclarecer como funciona o SUS [Sistema Único de Saúde]. É tempo de conhecer nossos direitos”, disse a usuária da Unidade Básica da Saúde da Cohab de Taipas.  Dom Milton concorda “não
estamos formados para exigir das autoridades que se cumpram nossos  direitos”.

Dona Maria da Conceição

Destacou a urgência de uma participação efetiva dos fiéis nos conselhos paritários dos aparelhos de saúde. Denunciou a falta de hospitais na região.
“Em Perus, onde vivem cerca de 500 mil pessoas, não há um hospital para atendimento. Precisamos de mais e dignos hospitais, em que todos sejam atendidos com dignidade e que nos empenhemos nessa luta”.

Luta que Isaías Virgílio da Silva, 65 anos, sustenta há 9, como membro do conselho gestor da UBS da União da Vila de Taipas. “Lá cobramos o que está na constituição e já tivemos várias conquistas: uma mamógrafo e duas  reformas da unidade”.

A missa acabou por volta das 18h com homenagem à Nossa Senhora da Saúde. O violino de Renata Santos de Souza, uma jovem de Perus, deu espaço à voz de padre Jorge Feltrin, assessor da Pastoral da Saúde. “Espero a criação da escola do SUS, um melhor atendimento dos enfermos nos hospitais e o  fotalecimento da Pastoral da Saúde”.

Para padre Reinaldo Torres, assessor da CF na região a abertura foi só o  começo. “Não pode ser somente esta celebração. Que a região Brasilândia
volte às ruas para gritar por uma saúde pública de qualidade. Que neste ano
de eleições, a gente não viva de promessas, mas com o pé no chão. Que  tenhamos consciência de cobrar pelos nossos  direitos”.

Matéria Publicada no O SÃO PAULO, edição 2890.

“Onde não há utopia não há futuro”

9° Fórum Social Mundial

Desde Porto Velho – RO, no 12° Intereclesial de CEBs, assumi com a iniciativa, indicação e benção do padre José Renato a missão de reaticular as CEBs e Grupos de Rua do setor Pereira Barreto. Com o apoio e confiança dos padres do setor realizamos momentos de partilha da experiência que vivi por lá. Partilhei também os anseios, dúvidas, lutas e reflexões que as comunidades do nosso Brasil estão vivendo.

Para minha grata surpresa, percebi que nossas comunidades, do Oiapoque ao Chuí, são iguais. Guardados os “deliciosos” sotaques, a maneira de celebrar, a cultura local e a realidade econômica: somos todos povos de Deus, preocupados essencialmente em alimentar os irmãos com a Palavra de Deus e com o pão de cada dia. E como é bonito enxergar isso.

Como primeiro gesto deste “novo tempo”, de rearticulação no Setor vamos realizar,  hoje sexta-feira, (11/12), às 20h, na Par. Nossa Sra. de Fátima, a Missa de Encerramento da Novena de Natal das Comunidade e Grupos de Rua do Setor Pereira Barreto. Presidirá a missa dom Angélico Bernadino Sândalo, bispo emérito de Blumenau.

Nosso compromisso para 2010 é caminhar juntos, com o pé fincado na realidade do povo, realidade que envolve formação cristã, pastoral, cidadã, na área de comunicação, no cuidado com o meio-ambiente, com a juvetude, no cuidado com a vida em todos os sentidos. Para começar vamos refletir com toda a Região Brasilândia, sobre a CF-2010, com o tema:  “Economia e Vida”. Anote na sua agenda:

  • 30/01- Formação sobre a Campanha da Fraternidade (local ainda a ser definido)
  • 21/02 – Abertura da Campanha da Fraternidade 2010 (local ainda a ser definido)

Você que recebeu este e-mail certamente está envolvido, de uma forma ou de outra com a Caminhada da Igreja, com os Meios de Comunicação alternativos e/ou com os Movimentos Sociais. Portanto, está convidado a celebrar conosco este bonito e por que não, histórico momento no Setor Pereira Barreto. Estarei por lá, compareça!

A Par. Nossa Sra. de Fátima, fica na Av. Paula Ferreira, 1522 Vila Bonilha, São Paulo – SP. Ela faz parte do Setor Pereira Barreto, um dos setores que compõem a Região Episcopal Brasilândia, que por sua vez está localizada dentro da Arquidiocese de São Paulo.

“Onde não há utopia não há futuro”, Dom Pedro Casaldáliga
Karla Maria
Comissão de CEBs e Pascom- Região Episcopal Brasilândia
11 8831-8485
11 3978-5254
https://kmspagu.wordpress.com
http://cebsbrasilandia.blogspot.com

1º Simpósio Sobre ‘O Lixo Nosso De Cada Dia’

O Primeiro Simpósio sobre o “Lixo” da Região Episcopal Brasilândia acontece amanhã, 25 de abril de 2009, das 8h30 às 17h, no salão da Igreja dos Santos Apóstolos, Jardim Maracanã (Igreja de Zinco), Av. Itaberaba, 3.907 – Região Noroeste da Capital.

Com o objetivo de debater e apresentar propostas para uma nova Política de coleta e aproveitamento dos resíduos do ‘lixo nosso de cada dia’ em substituição à atual política que tem custos gigantescos. Levantamento realizado aponta em torno de um bilhão de reais, que são pagos às empresas privadas que transportam o lixo das portas das casas até os aterros sanitários.

Para atingir esse objetivo serão realizados debates sobre:

1. a maneira de se coletar e reciclar o lixo da Cidade minimizando gastos, afastando agentes disseminadores de doenças e detendo a deterioração e a piora do entorno natural nas vizinhanças dos aterros sanitários.

2. a correta compostagem e destinação do lixo orgânico a fim de diminuir o volume de resíduos que são depositados em aterros sanitários, sem tratamento.

3. a contribuição da coleta seletiva dos resíduos recicláveis pela Prefeitura Municipal e por cooperativas de trabalho populares.
Para estimular o debate e fomentá-lo com informações, estarão presentes Alexandre de Moraes, Secretário Municipal da Secretaria de Serviços e Obras, Minoru Kodama, Técnico Ambientalista , Leonardo Aguiar Morelli, Organização Paulistana Defensoria da Água.

Entrevista coletiva – às 13h.  O 1º Simpósio ‘O lixo nosso de cada dia’ é promovido pelo Núcleo de Fé Política, Comissão das Pastorais Sociais, Pastoral da Ecologia e CRP (Conselho Regional de Pastoral) da Região Episcopal da Brasilândia da Arquidiocese de São Paulo.

Coordenação: Cilto José Rosembach / contato: 3971 6408 e 9393 9407
Assessoria de  imprensa: José Eduardo de Souza / contato: 3209 7945 e  9154 5261

Igreja estimula reflexão, debate e formação em torno da Segurança Pública

Abertura da CF-2009 na Brasilândia
Pedido de Justiça sob um sol escaldante / foto de Karla Maria

O Brasil contabiliza hoje 8.602 paróquias, a Arquidiocese de São Paulo 287 e a Região Brasilândia 35 paróquias. Considerando que cada paróquia possui suas comunidades, que variam de zero à 10 (muito mais ou menos) podemos imaginar o peso da Campanha da Fraternidade, a importância da discussão nestes espaços sobre a Segurança Pública, sobre a construção de uma cultura de paz e a pressão ao poder público que tal conscientização pode gerar.

 

Para marcar este importante momento de formação da Igreja no Brasil, mais uma vez a Brasilândia reuniu cerca de 2500 pessoas para abertura da CF-2009 na região e para a Caminhada pela paz que percorreu as ruas do Recanto dos Humildes, em Perus.

Preocupação ambiental…

sorriso da esperança
sorriso da esperança / foto Karla Maria

De baixo de um sol forte, muita água para hidratar, mas nada de copos plásticos. Em todas as atividades pastorais a Região Brasilândia pede que cada agente de pastoral leve consigo sua caneca; em eventos, há ainda a distribuição gratuita para todos. Esta é a tentativa de criar um hábito “políticamente correto” e mais do que isso, criar consciências responsáveis com o meio ambiente.

Mais informações na semana…

A paz é fruto da justiça

Em todo o Brasil a Igreja Católica lança durante a quaresma, Campanha da Fraternidade, este ano com o tema Fraternidade e Segurança Pública – A paz é fruto da justiça, a Igreja convida à construção de uma cultuira de paz e ao mesmo tempo, se coloca em alerta, às situações de injustiça que permeiam a sociedade. 

Em sintonia com toda a Igreja, a região Brasilândia promove nesta  tarde a Abertura da CF-2009 com suas comunidades e paróquias, padres, religiosas, leigos e leigas.

Abertura da CF-2009 na Região Brasilândia

Concentração às 14h na Praça do Samba em Perus. A equipe de coordenação, pede para que todos levem suas canecas de água, não serão distribuídos copos plásticos.

A Região Brasilândia e o 10° Plano Pastoral para a Igreja de São Paulo

 é necessário superar os pecados da ação pastoral, aquela de manutenção e sair para a missão, num comportamento de transformação social” Antonio Manzatto. 

os "morros da Brasilândia / foto Karla Maria
os "morros" da Brasilândia / foto Karla Maria

Formação permanente para as lideranças, este é um dos destaques do padre Antonio Manzatto, Doutor em teologia pela Universidade de Lovaina, Bélgica, sobre o 10° Plano Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, e é também o objetivo da Região Episcopal Brasilândia, ao promover uma noite de formação sobre o plano pastoral para suas lideranças comunitárias e clero.

Aproximadamente cem pessoas se reuniram no último dia 27, no salão da Paróquia Santos Apóstolos, sob o olhar e encaminhamento do padre Antonio Manzatto, para tomarem conhecimento do 10° Plano Pastoral. Este documento, à luz do Documento de Aparecida traz as diretrizes gerais para as ações pastorais para a cidade de São Paulo, o documento, contudo, não anula as deliberações locais dos setores, paróquias e comunidades. 

Segundo padre Manzatto, o plano se estrutura no método ver, julgar e agir; no encontro com Jesus, no Discipulado de ação missionária e na conversão pastoral, e é diante destes pilares que a Igreja olha para a cidade de São Paulo e julga necessário agir, reiterando sua opção pelos pobres, que se espalham pelas periferias e sofrem com a ausência e omissão do Estado.  

 

Antonio Manzatto, assessor na formação da Região Brasilândia
Antonio Manzatto, assessor na formação da Região Brasilândia

Vê a necessidade “de superar a lógica de mercado e das religiões que promovem apenas o bem estar das pessoas, é necessário superar os pecados da ação pastoral, aquela de manutenção e sair para a missão, num comportamento de transformação social”, afirma Manzatto.

 Outros destaques do plano pastoral, na visão do teólogo são: a orientação para se repensar a participação dos leigos e leigas na Igreja e para que ela recupere o modelo CEBs – Comunidades Eclesiais de Base – de ser igreja. Para que as paróquias sejam como redes de comunidades e que se reinsira na vida eclesial, as preocupações sociais. Uma formação permanente teológica e específica para as lideranças e o clero também foi destacada, porém, formações capazes de refletir a fé e fomentar ações segundo o Evangelho. 

Em sua conclusão padre Manzatto lembrou que este é mais um documento, que só terá valor, se de fato, tanto aqueles que o assinam, quanto o clero e lideranças regionais, colocarem em prática suas palavras, para que os frutos sejam ações pastorais em defesa dos mais pobres de São Paulo.

A Região Episcopal Brasilândia… como Igreja surgiu em 1989 a partir da reorganização da Arquidiocese de São Paulo e da Região Episcopal Lapa. Abrange as sub-prefeituras de Perus, Pirituba, Freguesia/Brasilândia e casa Verde/Cachoeirinha, totalizando 1.258.922.

  População por Distritos…

 Pirituba/Jaraguá…………………….413.120 habitantes

Perus/Anhanguera…………………131.713 habitantes

Freguesia / Brasilândia…………..402.437 habitantes 

Casa Verde / Cachoeirinha……..311.652 habitantes

Esse povo caminha, luta e grita

XI Romaria para o Grito dos Excluídos

Romeiros da Brasilândia: quem tem fé, vai a pé

 

 

 

9° Romaria a Pé
9° Romaria a Pé

“A Vida em primeiro lugar: direitos e participação popular”, este é o grito da Região Brasilândia, que mais uma vez promove a Romaria a Pé do Grito dos Excluídos. Esta é a 11° edição da romaria, que respondendo ao chamado de Cristo, caminha e luta junto com os pobres, contra todas as formas de exclusão e injustiças presentes na sociedade.

 

 

Com os pés fincados na existência e na dura realidade dos mais pobres, os cerca de 120 romeiros caminharão pelas ruas da região. A Romaria terá como ponto de partida, a Comunidade Deus Pai dos Humildes no dia 5 de setembro às 8h da manhã, passarão por comunidades e paróquias, rezando e cantando, gritando em defesa da vida, em defesa de todas as formas de vida.

No dia 6, já no centro de São Paulo, no Pátio do Colégio, assistirão a uma peça teatral: “Migrantes”; à tarde se encontrarão com dom Pedro Luiz Stringhini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB. As atividades do dia serão encerradas na Casa de Oração do Povo de Rua.

 

No dia 7, Dia da Independência, os romeiros da Brasilândia se reúnem, a todos aqueles que não se calam diante das injustiças em nosso país, para juntos celebrarem a vida, com missa às 7h na Catedral da Sé e depois caminharem até o Monumento da Independência no Ipiranga, onde será realizado um ato público, dando um basta à desvalorização da vida, à falta de prioridades com os mais pobres, ao consumo desenfreado que vem matando a natureza.

 

 

 A Romaria a Pé e O Grito dos Excluídos, são momentos inspirados pelo próprio Cristo, que jamais abandonou os mais pobres e esquecidos, pelo contrário, esteve com eles e os amou infinitamente.

 

Candidatos à Prefeitura de São Paulo se reúnem com lideranças da Região Brasilândia.

Eduardo de Souza - Jornal Cantareira
Eduardo de Souza - Jornal Cantareira

“Queremos um canal aberto para dialogarmos com a prefeitura de São Paulo”, foi com este apelo que Dom Simão, bispo auxiliar da Região Brasilândia, encerrou o Encontro com os candidatos à Prefeitura de São Paulo. Organizado pela Região Episcopal Brasilândia, no último dia 17, o encontro aconteceu na Creche Menino Jesus – Freguesia do Ó.

 

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proximadamente 300 pessoas se reuniram, eram membros das pastorais sociais, lideranças das comunidades e populares preocupados com a realidade e o futuro da região. Mediado pelo padre Cilto Rosembach, assessor regional das pastorais sociais, o Encontro começou com a apresentação de um Documento elaborado em Mutirão pelos movimentos sociais e lideranças das comunidades, tornando públicos a pauta de reivindicações e os clamores do povo que vivencia a falta de políticas públicas na região.

O “olhar” da Região refletida no Documento apresenta propostas concretas para que os direitos humanos, já garantidos pela Constituição Federal, sejam de fato cumpridos: saúde, habitação e moradia, educação, cultura, direitos humanos, assistência social, juventude, meio-ambiente, segurança pública, transporte, comunicação popular alternativa e participação popular.

Após a apresentação do Documento, cada candidato teve dois minutos para se apresentar. A cidade de São Paulo possui hoje 11 candidatos na disputa pela Prefeitura, destes estiveram presentes: Edmilson Costa (PCB), Ivan Valente (PSOL), Marta Suplicy (PT) sendo esta, representada pelo deputado federal Aldo Rebelo, Renato Reichmann (PMN) e Soninha Francine (PPS). Estiveram presentes também inúmeros vereadores em campanha para a Câmara Municipal de São Paulo.

Cada candidato, embasado nas problemáticas da região teve cinco minutos para apresentar suas propostas, depois ficaram à disposição das lideranças para responder a perguntas, bem pontuais à Brasilândia.

A participação política é um instrumento do cristão na construção de um mundo mais justo e igualitário, sempre em defesa dos mais pobres, e foi em comunhão com toda a Igreja, sob orientação da CNBB que a Região Brasilândia, fundada em 1989, promoveu este Encontro entre os candidatos à Prefeitura.

 Os Bispos do Brasil na 46ª Assembléia Geral da CNBB, em nove de abril de 2008, sugeriram critérios para a votação dos candidatos: “respeito ao pluralismo cultural e religioso; comportamento ético dos candidatos/as; e defesa da vida, da família e da liberdade de iniciativa no campo da educação, da saúde e da ação social, em parceria com as organizações comunitárias.” E ainda apontaram qualidades, que julgam imprescindíveis para os candidatos e candidatas: “honestidade, competência, transparência, vontade de servir ao bem comum, comprovada por seu histórico de vida. Para tanto, reafirmamos o Documento de Aparecida ao “apoiar a participação da sociedade civil para reorientação e conseqüente reabilitação ética da política””.

Foi, portanto, em comunhão com toda a Igreja que a Região Episcopal Brasilândia, fundada em 1989, organizou este encontro com os candidatos à prefeitura de São Paulo, uma oportunidade de refletir, questionar e apresentar suas propostas  àqueles que estarão no poder.

 

Candidatos à prefeitura de São Paulo debatem na Região Brasilãndia

No domingo, 17 de agosto, às 14h  os candidatos à prefeitura de São Paulo se encontrarão para um debate junto à comunidade da região Brasilândia, que apresentará um documento aos candidatos apontando as necessidades da região.  

O documento, a ser assinado por todos os candidatos ao executivo e legislativo que estiverem no evento, apresenta reivindicações e propostas nas áreas de saúde, habitação, educação, cultura, direitos humanos, assistência social, políticas para a juventude, meio ambiente, segurança pública, transporte e comunicação alternativa popular.

O encontro será mediado pelo padre e jornalista Cilto José Rosembach, assessor das Pastorais Sociais na Região. Após a apresentação inicial, os candidatos terão contato com as demandas regionais e poderão expor a opinião acerca das questões apresentadas. Também haverá espaço para que os presentes no encontro enviem de perguntas nominais escritas aos candidatos.

Local do Debate: Creche Menino Jesus, rua Antonieta Leitão, 391, Freguesia do Ó – próximo ao largo da Matriz, às 14horas, do próximo domingo, dia 17 de agosto.